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Deus do Sol Mitra: Semelhanças com Jesus Cristo

Tempo de leitura: aproximadamente 7 minutos

Hoje falaremos de uma história que talvez vocês já conheçam. Falaremos de um personagem que nasceu no dia 25 de dezembro, realizou milagres e venceu diversas provas ao longo de sua existência. Ele também fez sua última ceia com 12 seguidores e teve uma religião que nasceu após a sua morte e que se espalhou por todo o Império Romano. Provavelmente, vocês pensaram em Jesus Cristo, mas não é o caso. Apesar de guardar todas essas semelhanças com o ser que trouxe a doutrina Cristã, hoje falaremos de um outro ser, também Divino, que ficou amplamente conhecido em Roma, mas que sua origem remete há pelo menos 5 mil anos. Estamos falando do Deus Mitra, uma das Divindades solares para os Gregos e um Deus guerreiro para os antigos povos da Ásia Menor. 

Se você nunca ouviu falar de Mitra não se preocupe, pois é provável que você não esteja só. Apesar da grande difusão do Mitraísmo, religião nascida a partir do culto a essa Divindade, nos dias atuais, ela é praticamente desconhecida entre as pessoas. Mas como isso aconteceu? Vamos mergulhar na história e na mitologia deste Deus para compreendermos melhor suas nuances. Para isso, precisamos voltar no tempo até a região da Índia e encontrarmos na cultura Védica as referências a Mitra. Para os Indianos, Mitra guardava uma forte relação com a proteção do Universo, dividindo com Varuna a vigilância do Cosmos e da vida. Enquanto Mitra o fazia pelo dia (por isso mais tarde seria relacionado com o Sol), Varuna vigiava a vida durante a noite. Outra característica importante de Mitra era ser o Deus das reuniões, da paz e da honestidade, sendo um eterno mantenedor dessa harmonia Divina.

Com o tempo, Mitra acabou sendo também uma referência para os antigos Persas, localizados na Ásia Menor. A troca cultural entre esses dois povos fez com que Mitra se tornasse uma Divindade intermediária entre o grande Deu Ahura-Mazda e a humanidade. Assim, Mitra combatia o mal e era um verdadeiro protetor da justiça e da bondade, sendo em parte a representação da própria Divindade. É na religião de Zoroastro que Mitra ganha os atributos que tanto se assemelham à história de Jesus Cristo. Colocado numa posição de intermediário entre o Divino e os Seres Humanos, Mitra é notadamente visto como uma espécie de ponte para o Divino. Em seu mito, ele também acaba sendo morto e ressuscitado no equinócio de primavera, simbolizando assim o renascer para uma nova existência. Ele também ficou conhecido como o portador da luz, ou seja, aquele que traz a verdade e ilumina o mundo.

Todos esses atributos e momentos de sua história podem ser associados à figura de Cristo. Porém, Mitra, como sabemos, nunca existiu de fato a não ser dentro das mitologias dessas civilizações. Visto isso, discute-se, atualmente, se os feitos atribuídos a Jesus não sejam, na verdade, somente alegorias e símbolos, separando assim seu aspecto Divino da sua história enquanto Ser Humano. Entretanto, não entraremos nesta questão aqui, uma vez que estamos falando de Mitra. 

Para entendermos as semelhanças entre esses dois personagens, é fundamental conhecermos como o culto de Mitra chegou à Europa. A Divindade Persa foi conhecida primeiramente pelos Gregos que, através das conquistas de Alexandre, o Grande, o associaram aos Deus Hélios, o Deus do Sol. Para os Helenos, Mitra era um outro nome para a mesma Divindade e assim seu culto foi levado para as cidades Gregas e, posteriormente, também levada à Roma, uma vez que os antigos donos do Lácio conquistaram toda a Grécia. Em Roma, Mitra não foi apenas conhecido como o Deus do Sol, mas pelo seu caráter de proteção e combate contra o mal, também foi associado diretamente com o elemento militar. Não por acaso, o culto a mitra passou a ser realizado principalmente entre os soldados e generais Romanos, fazendo sacrifícios em seu nome. 

Assim surgiu o Mitraísmo, uma religião dentro do seio do Império Romano que cultuava o Deus Sol como principal Divindade. É importante compreendermos que o Mitraísmo não é uma religião monoteísta, ou seja, que acredita apenas em um Deus, logo, todas as Divindades Romanas continuavam a existir, mas dentre elas, Mitra seria o mais importante. Esse culto se espalhou rapidamente na cultura Romana, principalmente em seu corpo militar. Ao vencer guerras e conquistar novos territórios, Roma não só ampliava seu poder de influência sobre outras regiões, mas Mitra também ganhava novos seguidores. Assim, durante o século I a.C. até o século II d.C. o Mitraísmo era bem difundido na cultura Romana. 

É também neste período que o Cristianismo começa a dar seus primeiros passos enquanto religião. Frente a isso, é provável que muitos acontecimentos relacionados a Jesus estejam ligados ao Deus Mitra, devido a força desse culto à época Romana. Com o passar dos séculos, porém, o Cristianismo cresceu em número e influência na sociedade Romana, chegando a ser a religião oficial do Império. Visto isso, conta a História que ao se estabelecer neste patamar, os Cristãos buscaram acabar com as outras formas de culto ao Divino, uma vez que representavam grandes divergências com a sua doutrina. É neste período, entre o século IV e V d.C. que o culto a Mitra será extinto na Europa. 

Apesar de não existir nos dias atuais, é importante refletirmos sobre as características dessa Divindade e pensarmos em como seus atributos se relacionam com a nossa vida. Como podemos perceber, os mitos estão muito além de serem somente histórias ou crenças de uma civilização antiga, mas guardam em si ideias que ajudam na evolução da humanidade. Partindo desse ponto de vista, que ensinamentos podemos aprender a partir de Mitra?

Um dos seus principais atributos é, notadamente, o Sol. Representando o Astro-Rei, Mitra está diretamente ligado a vida.  Como sabemos, o Sol provê a vida para o nosso planeta, sem ele, não haveria calor nem luz, duas condições fundamentais para o surgimento das mais diferentes espécies. É graças a ele que as plantas podem fazer sua fotossíntese e sobreviver, assim como os animais e Seres Humanos podem viver em temperaturas que permitam que a vida possa se expressar. Desse modo, parece clara a razão pela qual diversas culturas atribuem ao Sol um caráter Divino, sendo, em geral, a principal Divindade dessas religiões. 

A vida, portanto, está expressa a partir do calor (que nada mais é do que a energia proveniente do movimento dos átomos) e da luz. Esse símbolo para a nossa vida é de extrema importância, pois somente quando estamos em atividade, gerando essa energia e trazendo luz ao nosso redor que nos consideramos verdadeiramente “vivos”. Hoje, entendemos “vida” como o simples ato de sobreviver, porém, viver, de fato, sempre foi um aspecto associado ao servir a um preceito maior. Gerar vida, portanto, é, em última instância, doar-se. O sol doa sua energia e luz para todo o sistema solar, uma mãe doa seus nutrientes ao filho que cresce em sua barriga, e qualquer Ser Humano também está verdadeiramente vivo quando doa seus atributos a algo ou alguém. 

Mitra, desse ponto de vista, é visto como esse grande doador de vida, que protege com seu corpo e espírito aquilo que é mais Divino. Os soldados Romanos, de igual modo, sacrificavam-se em nome de uma ideia (a do Império), e por isso podiam se ver claramente naquela figura Divina, pois ela representava em essência o dever que os guerreiros cumpriam. 

É interessante percebermos como Mitra muda em alguns aspectos nas diferentes civilizações. Apesar de seu mito sofrer alterações, entretanto, sua essência se mantém a mesma. Desde o eterno vigilante do cosmos junto a Varuna, até o Deus solar do Mitraísmo, seus atributos sempre estão relacionados com a vida e proteção dessa manifestação. Desse modo, talvez seja essa a principal lição que podemos tirar da sua jornada nesses mais de 5 mil anos de existência: de que não importa a forma ou o modo que somos representados, desde que estes continuem a mostrar nossa essência. Ao longo da vida, iremos mudar tanto quanto esse Deus, iremos ganhar novas atribuições, trabalhos e papéis. Porém, no fundo, nada disso importa desde que sejamos capazes de manter nossa fidelidade com aquilo que sabemos que nunca muda: a nossa essência.

Dito isso, entendemos que Mitra não é apenas uma Divindade esquecida no tempo, mas é fruto de um processo histórico que perdeu sua importância e que hoje não tem seguidores. Acima disso, Mitra é uma ideia que pode e deve ser expressa em cada Ser Humano. Por isso dizemos que os mitos não morrem, pois habitam uma realidade atemporal e que podem ser vividos em qualquer época. Se lembrarmos disso, poderemos todos os dias pensarmos em sermos como a Divindade Solar e combater o mal para proteger a vida e o bem. Seremos assim, sinceros guardiões dessa bondade que tanto precisa ser expressa no mundo e revelaremos a nossa melhor parte, nossas virtudes. Portanto, lembremos de Mitra não somente pelo seu culto e importância, mas sim pelo seu símbolo. Se assim o fizermos, poderemos representá-lo sempre que nos colocarmos à serviço do bem. 

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