Lançado em maio de 2018, o curta-metragem de animação “Polaris”, do diretor Hikari Toriumi, nos faz refletir sobre a importância da valorização dos laços emocionais em nossas relações familiares. O curta nos lembra que é doloroso, porém natural – e até mesmo cultural – que os jovens tenham o seu ritual de passagem para uma vida adulta e independente. Na maioria dos casos, esse ritual implica na necessidade de sairmos do conforto da casa dos nossos pais, em algum momento de nossas vidas, pois, na verdade, todos nós queremos nos aventurar, voar com as nossas próprias asas e conquistar o nosso próprio espaço no mundo. Mas, isso não é tão simples para quem está saindo de casa e menos ainda para quem fica.

Por melhor que tenha sido o trabalho feito pelos pais na educação dos seus filhos, estes sempre continuarão sendo os seus “filhinhos”. E se você é pai ou mãe, sabe que não se trata de uma questão de falta de confiança nos seus rebentos, ou na educação que você ofereceu a eles. A sua preocupação sempre estará ligada àquela pergunta que jamais calará: “O que será que aquele(a) menino(a) anda fazendo por aí a essas horas?” Não é mesmo?

Quem passou a vida se dedicando ao desenvolvimento de alguém, sempre estará preocupado e querendo, de alguma maneira, saber se ele ou ela está realmente bem. Uma das melhores garantias para que não esqueçam dos ensinamentos que receberam de você, e principalmente dos seus valores e suas raízes, são os Símbolos que eles aprenderam e que os representam.

Mas o que são os Símbolos e para que servem? 

Nos dicionários, encontramos a seguinte definição: “Símbolo é tudo aquilo que por convenção ou por princípio de analogia, forma ou, de outra natureza, substitui ou sugere algo. O que se torna representativo de determinado comportamento ou atividade”.

Em muitas culturas, é bastante natural a utilização de utensílios que servem para nos lembrar, através de um pequeno objeto, por exemplo, de uma ideia muito maior e muito mais profunda, que está contida e representada por aqueles simples artefatos. É bem comum vermos pessoas de diferentes religiões, culturas ou etnias, carregarem consigo medalhas, escapulários, relíquias, cristais, patuás, entre tantas outras coisas. 

Quase todos nós temos junto aos nossos  pertences, uma fotografia dos nossos pais, filhos, parentes ou amigos. Esse costume tem, na verdade, a intenção de não deixar o portador desses objetos esquecer seus verdadeiros significados, ou seja, a importância que existe no que ali está representado. 

Isto é um Símbolo: uma ideia contida e representada de uma maneira simples, por algum conto, dito popular, uma parábola, um objeto ou até mesmo um conto de fadas. É algo que não vai nos deixar esquecer que naquelas palavras ou naqueles amuletos estão contidos costumes, sentimentos e ensinamentos, muitas vezes, milenares. Os Símbolos explicam o que, em geral, chamamos de moral da história.

Agora que já temos uma pequena ideia do que é e para que serve o Símbolo, fica bem mais fácil de entender o que se passou com a personagem da nossa história. Ao tentar se aventurar em seu “voo solo”, o urso do nosso curta metragem “Polaris” não poderia chegar a lugar algum sem antes ter a plena consciência de qual era o verdadeiro lugar ao qual ele pertencia. 

Os objetos que, a princípio, pareciam ser um excesso de bagagem para ele, na verdade, traziam à tona suas lembranças e referências, através de representações materializadas de suas vivências e até mesmo de seus próprios sentimentos. Como vimos no caso do nosso amiguinho, são esses sentimentos que nos mantêm conectados com a nossa essência. Não há riqueza maior do que sabermos quem somos, de onde viemos e para onde temos que ir. Essa conexão imaterial tem um valor incalculável pois é ela que nos norteia e nos dá identidade. 

Essa é a verdadeira importância de um Símbolo, não nos deixar esquecer que os valores inestimáveis e os profundos ensinamentos não podem ser esquecidos ou negligenciados. Valores como, por exemplo, o respeito que devemos ter pelos nossos antepassados, a gratidão que a eles devemos, ou o que devemos evitar para termos uma vida próspera e tranquila. Tudo isso pode estar implícito nas informações que os Símbolos nos trazem. Eles são muito relevantes para a formação do nosso caráter, e, geralmente, estão contidos em alegorias que não nos deixam esquecer quem somos. 

Os Símbolos nos explicam, de uma maneira simples, lúdica e até divertida, coisas que a nossa mente, em sua complexidade, muitas vezes não consegue alcançar de imediato. Na próxima vez em que estiver apreciando aquela foto de alguém de quem tanto gosta, e através dela esteja tentando matar um pouco a saudade; ou quando estiver meditando diante da imagem de um santo de sua devoção; ou, ainda, quando estiver se perfumando com sua fragrância preferida, saiba: você estará ativando sua memória afetiva através de um Símbolo. Com isso, você está fortalecendo ainda mais sua identidade e se empoderando através das mensagens que aquele Símbolo não te deixa esquecer. 

Agora que você sabe que deve valorizar ainda mais as histórias contadas pela vovó, as lembrancinhas que ganhou em diversas situações e que não tem coragem de se desfazer por trazerem boas memórias, você saberá que, na verdade, estará diante de um Símbolo. Faça bom uso do que ele representa. Aproveite os seus ensinamentos para se tornar uma pessoa ainda melhor a cada dia e a cada Símbolo.

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