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O ser humano é, por natureza, um ser cooperativo. Sabemos que isso pode parecer uma falácia, uma vez que no mundo atual observamos que o que menos tem existido é cooperação entre nós, porém, mesmo vivendo sob o véu de um mundo artificial, ainda podemos encontrar essa característica inata em nós. Pare para pensar: você conseguiria viver sozinho no mundo? É muito provável que não, pois toda a cadeia de produção e de trabalhos do nosso sistema atual formam uma engrenagem inteligente que nos ajuda a viver de forma confortável, mas com a intrínseca necessidade de ajudar uns aos outros. Isso não é, entretanto, uma mágica do mundo moderno, mas sim uma busca humana que ocorre desde que o homo sapiens existe. Somos seres sociais, e para sobrevivermos nos organizamos em grupos, famílias, clãs etc. 

Apesar de percebermos essa característica fundamental em cada ser humano, por que têm se tornado tão difícil viver de forma cooperativa? Ao invés de nutrirmos esse sentimento de ajuda mútua, o senso comum nos coloca em uma mentalidade competitiva em que há vencedores e perdedores. Assim, à medida que avançamos na vida, começamos a enxergar nossa existência como um verdadeiro campo de batalha em que é preciso vencer a qualquer preço aquele que está ao seu lado. 

A competição também é um processo natural, visto de maneira ampla no mundo animal. Os animais competem por se estabelecer no topo da cadeia alimentar, por dominar um habitat e garantir sua sobrevivência. Por essas características, podemos enxergar a competição como uma ferramenta do instinto, que busca a autopreservação e autoaceitação. Entender a competição como uma forma de expressão dos nossos instintos nos faz entender como ela pode ser tão forte e presente em nossas vidas. Quase sem querer acabamos competindo uns com os outros. Na infância, queremos saber quem é o mais alto, o mais rápido, o mais forte; na vida adulta, queremos saber quem recebe os melhores salários, os que têm mais bens materiais e os que possuem mais status. Assim, mesmo adultos, repetimos padrões infantis e vivemos uma vida baseada em movimentos de nossa parte mais instintiva, tal qual os animais que brigam por seus territórios.

Visto isso, hoje recomendamos um curta-metragem que nos fala de forma didática sobre os perigos da mentalidade competitiva quando levada ao seu extremo. A animação Spellbound, produzida em 2016, conta com três minutos de duração e, além de super criativa, traz uma mensagem profunda sobre como combater as emoções que estão diretamente ligadas à competição. Além disso, o curta nos mostra como as nossas emoções expressas através das palavras, escritas ou faladas podem se materializar em medos, angústias e transtornos e como é possível refazer as palavras e vencer os monstros que surgiram delas.

O curta gira em torno de duas garotinhas, Rene e Sunny. Amigas, mas com um problema: Sunny é daquelas que está sempre em primeiro lugar em tudo, cheia de troféus e medalhas de honra, enquanto que Rene nunca ganha nenhuma competição; o máximo que consegue levar é uma medalhinha com uma mensagem: você tentou. Isso, naturalmente, na psique infantil de Rene, vai provocando uma espécie de ciúme, e esse ciúme, essa espécie de inveja, vai crescendo e chega um momento em que se expressa em palavras, levando Rene a escrever em seu diário a expressão “eu odeio Sunny”. Daí para frente, é importante você assistir o curta e depois acompanhar nossos comentários.

A animação consegue ilustrar em imagens um fenômeno que ocorre com a gente o tempo todo: a somatização ou a materialização das emoções. As palavras de ódio se transformam em monstros que saltam do diário e começam a atormentar a vida de Rene. Em geral, quando somos atormentados por angústias, medos, ansiedade etc., esses males são decorrentes de uma desordem em nossas emoções. E essas dores não são injustas. São, na verdade, um mecanismo da Vida para nos convocar a um redirecionamento. Por isso, todas as vezes que surgirem dores psíquicas, devemos nos perguntar: o que eu tenho que mudar em mim? Que posturas minhas desencadearam essas dores? É claro que muitas vezes é preciso recorrer aos profissionais da área, como psicólogos, psiquiatras etc. Mas o princípio é: quando ordenamos as emoções, essas dores desaparecem.

As tradições antigas, como a tibetana, a hindu e a egípcia, costumavam falar do psiquismo, que nada mais é do que o funcionamento e movimento da nossa psique, como um fluxo em que o ponto de partida é o plano mental, depois o plano das emoções, depois o plano energético e, por fim, o plano físico. De modo que um comportamento físico geralmente tem sua inicialização no plano mental, onde se formaram os pensamentos, conjecturas, hipóteses e suposições. Do mental, migra-se para o poço das emoções e se manifesta em algum fenômeno afetivo: emoções, paixões ou sentimentos, mas não fica só aí. Às vezes temos a impressão de que podemos sentir todo tipo de emoção sem nenhum prejuízo, porque é algo interno e ninguém vai saber, mas a questão é que o fluxo continua. Os fenômenos afetivos precipitam-se para o plano energético, de modo que nosso ânimo, nosso entusiasmo, nossa disposição energética para o enfrentamento da Vida é uma expressão do que acontece no plano das emoções. E, quando essas nossas condições energéticas estão sendo afetadas pelo fluxo, é porque está a um passo do fenômeno virar fato concreto, pois a próxima precipitação é o plano físico. Este é o fluxo: pensar, sentir e agir.

Podemos perceber de forma muito didática como esses três planos que compõem o ser humano estão interligados. Quando, por exemplo, alguém nos fere com palavras duras ou nos deixa extremamente irritados, o que ocorre no nosso corpo? A raiva e a tristeza afloram e mesmo sem poderem ser vistas ou tocadas, elas são refletidas em nossas ações através de lágrimas, de gritos e expressões corporais que demonstram essas emoções. Perceba que o campo emocional não pode ser tocado ou visto, mas não temos dúvida que ele existe, pois seus reflexos no nosso organismo são visíveis. Do mesmo modo, um pensamento também pode ser “manifestado” em nossas ações e palavras. Quando possuímos o hábito de criticar uma pessoa, por exemplo, começamos a fazê-lo em nossa mente e, naturalmente, esse pensamento vai se manifestando em nossa postura, nossa forma de falar com o outro etc.

Spellbound ilustra esse fluxo. Rene olha os troféus de Sunny e começa a conjecturar algo do tipo: “Que droga! Ela sempre é melhor… Sempre está à frente de tudo e eu nunca ganho nada…”. Em seguida, sente isso profundamente. Logo a conjectura se precipita para o plano das emoções, o próximo passo é a iniciativa enérgica de expressar no plano físico, de manifestação desse fenômeno afetivo. No caso de Rene, ela faz isso no diário, traduzindo todo o seu ódio em uma expressão manuscrita: “I hate Sunny”. Ou seja, algo sutil, abstrato, salta dos planos invisíveis e começa a ganhar Vida. A animação foi muito feliz ao traduzir isso nas imagens dos monstrinhos, em que as palavras se transformam, depois esses monstrinhos se unificam em um monstro único, gigantesco, que atormenta Rene com medos, ansiedade etc. Por vezes, carregamos na Vida muitos desses monstros. É daí que vem nossas crises de angústias, ansiedades etc.

Quando isso acontece, o que fazer? O roteiro do curta nos aponta um caminho muito eficaz: Rene pega o próprio diário e começa a substituir as palavras. O ódio é sobreposto com a palavra Amor e, quando ela faz isso no papel, no plano físico o monstro vai sendo destruído. Isso sugere que, para resolvermos nossas dores no plano físico, precisamos alterar algo lá no sutil. Precisamos virar uma chave dentro de nós. Se temos um sentimento negativo por alguém, e isso está nos trazendo dores, uma solução é girar essa chave em relação àquela pessoa, buscar entendê-la, tentar integrá-la dentro de nós, desenvolvendo um afeto que não tínhamos antes. Se conseguimos fazer isso com sinceridade, naturalmente a nossa relação muda com a pessoa, mesmo que ela nem saiba o que se passou dentro de nós. É mágico assim mesmo! 

O nosso psiquismo é regido por leis invisíveis, muitas das quais ainda desconhecidas pela ciência. Por isso precisamos olhar para as grandes tradições da Humanidade e segui-las. O conselho de Jesus, por exemplo, na tradição cristã, diz que devemos Amar ao próximo como amamos a nós mesmos, e isso é um grande remédio para a Alma. Não tem nada mais curativo para a mente, para o plano das emoções, para as nossas energias e até para o corpo, do que o exercício sincero e profundo do Amor. Precisamos Amar mais os outros, sem interesses. Amar, porque esse é o nosso papel de Seres Humanos. Amar, porque amando harmonizamos nossos planos sutis. E se esses planos se harmonizam com o Amor, é porque o Amor é uma Lei Invisível que os rege. 

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