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Série: Correntes Filosóficas

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos

Um antigo ditado romano diz que “Todos os caminhos levam a Roma”. Para além de uma frase que denota a importância da capital do maior império da antiguidade, também podemos entender, de forma simbólica, que diferentes meios podem nos levar a um mesmo objetivo. De fato, não precisamos ir tão longe para notar que o ser humano é capaz de criar e buscar novas rotas para aprender e desenvolver suas potencialidades através dos mais diferentes processos. 

Partindo dessa perspectiva, podemos pensar em como, ao longo do caminhar da história, o ser humano construiu diferentes formas de pensamento e meios para conhecer o mundo ao seu redor. Se hoje falamos que a ciência é nossa principal fonte de apreensão do que nos cerca, em outros tempos históricos essa tarefa foi dada à filosofia, à religião e a outros tantos meios de adquirir conhecimento. 

Não se trata de uma hierarquia de formas, muito menos de elencar quais são as melhores e mais eficazes, pois quando paramos para enxergar o Universo e suas leis, podemos notar o quão pouco ainda sabemos sobre o mistério que nos rodeia. Nesse sentido, conhecer novos caminhos e formas de pensamento é uma maneira saudável e positiva de juntarmos peças de um grande e complexo quebra-cabeça que estamos tentando desvendar desde tempos imemoriais.

Nos atendo apenas ao aspecto da filosofia, visto que em uma única série seria impossível abordar tantas variáveis como as religiões e as ciências, vamos embarcar em mais um conjunto de textos para aprendermos sobre algumas correntes filosóficas e seus fundamentos básicos. Queremos, com isso, perceber que, de fato, a sabedoria pode ser alcançada a partir de diferentes caminhos. Para tanto precisamos entender, previamente, algumas ideias básicas acerca desse tema. Vamos a elas?

Para saber o que é uma corrente filosófica, precisamos compreender o que é filosofia. Essa palavra de origem grega tem uma origem obscura, pois não se sabe ao certo quem foi o primeiro a cunhar a expressão. Ainda assim, a versão mais “conhecida” nos fala que foi Pitágoras. Conta-se que em uma de suas aulas um discípulo o elogiou de sábio, apontando assim para o grande conhecimento do mestre. Este, por sua vez, demonstrando grande humildade, afirmou que não era um “sábio”, um sophos, mas sim um amante da sabedoria, um philosophos. Desse modo, a palavra filosofia teria nascido com o significado de “amor à sabedoria”, amor à verdade, ao conhecimento.

Sabemos que na Grécia Antiga existiam várias expressões para designar o amor. Basta pensarmos na mitologia grega que perceberemos a diferença entre Eros, que em muitas traduções é visto como o amor “carnal” – por assim dizer –, e Afrodite, a deusa do amor e da beleza, representante do mais sublime aspecto desse sentimento. Assim, na linguagem, o amor foi expresso por diferentes palavras, logo, é preciso entendermos de que tipo de amor trata o termo philos, pois assim entenderemos como, de fato, as diferentes correntes filosóficas buscavam viver essa ideia de amor à sabedoria. Sendo assim, philos está relacionado com o amor no sentido de “falta”, aquilo que ainda não temos, mas que buscamos ter. Logo, o filósofo não detém a sabedoria, mas por amá-la está em sua busca. O desejo desse ser humano, portanto, é cada vez mais se aproximar do que ama: o saber. Com isso, a filosofia se converte em uma jornada em direção à sabedoria, sendo dinâmica e com forte cunho moral, pois chegar ao saber exige uma postura ativa frente à vida e aos seus mistérios.

Se considerarmos tais aspectos, podemos entender que a filosofia vai muito além do exercício intelectual no qual, na maioria dos casos atuais, ela se converteu. Exige-se, assim, um grau de vivência e coerência entre o que se pensa, o que se sente e o que se faz. A sabedoria, afinal, só pode ser demonstrada pela prática, e não pela simples teoria ou palavras. 

Deixemos essa ideia mais clara a partir de exemplos: pensemos em um cirurgião. Como comprovar que ele detém o saber de sua profissão? Seus diplomas não bastam para que se comprove que, de fato, ele sabe operar uma pessoa. O que garante esse “grau” de sabedoria é a prática, ou seja, se ele fez de maneira harmônica e correta o que lhe cabia fazer. Nesse sentido, só podemos comprovar que sabemos de algo quando nos colocamos à prova da vida, no seu sentido mais vivencial.

Essa perspectiva da sabedoria pode ser aplicada não somente em profissões, mas em todos os âmbitos de nossa vida. Sendo assim, para sabermos se alguém é, de fato, sábio, devemos observar a forma em que tal ser se coloca no mundo, compreendendo as leis da natureza e vivendo de acordo com os ditames destas forças cósmicas. A sabedoria, nesse aspecto, vai muito além de técnica, ela consiste na harmonização dos seus elementos internos e externos com a vida que flui ao nosso redor. O sábio, portanto, é quem consegue navegar na vida e encontrar suas chaves para evolução, caminhando em direção ao seu verdadeiro propósito e entendendo as leis que o cerca.

Quando pensamos dessa maneira, é perceptível, para alguns, notar o quão distante ainda estamos da sabedoria, mas que por diferentes meios podemos conhecer e estabelecer formas de vida que nos levem a um grau maior de consciência. Pois se a sabedoria é uma meta humana, ou seja, se nosso destino é chegar conscientemente ao saber, podemos por várias formas alcançar esse objetivo. Aqui, nessa pequena série, conheceremos alguns caminhos traçados por homens e mulheres do passado que marcaram a história. 

De maneira objetiva, analisaremos as seguintes correntes de pensamento: o ceticismo, o cinismo, o epicurismo, a patrística, o racionalismo e o niilismo. Ressaltamos aqui, porém, um aspecto muito importante dentro da nossa série e qual é o seu objetivo. Assim como todos os caminhos levam a Roma, entendemos que todas as correntes filosóficas têm, por objetivo, nos levar à sabedoria, ou seja, a um conhecimento superior acerca da vida e de nossa posição no mundo. Não nos cabe aqui afirmar dogmaticamente qual corrente é “melhor” ou “pior”, afinal, se todos os caminhos nos levam para um mesmo destino, todos eles possuem a mesma qualidade. Talvez a diferença esteja, porém, nos percalços e as necessidades que possam surgir em meios aos desafios que cada proposta filosófica nos coloca, mas isso não nos cabe julgar.

Frente a isso, nosso objetivo com essa nova série de textos é aprender a comparar as diferentes ideias destas correntes de modo saudável, ou seja, conciliar pontos de convergência e tentar perceber semelhanças e distanciamentos entre cada uma delas. Desse modo preservamos suas características singulares ao passo que podemos perceber as aproximações desses caminhos que são distintos apenas na forma, mas que buscam a mesma finalidade.

Por fim, a série “correntes filosóficas” é um convite para apreciarmos a busca pela sabedoria. Sabemos que esse caminho já foi percorrido pelos grandes mestres, aqueles que inspiram a humanidade com seus exemplos e palavras, mas ainda é difícil ver seus ensinamentos plasmados no nosso dia a dia. Sendo assim, que possamos, mesmo que aos poucos, tornar a ideia da filosofia em sua essência cada vez mais próxima de nós. Queremos, enfim, tornar os conhecimentos milenares destas correntes cada vez mais palpáveis, pois apesar de vivermos em um tempo completamente distinto destes pensadores, há um elo inquebrantável que nos une: o de sermos todos seres humanos. Portanto, não deixemos que tais conhecimentos se percam no caminho do tempo e sejamos o novo resgate destas ideias que ajudaram tantas pessoas a caminharem em busca da verdadeira sabedoria.

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