O que você conhece sobre os Cavaleiros Templários? Existem inúmeros relatos sobre suas façanhas, guerras, construções e personalidades, mas qual foi o papel destes cavaleiros para a história? Qual o motivo que os fez saírem de seus mosteiros e irem em direção à terra santa? Qual o segredo dos Templários?
É fato que a história dos templários chama atenção ainda hoje, afinal, esses guerreiros de Cristo não eram apenas cavaleiros, mas também clérigos que dedicaram sua vida a um ideal religioso. Ainda assim, o fim trágico dos templários no século XV fez com que essa ordem religiosa ganhasse o imaginário de gerações, que cresceram escutando a história dos seus feitos e seu declínio. Até que ponto, porém, as lendas se confundem com a história e o que foram de fato os templários? É isso que vamos abordar no texto de hoje.

Quem foram os templários?
Primeiramente, temos que entender o contexto histórico/político em que estes cavaleiros surgem, que foi a Idade Média. Este longo período histórico, conhecido também como “Idade das Trevas”, que se estendeu do século V ao XV, foi muito marcante para a humanidade. Inaugurado após a queda do império romano, a Idade Média se caracterizou pela reestruturação política e social de toda a Europa. Diferentes reinos e feudos surgiram no que antes era uma unidade política dominada pelos romanos, e isso, consequentemente, fez com que mudanças culturais profundas ocorressem rapidamente.
Nesse momento de instabilidade, a violência e as guerras espalharam-se por todo o continente, deixando a população insegura e buscando refúgio nas fortificações militares da época, os castelos. Nesse sentido, aponta-se a Idade Média como um período de decadência de valores morais, visto sua desestruturação civilizatória. Devido a esse fato, outros elementos que constituíam a civilização romana – como sua educação, por exemplo – foram abandonados. Não por acaso, somente aos clérigos, homens que precisavam conhecer a escrita e a leitura para suas funções sacerdotais, eram permitidos estudar e saber ler e escrever.
A religião, por conseguinte, foi a única estrutura social que permaneceu da Antiga Roma. Como ponto de identidade, a cristandade teve um papel fundamental em manter unido uma série de povos que viam-se separados e com interesses distintos. O cristianismo, entretanto, através do seu dogmatismo também contribuiu para que não existisse uma difusão de ideias, principalmente as contrárias aos seus ideais. Desta forma, qualquer pessoa ou obra literária que trouxesse ideias “contrárias” à doutrina da Igreja era omitida, e aqueles que tentassem a confrontar, tornavam-se criminosos hereges.
Dentro desse contexto, surge um grupo de homens que conhecia o real valor das tradições antigas, com um projeto de manter viva a filosofia clássica durante a Idade Média. Eles queriam garantir, para o futuro, a moral e a espiritualidade, através da preservação dos ensinamentos, mitos, livros e filosofias. Assim, Bento de Núrsia, famoso São Bento, criou um mosteiro composto por homens da Igreja, que secretamente estudavam temas proibidos, tinham aulas de filosofia, estudavam os clássicos greco-romanos e monitoravam obras de artes e tesouros que pertenciam a humanidade. Surge, então, a Ordem dos Beneditinos.

Com o passar do tempo, a Ordem foi aumentando, ganhando renome e poder. Eles aconselhavam reis, papas e tornaram-se altamente influentes. Com isso, surgiu a necessidade de atuarem de forma mais ativa na sociedade, para que fosse possível expandir as fronteiras geográficas. Então, Hugo de Payns cria a Ordem dos Cavaleiros Templários, com a missão de proteger os peregrinos que atravessavam a Europa para chegar na Terra Santa.
É interessante diferenciarmos aqui os templários, clérigos e guerreiros da Igreja Católica com o objetivo de proteger os peregrinos, e os cruzados, que foram um exército reunido por diversos reinos da europa medieval com o objetivo de expulsar os mulçumanos de Jerusálem e retomar assim a terra santa. É muito comum confundirmos esses dois grupos quando, na verdade, os templários tinham uma função de apenas proteger e garantir que os milhares de peregrinos – indo até aquela cidade para agradecer e pagar suas promessas – pudessem ter uma viagem tranquila frente aos perigos que o mundo medieval oferecia.
Naturalmente, uma vez dentro da cidade, os templários também ajudaram a defendê-la dos ataques árabes. Assim, nesse contexto de guerras, esses dois grupos acabaram sendo confundidos, e isso causou uma pecha aos templários de serem guerreiros sanguinários e que desejavam os confrontos acima de tudo, o que não é real.
Os templários para além do campo de batalha
Desmistificando esse primeiro ponto, devemos lembrar que essa ordem religiosa não dedicava-se apenas à proteção e a defender cidades cristãs. Apesar de se apresentarem como cavaleiros aptos ao combate e de nosso imaginário ao longo dos séculos reforçar a ideia de um cavaleiro templário sempre com sua armadura, espada e escudo, estes monges guerreiros atuavam de forma altruísta pela humanidade, como observamos em seu famoso lema: “Non nobis Domine, non nobis, sed nomini tuo ad gloriam”, que significa: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas pela Glória de teu nome”.

Além da função de proteção, os templários também eram exímios construtores e cumpriam funções clericais. Nesse sentido, a ordem religiosa era dividida em três grandes grupos: os cavaleiros, que tinham como missão principal a proteção dos peregrinos; os construtores, responsáveis pela construção de fortalezas, igrejas, muralhas e tudo que a comunidade necessitava; e os capelães, muitas vezes tendo o papel não apenas de sacerdote, mas de médico, que buscava aliviar as dores físicas e espirituais da comunidade em que estava inserido.
Essa diferenciação nos papéis dos templários mostra que sua missão ia muito além da proteção: eles dedicaram suas vidas a um ideal. Tudo que eles faziam era em nome de uma ideia mais elevada, em nome do divino, em nome da busca pela união do ser humano com o sagrado. Fica claro que esta não era apenas uma frase dita da boca para a fora, pois, apesar da Ordem ser muito rica, cada um dos cavaleiros fazia voto de pobreza.
Não por acaso, os templários eram conhecidos como os “pobres cavaleiros de Cristo”, remetendo a condição de pobreza que cada indivíduo vivia, entretanto, a Ordem dos Templários foi por alguns séculos a mais rica de todas, preservando recursos e guardando obras de arte, relíquias e outros artefatos de extremo valor simbólico para a cristandade.
Graças a esse importante trabalho, muitas obras foram preservadas, podendo chegar aos grandes artistas e pensadores, que abriram as portas da Idade Média para o Renascimento e mudaram o quadro histórico.
O fim dos templários: o que os levou à ruína?
Infelizmente, a Ordem chega ao seu fim, pela sede de poder do rei da França, Felipe, o Belo, que travou uma guerra contra os Templários, interessado em suas riquezas e seus segredos. Ocorre que, durante o século XV, ser um templário era sinônimo de um status elevado dentro da sociedade. Muitos reis e filhos da nobreza desejavam fazer parte desse seleto grupo, porém, nem todos eram capazes de abrir mão de suas vidas para seguir o ideal desses cavaleiros de Cristo. Foi o Caso de Felipe, o Belo. Seu desejo de fazer parte da Ordem Religiosa foi interrompido quando não foi aceito pelos templários devido sua recusa de seguir as regras.

Com o poder político em suas mãos, Felipe convenceu o papa, figura máxima da Igreja Católica, que os templários eram um risco para o seu governo e que, a longo prazo, tentariam tomar o poder da Igreja. Junto a isso, vieram acusações de heresia, visto que algumas obras guardadas pela ordem religiosa remetiam ao paganismo que os antigos romanos cultuavam. Convencido por Felipe, o papa Clemente V apoiou a causa, resultando na prisão em massa dos Templários na França em 1307. Os líderes dos Templários enfrentaram julgamentos, e muitos foram condenados à morte, incluindo o último grão-mestre, Jacques de Molay, que foi queimado na fogueira em 1314. Esse evento marcou o fim trágico da Ordem dos Templários.
Não sabemos o que ocorreria se a Ordem dos Templários perdurasse, mas podemos aprender com o exemplo destes cavaleiros, que sacrificaram suas vidas em nome de ideias nobres. Mostraram que o poder de um Ideal de Sabedoria e Generosidade é capaz de unir seres humanos, por mais adverso que seja o contexto inserido, e que uma civilização não pode abrir mão do seu passado e de suas tradições, pois esta bagagem histórica é o que nos ensina a melhor forma de se preparar para o futuro.
Para quem se interessou sobre a temática dos templários, temos um outro texto sobre o assunto. E também produzimos uma série de podcasts sobre essa Ordem Religiosa. Você pode conferir abaixo
E também produzimos uma Série de Podcasts sobre essa Ordem Religiosa. Você pode conferir abaixo.
Ainda sobre essa temática, sugerimos a palestra abaixo que contém valiosas informações.
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