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O mundo mais uma vez parou para assistir a copa do mundo, um dos espetáculos mais vistos na Terra. O grande responsável por isso é o futebol, o esporte mais praticado do mundo. Como bem sabemos, a cada quatro anos esse evento ocorre, e surpreendentemente esse fenômeno só tende a aumentar, visto seu histórico. O que faz, porém, o futebol ser tão amado? 

Para entendermos a força do futebol, é preciso retornarmos às suas origens. Criado em 1863 na Inglaterra, originalmente esse esporte não tinha como objetivo se tornar tão popular. A bem da verdade, o futebol era praticado apenas pela elite inglesa e nasceu dentro dos muros da universidade, na época um claro sinal de distinção entre os ricos e bem-educados e a massa trabalhadora que não tinha acesso à educação. Porém, por ser um esporte simples e com objetivos claros – basta tentar colocar a bola na rede e quem marcar mais gols vence –, praticamente qualquer pessoa poderia, de maneira improvisada, jogá-lo. E essa realidade não ficou apenas no século XIX, uma vez que podemos observar ainda hoje nas ruas e terrenos baldios crianças e adolescentes praticando o futebol com os mais variados tipos de “bola”: desde tampinhas de garrafa até um conjunto de meias enroladas. Assim, o futebol rapidamente conseguiu se espalhar pelos quatro cantos do mundo.

Um primeiro rascunho das “Leis do Jogo” originais escritas à mão, elaboradas em 1863, em nome da The Football Association, por Ebenezer Cobb Morley, em exibição no Museu Nacional do Futebol, em Manchester.

O fato de ter nascido na Inglaterra também ajudou a popularizar o esporte. Na época, a principal nação do Reino Unido era um império com colônias na Ásia e África, além das mais diversas relações com outros povos. Por sua presença global, não demorou para que o novo esporte fosse jogado em toda a Terra. No Brasil, por exemplo, o futebol chegou através de marinheiros ingleses que nas suas horas vagas desciam para as praias com suas bolas de couro e ensinavam aos brasileiros o que seria hoje, talvez, o maior motivo de orgulho nacional do nosso país. Portanto, se hoje torcemos e vibramos com a nossa seleção devemos, gostemos ou não, aos ingleses essa contribuição à cultura nacional.

As fronteiras do futebol, porém, são bem mais extensas do que as quatro linhas que delimitam o campo. Por ser o esporte mais popular do mundo é possível dizermos que não há, hoje, nenhum país que não pratique, ao seu modo, o futebol. Logo, é comum vermos em partidas que a rivalidade entre os times não fica restrita apenas aos gramados. De fato, a história e o futebol parecem caminhar lado a lado, e em muitos momentos de crise o futebol se mostrou uma forma de expressão de pensamento e posicionamentos políticos.

O elenco do FC Start, usando camisas escuras na foto [Imagem: Reprodução]

Um grande exemplo disso é a famosa “partida da morte”, ocorrida em 1942 entre os prisioneiros de guerra soviéticos – em sua maioria jogadores do clube Dínamo de Kiev, da Ucrânia – contra os soldados alemães que ocupavam a região. A ideia da partida seria demonstrar a superioridade alemã frente aos soviéticos para mostrar que o ariano, em qualquer área que fosse, era superior às outras “raças”. Obrigados a jogar e, acima disso, de deixarem ser vencidos para não morrerem, os jogadores do Dínamo de Kiev não permitiram que os alemães vencessem. Em um melancólico 5 a 2 para os soviéticos, a partida terminou sendo um vexame para os alemães, mais uma vez tendo uma prova da não superioridade ariana. Para os jogadores, infelizmente, restou a morte algumas semanas após, sendo levados para um campo de concentração.

Outros exemplos – não tão trágicos – também mostram que o futebol não se limita a ser somente um esporte. Um outro caso bastante famoso é o ocorrido na Nigéria em 1969, quando o Santos, time na época comandado por Pelé, conseguiu parar uma guerra. O país africano passava por uma guerra civil que tentava separar o país e o Santos, um time de expressão mundial e que possuía nada menos que o Rei do Futebol em seu plantel, tinha um amistoso para jogar com o time nigeriano Benin City. Esse evento parou o país, uma vez que todos gostariam de assistir o poderoso Santos jogar nas terras nigerianas. Para isso ocorrer com segurança, os dois lados do conflito resolveram abrir um cessar-fogo para que ambos pudessem assistir a partida. A pausa na guerra de fato ocorreu, e o Santos de Pelé pôde jogar em paz contra seu adversário. O resultado da partida foi 2 a 1 para o time brasileiro.

O Santos campeão do mundo de 1962. Créditos: Wikipedia

Poderíamos passar diversas páginas contando grandes casos do futebol como um instrumento em prol da liberdade e da união entre os mais distintos povos. Porém, há um aspecto fundamental que torna o futebol mágico, capaz de operar verdadeiros milagres e criar narrativas que nem mesmo o mais criativo dos escritores poderiam competir. Esses pequenos milagres acontecem todos os dias, quando uma criança pega uma bola e carrega consigo o sonho de uma família. O sonho de se tornar um jogador de futebol, de jogar pelo seu clube do coração e conseguir mudar de vida. Os relatos desse pequeno milagre existem aos milhões e grandes craques, muitos que estão jogando inclusive a Copa do Mundo, são exemplos vivos de que o futebol consegue ser transformador. 

Transforma não apenas a realidade de quem está jogando, que consegue, a partir de suas façanhas, dar alegria e uma melhor condição de vida para sua família e amigos; mas também pelos grandes exemplos de humanidade que enchem o nosso peito de felicidade. Isso ocorre nos pequenos gestos, desde entrar em campo segurando a mão de uma criança ou doar sua camisa para um torcedor, até a honra de não querer vencer a qualquer preço e praticar o que chamamos de “espírito olímpico”, também conhecido como fair play. Tais expressões, em resumo, nada mais são do que uma forma virtuosa de se praticar uma partida, dando sempre o seu melhor, respeitando os adversários e, principalmente, não deixando que a competitividade roube o seu aspecto humano. 

Exemplos de Fair Play há aos milhares. Desde errar de propósito um pênalti marcado injustamente até se autoacusar em relação a uma falta ou uma penalidade, mostrando assim que não há nada superior à verdade, nem mesmo o resultado do jogo. O espírito do futebol se mostra presente nesses momentos, pois revela que a grande finalidade do jogo não está necessariamente em que faz mais gols, mas sim em se manter sempre unido e se sentir verdadeiramente ligado aos seus companheiros, aos adversários, aos árbitros, à torcida.

Portanto, que possamos aproveitar esse dia de final da Copa do Mundo para relembrar que os verdadeiros valores do futebol não são outros, senão o da união. Que saibamos cultivar esse espírito para que, tal qual uma semente, a unidade e os valores humanos brotem de nossos corações e possam se estender a todos que fazem parte da nossa vida.

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