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Todos nós reconhecemos o valor da Bondade. Seja realizar uma ação de caridade ou mesmo montar uma instituição sem fins lucrativos, todas as ações direcionadas ao Bem afetam positivamente o Ser Humano. Por que isso ocorre? Durante milênios pensadores de todas as partes do mundo buscam entender a mágica relação entre o Ser Humano e o Bem. Filósofos como Platão, por exemplo, tentaram nos apresentar o Bem como a Verdade Suprema, a ideia mais próxima do Divino, e a Humanidade, por reconhecer o valor da Bondade, busca aproximar-se dela. 

Sabemos que essa não é uma ideia simples de compreender, ainda mais no mundo em que vivemos atualmente em que nos parece que tão poucos buscam o Bem e a grande maioria, mesmo que inconscientemente, exercita o mal. Apesar disso, sempre que enxergamos um ato de Bondade algo em nós vibra, nos emociona e revela nossa real inclinação. Ainda acerca da teoria platônica, ele nos fala que o Bem, quando o é de fato, é sempre Belo e Justo, outras duas características que cada um de nós deseja viver. Todos nós desejamos um mundo mais Justo, mais Belo e, consequentemente, Bom. Entretanto, estamos buscando ativamente isso? 

É preciso exercitar o Bem, não apenas desejá-lo. Quando somente desejamos algo é como se esperássemos que o mundo se transformasse sozinho, como num passe de mágica. Colocar-se em marcha se faz fundamental nesse processo e isso significa necessariamente agir. Por tais questões hoje indicamos o filme “Milagre azul”.

vídeo do trailer: https://www.youtube.com/watch?v=DYp_8b73oyk

O longa metragem mexicano produzido pela Netflix, conta a história de Omar, o responsável de um orfanato que passa por uma grave crise financeira. Após um furacão destruir parte das instalações do abrigo para crianças, a situação – que já não era boa – passa a ser desesperadora. Com as contas se acumulando e o risco de serem despejados, Omar inscreve-se em um torneio de pesca para concorrer a um prêmio de 250 mil dólares. Sem experiência alguma na arte da pescaria, ele se alia a um antigo capitão de navio e juntos, com a ajuda das suas crianças e imbuído da missão de salvar o orfanato, partem na aventura de vencer o torneio.

O filme, baseado na história real do orfanato “Casa Hogar”, é um emocionante e inspirador exemplo de como uma ação bondosa e verdadeira conduz quase que magicamente a roda da História. Omar foi uma criança solitária que viveu nas ruas por boa parte de sua vida. Ao crescer, entretanto, decidiu que esse não deveria ser o destino de outras crianças. Sua missão passou a ser então manter o orfanato funcionando e, a medida do possível, educar os jovens que moravam em sua ONG.

O fato do diretor da Casa Hogar ter vivido anos sem um teto o fez inclinar-se para resolver essa situação de maneira ativa. Partindo disso, podemos compreender que a vida, em sua expressão mais ampla, nos traz experiências que acabam por nos conduzir as nossas vocações e nos dá oportunidade de expressar nossas Virtudes. No caso de Omar, ao sentir na pele a dor de uma vida sem lar, ele não permitiu que as crianças ao seu redor precisassem viver essa mesma dor.

A sua motivação não era outra a não ser aplacar esse problema tão comum ao redor do mundo. Refletindo sobre seu modo de agir, na filosofia hindu existe um conceito interessante e que no Ocidente ainda se conhece muito pouco: a reta-ação. Em linhas gerais, a reta-ação pode ser definida como “agir sem pensar na recompensa”, ou seja, agir por dever. Talvez nos dias atuais essa seja uma tarefa árdua, uma vez que praticamente tudo que fazemos está motivado por algum tipo de recompensa. Seja receber um salário ou um elogio, todos nós acabamos tendo um “preço”. Porém, quando conseguimos colocar nossos Valores acima de qualquer situação, é possível agirmos de acordo com esse simples – e nada fácil de aplicar – conceito do hinduísmo.

No caso de Omar, sua atitude frente às adversidades mostra a sua real intenção e o valor dele para com suas crianças. Tal qual um pai que sacrifica-se pelos filhos, o guardião da Casa Hogar precisou enfrentar seus traumas com o mar para garantir uma chance de sobrevivência do orfanato. Mas e quanto a nós? Será que há algo tão valioso e inestimável em nossas vidas pela qual arriscariamos tudo? 

Um grande filósofo uma vez disse que o importante não é saber muitas coisas, mas viver algumas. Talvez essa seja uma chave que nos falta para compreender mais intensamente o que é o Bem e o seu Valor. Costumamos considerar muito, fazer cálculos e projeções para saber se “vale a pena” agir por Princípios ou não. A bem da verdade, na maior parte do tempo nem mesmo os nossos Valores consideramos, uma vez que não os definimos claramente. Desse modo, não sabemos pelo que nos movemos e muito menos de que maneira agir frente aos desafios que a vida nos dá. Por não definirmos pelo que pretendemos viver acabamos, por fim, não vivendo de fato. Diferentemente do diretor da Casa Hogar, passamos uma existência apenas apreciando e torcendo por atos de Bondade, mas pouco fazendo em nome do Bem. 

O primeiro passo para caminharmos em direção ao Bem é definirmos pelo que queremos viver. Seja fazer bem a uma pessoa ou a toda a humanidade, a meta é uma escolha pessoal e deve ser feita sem segundas intenções. O Bem, de maneira essencial e verdadeira, só pode ser vivido quando nosso único desejo é realizar o ato de Bondade em si. Se, por exemplo, fazemos uma ação de caridade pensando apenas no quão “bom” somos, isso não é em essência a Bondade. Ser bom implica, necessariamente, considerar apenas o outro, sem nenhum tipo de egoísmo ou recompensa. Por isso que, desse ponto de vista, o conceito de Platão e a reta-ação do hinduísmo são a mesma ideia, mas com formas distintas.

Desse modo, o segundo – e mais difícil – passo para agirmos de acordo com o Bem é não pensarmos em nós, ou seja, não desejarmos ser reconhecidos, aplaudidos ou tidos como boas pessoas. O Bem, por si só, será a recompensa justa para a nossa Alma Humana. Utilizando o filme como exemplo, Omar não desejava sucesso, status ou recompensas materiais, pois bastava para ele realizar a sua missão de vida. 

Por essa inspiradora história, recomendamos o filme “Milagre Azul” para que possamos alimentar nossa Alma de Bondade, a partir de exemplos de homens e mulheres reais. 

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