A Sabedoria Oculta nas Leis do Universo

Muitas doutrinas filosóficas nos falam que o Universo é um ser inteligente. De fato, quando observamos a complexidade da astronomia, do movimento e das relações entre estrelas, planetas e demais corpos celestes, todos regidos harmonicamente por leis, é pouco provável acharmos que tudo ocorre de maneira aleatória.

Assim como em todos os organismos vivos operam a lógica de sobrevivência e a manutenção da vida, talvez devêssemos olhar o Universo de maneira similar. Não para tentarmos encontrar uma vida propriamente dita, afinal, talvez jamais cheguemos a esse ponto, mas sim para entender que por trás de todo e qualquer fenômeno há leis que definem e podem demonstrar um grau de inteligência cósmica, que está para além do mero acaso. 

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Imagem por FreePik

Se considerarmos essa perspectiva, poderemos estender o assunto e pensar que outros seres da natureza possuem inteligência, uma vez que também são regidos por leis. Costumamos acreditar que apenas o ser humano é dotado de inteligência, pois utilizamos um conceito restrito que associa a inteligência com a capacidade mental de raciocínio e decisão. Mas será que inteligência é apenas isso? Para responder essa pergunta, precisamos investigar um pouco mais.

O que é inteligência?

Nos dias atuais, o conceito de “inteligência” vem sendo expandido de maneira rápida. Se antigamente existia o famoso teste de ”Q.I” para medir nosso quociente de inteligência, hoje existem definições acerca de “inteligência emocional”, “hard skills”, “soft skills” e outra série de termos para designar nossa capacidade de lidar com a realidade de formas distintas. Mas para além de todos esses termos, o que de fato é a inteligência?

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Imagem por FreePik

Voltando para a etimologia da palavra, inteligência vem do termo latino intelligere, que nada mais é do que “discernimento”. De fato, demonstramos um grau de inteligência quando somos capazes de discernir, de diferenciar duas ou mais coisas. Porém, a inteligência ainda tem outro componente, que é a capacidade de escolher pelo melhor. Assim, não basta ser capaz de diferenciar o que há ao meu redor, mas sim saber como interagir e escolher sempre a melhor opção.

Peguemos um exemplo simples para demonstrar o conceito: imagine que você precisa pregar um quadro na parede. O que vamos precisar? É preciso diferenciar o que é o quadro, o que é a parede, o que é prego e o que é martelo, correto? Além disso, é preciso saber o papel de cada um nessa atividade, pois caso não sejamos capazes disso, iremos usar o quadro para bater no martelo, enquanto o prego não será utilizado. É preciso, portanto, escolher acertadamente como cada item acima irá servir. Quando fazemos isso de maneira correta, demonstramos nossa inteligência.

Nossa inteligência para pregar um quadro é eficaz, mas e quanto aos nossos sentimentos? E em relação à convivência com outras pessoas? Poderíamos passar dezenas de páginas refletindo sobre como a inteligência pode ser aplicada em diversos contextos de nossa vida social, porém, basta a entendermos como um mecanismo, uma capacidade de eleição e decisão. Assim, do ponto de vista biológico, podemos chamar de inteligência não somente essa capacidade mental de diferenciação, mas também todo processo que consegue fazer escolhas de maneira acertada para manutenção da vida.

Nesse aspecto, dentro de cada uma de nossas células há uma inteligência, por exemplo, que define o que entra e o que sai dela. É a nossa membrana citoplasmática, que garante a vida celular e que regula essa interação com o meio. Considerando essa perspectiva da inteligência, podemos dizer que as plantas a possuem?

A inteligência das plantas e os organismos vivos de toda a natureza

Sem sombra de dúvidas, podemos afirmar que as plantas são inteligentes sim. Enquanto organismos vivos, todas as funções que ocorrem em seu interior são reguladas por leis e possuem, de fato, uma inteligência celular para manutenção da sua vida. Todos os mecanismos que se desenvolvem nas plantas, desde sua coloração até o processo de crescimento, obedecem a uma inteligência que as fazem evoluir.

Além disso, é comprovado, por exemplo, que algumas espécies de plantas conseguem comunicar-se entre si e vivem processos de simbiose de maneira a gerar benefícios para seu crescimento. Em uma floresta, há uma verdadeira rede de informações na qual nutrientes são trocados pelas plantas através de raízes e fungos, o que demonstra uma capacidade de organização e harmonia do ecossistema em diferentes níveis.

Frente a isso, podemos nos perguntar: o que na natureza não possui inteligência? É evidente que ao falar da inteligência da natureza, não só das plantas, mas de todos os demais reinos, não podemos compará-la com a capacidade de raciocínio humano.

Como demonstramos, a inteligência humana passa por outras camadas, mas isso não significa que não haja inteligência em outros planos, até porque mesmo no menor dos seres opera-se uma lógica que o guia pela existência. O que precisamos, na verdade, é considerar um ponto de vista que vá além da nossa perspectiva humana para enxergarmos como funciona a inteligência nos demais seres do Universo.

Do mesmo jeito que duvidamos se as plantas são inteligentes, podemos duvidar mais ainda das pedras, não é mesmo? Na planta, eu vejo movimento, vejo um nascer e morrer, faço estudos de suas células, mas e as pedras? Não se movem, não se reproduzem, não possuem material genético… Naturalmente, tendemos a pensar que elas não possuem vida ou inteligência, mas se analisarmos melhor, podemos ter uma outra visão.

O reino mineral é composto por átomos, que formam moléculas. As moléculas se agitam ante o calor e se contraem no frio. Isso não é vida? Todos os seres precisam ter a capacidade de seguir as leis naturais, tais como as leis dos ciclos e a lei de evolução. Já o reino vegetal possui vida, e, por consequência, a inteligência se apresenta de forma mais evidente do que no mineral. É como uma linha evolutiva, onde cada reino tem como finalidade desenvolver algum plano da Natureza.

O reino mineral, com toda a sua variedade de formas, está relacionado com o plano físico. Já o reino vegetal, com sua capacidade de crescer, se expandir, gerar energia, através da fotossíntese, e buscar o Sol, relaciona-se com o plano energético. 

comunicação entre plantas, organismos vivos e inteligência das plantas

Um pouco mais evoluídos, os animais, com todo o seu poder de expressar emoções, como raiva, carinho e alegria, encontram-se no estágio de desenvolvimento do plano emocional. E por fim, nós humanos, somos responsáveis por desenvolver o plano mental, uma vez que possuímos a razão, atributo que nos diferencia dos demais reinos da natureza.

Contudo, voltando para o nosso foco, as plantas possuem mecanismos inteligentes que as fazem sobreviver e multiplicar no mundo: mecanismos de defesa ante as pragas, formas de crescer numa árvore acompanhando os raios de Sol, comunicação entre as raízes das árvores numa floresta para gerar sobrevivência da espécie, entre outros. Tudo isso é inteligência.

Nós, como seres humanos, somos uma síntese dos demais reinos da natureza. Afinal, possuímos moléculas como o carbono, fósforo e cálcio, do mesmo jeito das pedras. Precisamos da luz do Sol e absorvemos os nutrientes pela corrente sanguínea, de forma similar a das plantas. 

Um bom exemplo desses mecanismos está no girassol. Em nosso portal, já escrevemos sobre esse assunto, e para quem quiser conhecer um pouco mais sobre o que podemos aprender com os girassois, basta clicar aqui.

Flor de Girassol reinos da natureza
Imagem por FreePik

Para concluir, queremos dizer que apreciamos um bom descanso e um bom carinho, como os animais. Logo, se já conquistamos tudo isso, nos cabe dar o próximo passo evolutivo: fazer uso de nossa mente para desenvolver virtudes.

Por sermos organismos mais complexos, temos a maior capacidade de expressar a vida e a inteligência. Por termos mais condições de expressar a inteligência, temos que viver e nos comprometer ainda mais em seguir as leis da natureza. Se o mineral, o vegetal e o animal as seguem, por que o humano deveria ficar de fora? Como diziam os egípcios, conhecimento é compromisso!

Desta forma, devemos buscar viver o que é próprio do Ser Humano, desenvolvendo o que a natureza espera de nós, para assim alcançar o ápice da evolução humana: a Sabedoria.

Já publicamos um artigo sobre esse tema anteriormente. Clique no link a seguir para acessar: Publicação Anterior sobre esse tema

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