Qual o Valor de uma Vida baseada em Princípios? Essa pode parecer uma pergunta ingênua, afinal, nossa resposta natural é de que todos nós temos Ideais e Valores que norteiam as nossas ações. De fato, essa é uma afirmação Verdadeira, pois, de uma forma ou de outra, todos nós seguimos as leis e, em tese, respeitamos os Valores que nos foram ensinados. Porém, há uma diferença entre seguir Princípios já estabelecidos e escolher, de maneira consciente, aquilo que guiará nossas existências. Enquanto o primeiro vive de forma inconsciente, sem refletir verdadeiramente sobre o que nos ensinaram, o segundo é fruto de uma profunda meditação sobre o que se pretende viver e, melhor ainda, como se quer viver.

Se nos tempos atuais, seguir os Princípios que escolheu é algo raro, visto que grande parte das pessoas apenas aceita as normas sociais, essa realidade já foi bem diferente. Se olharmos para a História da Humanidade, veremos que diversos grupos e Culturas estabeleceram para si códigos morais e Princípios que cada integrante, ao decidir por fazer parte do grupo, deveria aprender e viver sob tais preceitos. Como exemplo, temos os Samurais e o Bushido, cujo código de honra que os levou à condição de serem lembrados até hoje, é baseado na Coragem, Disciplina e Respeito. 

Na Idade Média, temos o exemplo dos cavaleiros que também compartilhavam de um código. Suas Vidas eram modelos de Justiça e de busca pela Paz, em um Mundo que se apresentava como caótico. Assim, a Virtude deles foi fundamental para preservar Valores que ultrapassaram os séculos e chegaram até nós. Pensando sobre esses Princípios, hoje indicamos um filme que retrata bem essas Ideias: Os Últimos Cavaleiros.

Lançado em 2015, “Os Últimos Cavaleiros” (“Last Knights”, no idioma original) é um filme de ação estrelado por Clive Owen e Morgan Freeman, além de contar com a direção de Kazuaki Kiriya. A trama se passa em um Mundo fictício, no qual há uma tensão política entre a Corte Imperial e as Províncias que estão sob seu governo. O braço direito do Imperador, um homem corrupto e que desdenha das Tradições, exige impostos e suborno dos Nobres que governam as Províncias do Império. Por medo e receio de perderem seu prestígio, todos os governantes acatam as exigências da administração Imperial, exceto um velho nobre: Bartok (Morgan Freeman).

Após recusar os subornos, Bartok é convocado para ir à Corte e acaba sendo preso ao entrar em um conflito contra o administrador Imperial, Gezza Mott. Bartok, porém, não é mais um Nobre que vive enclausurado em seu castelo. Na verdade, o governante também é o Mestre de um grupo de Cavaleiros ao qual ensinou, com precisão, sobre os Princípios e Valores que a casta Guerreira defende. Virtudes como Coragem, Honra e Justiça são a base para a Vida desses homens. Porém, ao verem seu Mestre preso e condenado à morte, ficam indignados com a tirania Imperial.

O filme se desenvolve, ao longo das suas quase duas horas, apresentando o Valor da Honra e os sacrifícios necessários para restabelecê-la. O grupo comandando por Raiden, após a condenação de Bartok, parte em um plano para limpar o nome da família do seu Mestre. Dentro dessa perspectiva, não nos faltam cenas Inspiradoras e Lições a serem vividas em nosso cotidiano.

Uma delas trata sobre a obediência ao código e a necessidade de vivê-lo na prática. Dizem que é “fácil” morrer por uma Ideia, no entanto, o difícil é viver, todos os dias, sendo regido por um Ideal. De igual modo, no filme, mostra-se claramente a perspectiva de que obedecer a um Código de Honra é, antes de tudo, ser uma prova viva dos Valores ali expressos. Quanto a isso, trata-se de aprendermos a viver tais Valores em todos os momentos de nossa Vida, sejam eles bons ou ruins.

Muitas vezes, em nossa rotina, abrimos mão de certos Valores quando nos é conveniente. Deixamos nossos desejos nos dominarem e, por um breve ou longo período, ficamos entregues a uma situação ou condição que, em tese, não fazem parte dos nossos Princípios. Outras vezes, ao nos encontrarmos em um ambiente com o qual não nos identificamos, somos influenciados pelo meio a fazer algo que não condiz com as nossas Crenças. Esses momentos e circunstâncias da Vida nos revelam o quanto nos falta vivenciarmos verdadeiramente o modo que elegemos conduzir nossa existência. Neste sentido, ao escutarmos ditados populares como “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”, percebemos o quanto nos falta caminhar enquanto Sociedade para vivermos os Valores que escolhemos.

Quanto a isso, a busca por honrar a memória do Mestre leva os Cavaleiros a sacrificarem tudo que, externamente, lhes davam prestígio: abrem mão de seus ofícios, aprendem novos trabalhos, deixam de lado seus familiares, e, em alguns casos, aparentam estar entregues aos vícios e aos prazeres mundanos. Tudo isso como parte de um plano para resgatar os Valores deixados por seu Mestre. Essa é uma parte interessante e cabe refletirmos pois, em alguns casos, acreditamos que o nosso Valor está no que possuímos. Desse modo, achamos que somos a nossa casa, os nossos bens ou mesmo os nossos títulos e profissões. Esses aspectos externos, portanto, seriam nossa bússola moral. Entretanto, será que tudo isso nos define enquanto Seres Humanos?

Em resumo, a resposta é não. Quando pensamos a respeito dessa questão nos parece claro, mas na Vida prática, no dia a dia, muitas vezes colocamos nossa Identidade nos objetos e elementos externos. Assim, costumamos dizer que “sem o meu trabalho não sou ninguém” ou “não serei eu mesmo, se não estiver em uma boa casa”. Ora, quando pensamos assim, estamos definindo nossos Valores a partir dos objetos e não por nossos Princípios. A grande Força que habita em um Código Moral é o de ser sempre Você, não importa as circunstâncias. Ao termos, por exemplo, dúvidas de como agir ou o que devemos fazer, bastaria uma rápida consulta ao nosso Código de Valores e saberíamos, de maneira objetiva, como devemos atuar.

Por vezes, porém, deixamos de fazer o que elegemos como Princípios, por conta das perdas que tivemos ao longo da Vida. Seja em qualquer campo (profissional, familiar etc) haverá sempre um preço a pagar pela Honra de ser Você mesmo. Esses são os sacrifícios que precisamos fazer para conquistar nossa verdadeira individualidade, ou seja, sermos Seres Autênticos e que não se move em qualquer direção, muito menos deixa de ser quem é para obter vantagens. Devido a essa característica, é comum achar que um Código Moral bem definido faz com que sejamos “passados para trás”. Essa mentalidade, por exemplo, está expressa em acharmos “bobo” um Samurai tirar sua própria Vida ao cometer um ato desonroso. Do mesmo modo, podemos chamar de “besta” ou “inocente” a pessoa que devolveu uma carteira cheia de dinheiro sem tirar nada para si. Estabelecer, portanto, um limite em nossos desejos e não querer “se dar bem” a qualquer preço, para os dias atuais, se apresenta quase como uma ofensa. Porém, são exatamente esses limites que nos fazem criar a Identidade com os nossos Valores e Princípios.

Levando esses aspectos em consideração, os Valores em um Código de Honra devem ser aplicados em nossa Vida. E são esses Princípios que permitem não nos perdermos, ao longo da vida. Assim, mesmo enfrentando as maiores dificuldades que o contexto em que vivemos possam nos impor, teremos sempre a direção na qual queremos seguir. Desse mesmo modo, no filme, Raiden e seus companheiros não permitem que as adversidades os superem, muito menos, eles não deixam que seus Valores sejam manchados. 

Assim, voltemos ao nosso questionamento do início: qual o Valor de uma Vida baseada em Princípios? Sem dúvidas é a Identidade, ou seja, saber exatamente quem é e ter a certeza de que nenhum elemento externo poderá alterar essa realidade. É ser, antes de tudo, um farol que ilumina a Vida ao redor, sendo um exemplo vivo das Virtudes que estabelecemos como nossas bússolas, em meio à ignorância e à escuridão. Ao conseguir viver as Ideias que estabelecemos para a nossa conduta diária, poderemos, ao final de uma longa existência, olharmos para trás e percebermos que, acima de tudo, fomos capazes de ter espalhado mais Bondade, Justiça e Beleza no Mundo. 

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