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Nut, a Força Invisível do Universo

Tempo de leitura: aproximadamente 5 minutos

O Ser Humano é um eterno buscador de respostas. Nossas perguntas, em geral, tendem a nos fazer movimentar para achar soluções ou revelar mistérios, e isso não mudou muito desde a Pré-História até os dias atuais. Continuamos com sede de conhecimento e não medimos esforços para saciá-la. 

Essa busca nos levou a desenvolver tecnologias e a nos aventurarmos pelo espaço sideral, enviando sondas para outros planetas e satélites capazes de captar eventos a milhões de anos-luz do nosso planeta. Entretanto, há ainda muito por se descobrir no Universo. Uma das questões que ainda não temos um conhecimento assertivo é o de como tudo surgiu. A Teoria do Big Bang é, sem dúvida, a explicação mais fundamentada que temos atualmente, porém, ao longo da nossa história diversas culturas e civilizações procuraram, à sua maneira, explicar a criação do mundo. 

Ao olharmos a cultura egípcia, por exemplo, seu mito de criação nos revela um simbolismo interessante, cheio de Deuses e ideias inspiradoras. Hoje falaremos um pouco do mito e das ideias de uma dessas Deusas que está diretamente ligada à como o mundo foi construído: a Deusa Nut.

Nut, em linhas gerais, é a Deusa do céu para os egípcios. Ela era representada como uma mulher que, com seu corpo alongado, formaria a abóbada celeste, uma vez que seus pés e suas mãos tocavam Geb, a Terra. Nut também é esposa e irmã de Geb, e juntos formariam quatro filhos: Osíris, Ísis, Seth e Néftis. Seus filhos seriam, por fim, os Deuses que comandariam o Egito e regeriam o mundo. Porém, a Deusa do céu guarda em si muitos simbolismos e Mistérios, estando para além do papel de geradora desses Deuses.

Nut e Geb

A Deusa teria nascido da união de outros dois Deuses, de caráter muito mais simbólico e subjetivo: Shu, o Deus do ar seco, e Téfnis, a Deusa da humidade. Inicialmente pode-nos parecer estranho esse tipo de associação, ainda mais se levarmos ao pé da letra esse mito de criação, porém, devemos compreender que os egípcios buscaram explicar uma ideia, não necessariamente como o Universo foi criado. Nesse sentido, Nut nasce de aspectos mais sutis da Vida, que não estão visíveis, mas que podem ser sentidos, o que simboliza a Vida espiritual – que não é visível –  gerando a Vida material – que é a que vivemos. 

Não por acaso, Nut e Geb foram os primeiros Deuses a terem uma forma Humana, a se encontrarem no Universo manifestado. Eles representam, portanto, os Princípios que geram o mundo, simbolizando a dualidade Céu X Terra. Para além disso, Nut carrega em seu corpo as estrelas do céu e sua representação está fortemente ligada à astrologia e à passagem do Sol pela Terra. 

Nos dias atuais sabemos que quem se move ao redor do Sol é a Terra, porém, os egípcios demarcavam a caminhada da barca de Rá (o Deus do Sol) pelos céus a partir do corpo de Nut. O Sol nasceria do seu ventre e ao longo do dia percorria as costas da Deusa. Ao descer da sua cabeça o Sol estaria se pondo e voltaria, passando por debaixo de Geb, para o seu ventre. Assim o Sol, todos os dias, nasceria de Nut e percorreria os céus trazendo a Vida ao Egito.

A barca de Rá e o caminho do Sol pelo corpo de Nut

Nut também está relacionada com a luz das estrelas. Alguns egiptólogos buscam relacioná-la com a Via Láctea, devido ao seu formato e a quantidade de estrelas em seu corpo, porém, a tese mais aceita é que as estrelas no céu são guardadas pela Deusa, que as sustenta e evita que caiam sobre a Terra. Em um aspecto mais profundo, Nut é a luz do Cosmos, que sustenta os céus e protege a Terra. Seria, nesse sentido, a Luz do Divino que gera energia e mantém a criação em funcionamento. De fato, se observarmos o papel de Nut enquanto geradora do Sol, por exemplo, não é difícil associá-la com esse Princípio da Vida, que faz nascer e sustenta todo o mecanismo da Natureza. Ela gera o Sol, faz com que ele percorra seu caminho e, à noite, ilumina o mundo com suas estrelas, protegendo-o da escuridão total. Junto a isso, Nut é a mãe de Ísis, que representa o Princípio da Vida na Terra, sendo a “Grande Mãe”, protetora e princípio feminino em si.

Refletindo um pouco acerca dessas ideias, Nut representava aos egípcios que a Divindade, esse aspecto do qual o Universo surgiu, é responsável pela proteção e manutenção do Universo e também dos Seres Humanos. Graças ao Divino tudo se mantém onde está e podemos ter nossas experiências, tal qual uma mãe que protege seus filhos dos perigos do mundo, mas que os deixam livres para viver suas vidas.

Outro papel importante da Deusa Nut está na sua relação com os mortos. Era costume no Antigo Egito decorar a parte interna da tampa dos sarcófagos com a Deusa, como uma proteção para o morto. Os estudos atuais indicam que além da proteção, a ideia da Deusa aparecer nesse ponto do sarcófago era porque ela representava um caminho que a Alma do morto percorreria até chegar na Duat, o mundo dos mortos do Antigo Egito. 

Tampa de um sarcófago com a representação da Deusa Nut

Sobre a transição entre a vida e a morte no Antigo Egito é interessante notar que, desde o momento em que a vida deixava de habitar o corpo de alguém, os Deuses estavam presentes para auxiliar a Alma na sua trajetória. Seja percorrendo o corpo de Nut, ou sendo guiada por Anúbis, os mortos não estavam sozinhos em sua jornada. Essa percepção do Divino em todos os momentos fez com que os egípcios percebessem o mundo a partir de uma ótica do Sagrado, em que toda a Natureza seria composta por expressões distintas desse mesmo Mistério. 

Por fim, cabe a nós refletirmos como hoje investigamos a Natureza sob a ótica apenas científica e os Mistérios, que outrora envolvia uma relação profunda com o Sagrado e seu aspecto Divino, são vistos apenas como fenômenos ainda inexplicados da Natureza. Apesar de termos desenvolvido essa capacidade de desvendar as Leis da Natureza e seu funcionamento, também perdemos um pouco dessa visão simbólica e  dessa compreensão da Vida, que está além dos seus aspectos físicos. Portanto, não podemos pensar que somos frutos de um acaso, uma série de coincidências combinadas que nos levaram até aqui. Talvez, por trás de toda lógica e racionalidade dos fenômenos da Natureza exista, quem sabe, uma Inteligência que protege o Universo e faz com que ele não se destrua, tal qual Nut protege a Vida com seu corpo.

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