Segundo a tradição grega, na entrada do templo de Delfos, estava escrita a seguinte frase: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e o Universo”. Uma frase “simples” de ler, porém com ensinamentos profundos e que ainda seguem como um Mistério para a Humanidade. Não por acaso, Sócrates, um dos principais filósofos da História, afirmou que a única coisa que sabia era o fato de não saber nada, demonstrando que a Sabedoria – no sentido do saber – era um desafio à altura dos Seres Humanos, mas que não é algo fácil de ser alcançado.

De maneira geral, acreditamos conhecer muitas coisas. Atualmente, em um mundo que estamos conectados a tudo e podemos consultar praticamente qualquer informação através da internet, parece contraditório acreditar que, de fato, não sabemos de nada. Apesar de estarmos transbordando de informações, falta-nos ainda a Sabedoria, ou seja, o entendimento de como nos encaixamos no Universo e como operam as Leis da Natureza. Aqui não falamos de um saber técnico, muito menos de achar soluções para problemas, mas sim de compreender o que existe por trás de cada Ser da Natureza, incluindo nós mesmos.

Se pararmos para refletir, por exemplo, sobre as nossas motivações diárias e a razão pela qual agimos em determinados contextos poderemos perceber que nem sempre compreendemos a raiz dos nossos comportamentos. Colocando em exemplos, o que leva uma pessoa a trocar de celular a cada 6 meses? Ou a fazer compras quando se sente triste? Há outras dezenas de exemplos que poderíamos citar, mas eles não são necessários. 

Podemos inferir diversas respostas a essas perguntas, porém, na maioria dos casos, agimos por condicionamento e principalmente de maneira inconsciente. Somos conduzidos a partir de símbolos, ideias e comportamentos, e reagimos de maneira programada a certas situações. É o caso de querermos fazer compras para ficarmos “alegres”. Quem nunca assistiu a um filme que mostra uma pessoa saindo de um relacionamento e indo, em seguida, ao shopping para “curar” a dor? Ou tomando um sorvete assistindo a um filme ou mesmo embriagando-se para ficar anestesiado? Essas são atitudes clichês mas que, provavelmente, cada um de nós já fez, mesmo sem saber a razão. Isso, infelizmente, não ocorre apenas nesses casos, mas cotidianamente somos bombardeados com ideias e respostas para as mais diferentes situações. Acabamos, por consequência, tomando as atitudes que nos disseram para tomar, por assim dizer, mas que não é, de fato, como gostaríamos de agir, muito menos a melhor forma de resolver algumas questões.

Aprofundando nesses casos e considerando que grande parte das nossas ações se dão por condicionamento social, é importante entendermos sobre o que chamamos de consciência e inconsciência. Normalmente usamos essas duas palavras relacionadas diretamente com nossas decisões. Quando agimos sem pensar dizemos, em geral, que tivemos uma atitude “inconsciente”. Do mesmo modo, ao desmaiarmos ou cairmos no sono dizemos que entramos em um estado de inconsciência, ou seja, em que não sabemos o que estamos fazendo. 

Por outro lado, chamamos de consciência esse estado de vigilância em que estamos atentos e pensando sobre nossas atitudes. Partindo dessas duas ideias, é possível agirmos de maneira inconsciente, mesmo estando acordados e lúcidos? A grosso modo, podemos dizer que sim. Em diversas situações ligamos o “piloto automático” e agimos sem considerar o que, de fato, estamos realizando. Dirigir é um dos momentos em que isso mais acontece. Quando adquirimos experiência suficiente a frente do volante já não pensamos muito sobre os procedimentos para fazer o carro nos levar aonde queremos. Tudo parece funcionar em sincronia, tanto que ocupamos nossa atenção e consciência em outros quesitos, como o trânsito, os pedestres e demais elementos que encontramos nas vias da cidade.

Desse modo, por mais que estejamos acordados, ou seja, conscientes, agimos sem pensar muito, de maneira mecânica. Entretanto, o mundo do inconsciente não se restringe apenas a essa ideia. No campo da psicologia, as ideias de consciente e inconsciente se aprofundam e nos levam a novas reflexões sobre o comportamento humano.

Em linhas gerais, quem primeiro definiu tais idéias foi o psicanalista Sigmund Freud. Para ele, o inconsciente funcionava como uma espécie de proteção à nossa psique, colocando todos os eventos traumáticos e impactantes, principalmente os ocorridos em nossa infância, em uma zona longe da nossa memória. Assim, não lembraríamos desses fatos, apesar deles continuarem armazenados em nossa psique. Alguns traços do nosso inconsciente, porém, seriam revelados através de sonhos e algumas técnicas como a hipnose. Desse modo, o inconsciente não é apenas um local em que “nada acontece”, mas que, na verdade, está sempre em movimento e, em muitos casos, acabam interferindo sobre o nosso comportamento.

Quando sofremos algum trauma, por exemplo, não sabemos, anos depois do ocorrido, o porquê de termos medo ou ficarmos “travados” frente a uma situação que, de modo geral, não deveria inspirar perigo. Nessa mesma situação estão as fobias e diversas condições psicológicas que atuam sobre nós. O que ocorre, em síntese, é que esses elementos que estão em nosso inconsciente se manifestam em nós quando se deparam com uma situação parecida com a que gerou o trauma. Por isso que um cheiro, uma sensação ou mesmo pensar em determinado objeto/situação pode desencadear uma crise psicológica, mesmo que não saibamos suas causas.

Frente a isso, um antigo ditado diz que “não importa quantas vezes você varre a poeira para debaixo do tapete, a casa continua suja”. Nosso inconsciente absorve esses elementos para evitar danos maiores em nossa condição psicológica, porém, eles precisam ser resolvidos, não apenas guardados. É preciso, aos poucos e com paciência, ir limpando os traumas e eventos do passado, colocando-os, um de cada vez, sob a luz da consciência e ir sintetizando-os, ou seja, retirando o aprendizado do ocorrido. Essa não é uma tarefa simples e em alguns casos é fundamental a presença de um profissional, mas ainda assim é necessário realizar esse avanço para descobrir mais sobre a nossa mente.

Desta forma, parece-nos que a frase de Sócrates mantém-se correta se considerarmos que, na grande maioria dos casos, somos ignorantes de nós mesmos, uma vez que não conhecemos quase nada sobre nós. Se não sabemos manejar nossa psique, lidar com os traumas que nos ocorrem e somos, na maior parte do tempo, condicionados por elementos externos (propagandas, mídias, pessoas, etc), como podemos afirmar que conhecemos algo? Nossa vida é, em maior ou menor grau, conduzida a partir de elementos que não são da nossa escolha e, portanto, apenas aceitamos e seguimos o senso comum. 

Nos tempos atuais, é perceptível e cada vez mais impactante o modo como somos levados por esses condicionamentos. Assim, podemos considerar que a frase estampada no Templo de Delfos, 2.500 depois, continua a fazer sentido, mas igualmente indecifrável. Enquanto não conhecermos a nós mesmos, ou seja, enquanto não estivermos verdadeiramente conscientes de nossas ações e não compreendermos o que nos motiva diariamente, pouco saberemos sobre as Leis do Universo e sobre os Deuses. 

Por fim, devemos lembrar que a autoconsciência, ou seja, o fato de sabermos o que se passa conosco, é uma característica própria do Ser Humano. Só nós sabemos que nada sabemos, como disse Sócrates. Igualmente, só nós podemos saber como solucionar os mais variados problemas no mundo e no Universo, porém, nada disso será possível se antes não conseguirmos solucionar o mais Misterioso e complexo quebra-cabeça do mundo: Nós mesmos. Eis a nossa Missão!

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