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O Ser Humano é o único ser vivo no Universo que busca conscientemente por respostas. Nossa capacidade mental, a partir da razão, nos possibilitou descobrir os mais variados Mistérios do Universo. Além disso, nosso raciocínio apurado foi responsável por desenvolvermos tecnologias e ferramentas que facilitam nossa vida cotidiana. Somos fruto, portanto, de uma longa cadeia de aprendizado em que cada geração desenvolve e avança um pouco mais nas descobertas acerca da Vida, do Universo e dos seus mecanismos.

Entretanto, o que sabemos ainda é muito pouco comparado ao que falta descobrir. Um cientista famoso uma vez disse que “o que sabemos é uma gota, o que desconhecemos é um oceano”. Quando olhamos para os Mistérios do Universo, suas grandezas e incompreensões, de fato comprovamos que ainda há muito para se descobrir e que a nossa razão, por mais bem utilizada, talvez não seja capaz de desvendar todos esses Mistérios.

Apesar das nossas limitações, continuamos avançando nas mais diferentes áreas da ciência. Alguns desses avanços, porém, levam séculos até serem finalmente concluídos. Um exemplo desses casos é o último Teorema de Fermat, no qual somente após três séculos um matemático conseguiu solucionar. Mas quem foi Fermat e porquê seu teorema ficou tão famoso? 

Pierre Fermat nasceu em 1601, na França, e ficou conhecido por ser um amante da matemática. Apesar de nunca ter exercido a profissão de matemático, seu fascínio pelos números tomava boa parte das suas horas de lazer. Fermat costumeiramente gostava de desafiar outros profissionais da matemática com problemas e equações, o que ajudava-os a desenvolver novas teorias em diferentes áreas e aplicações. Porém, a principal contribuição de Fermat está no seu último teorema, encontrado após sua morte em uma anotação nas margens de um livro.

O último Teorema de Fermat, como ficou conhecido, dizia o seguinte: “Não existe nenhum conjunto de inteiros positivos x,y,z e n em que n seja maior que 2 e satisfaça a equação:”

Traduzindo o teorema, o que Femat propunha é que o teorema de pitágoras, conhecido como X² + Y² = Z², não funcionaria quando a sua potência fosse maior do que 2, ou seja, a equação não teria solução. Segundo o próprio Fermat, ele teria chegado a uma demonstração de que seu teorema era correto, porém, as margens onde escrevia eram demasiadamente curtas. Infelizmente o amante da matemática morreu sem mostrar sua demonstração, o que tornou seu teorema um último desafio para todos os matemáticos da época.

Apesar dos esforços, durante séculos poucos matemáticos obtiveram sucesso em tentar desvendar um pouco desse teorema. Por exemplo, no século XVIII, mais de cem anos após a morte de Fermat, o matemático Leonhard Euler conseguiu provar que o teorema era verdadeiro quando “n” fosse três. Porém, ainda precisaria de mais comprovações para saber se com outros expoentes maiores o teorema continuaria válido.

Durante os séculos que se seguiram, o misterioso Teorema de Fermat continuou desafiando matemáticos de todo o mundo. Uma história curiosa é a do empresário e matemático alemão Paul Wolfskehl: em 1906, após alguns revés em sua vida, Wolfskehl decidiu suicidar-se, porém, ao deparar-se com o Teorema de Fermat ele mudou de ideia. Além disso, ofereceu um prêmio de 100 mil marcos para quem fosse capaz de fazer a demonstração do teorema. Naquele contexto isso não foi possível, porém um dia o teorema seria colocado à prova. 

Isso ocorreu nos anos 1990, quando o matemático britânico Andrew Wiles conseguiu demonstrar o teorema. O hoje professor da Universidade de Princeton dedicou-se em segredo por 7 anos para desenvolver sua demonstração. Desde pequeno, conta o matemático, ele sonhava com o último Teorema de Fermat. O fato desse ser um teorema sem demonstração por tantos séculos o admirava. Após formar-se e se tornar um matemático conhecido na área acadêmica, Wiles buscou incessantemente resolver o problema até então sem solução.

Somente em 1993 Wiles revelou ao mundo sua demonstração. Apesar de muito bem elaborada, meses depois outros matemáticos, analisando os cálculos do professor de Princeton, notaram que havia um pequeno erro na sua proposição. Incansável, Andrew Wiles voltou aos seus estudos por mais um ano e junto com Richard Taylor conseguiu resolver o problema. Assim, O último Teorema de Fermat, escrito nas margens de um livro, fora finalmente demonstrado.

Esse feito proporcionou a Wiles o prêmio Nobel de matemática de 1995 e garantiu seu nome na História da matemática. Essa história, porém, está muito além de uma solução para um problema matemático. A dedicação de Wiles é um ótimo exemplo de como o Ser Humano, uma vez empenhado e com os meios adequados, pode desenvolver sua capacidade e descobrir os Mistérios do Universo. 

É um pensamento comum achar que grandes descobertas só podem ser feitas por gênios. Achamos que existe um “talento natural” para quem desenvolve grandes teorias e elaboram teses sobre as mais diferentes áreas do conhecimento. Porém, damos pouco crédito ao esforço e disciplina desses homens e mulheres que mudaram a história da Humanidade. Acreditamos que suas ideias revolucionárias foram fruto apenas de um acaso ou intuição, quando, em verdade, muito do que foi desenvolvido é fruto de décadas de empenho e esforço.

Além disso, a descoberta de grandes cientistas só foi possível graças ao desenvolvimento de outras ideias. A ciência, assim como toda razão humana, é resultado de gerações de avanços até que se possa criar, a partir dessa base estabelecida por outras pessoas, uma nova teoria que explique algo ao nosso redor. Como disse o próprio Isaac Newton: “se fui capaz de enxergar mais longe, é porque me apoiei nos ombros de gigantes.”

O próprio Andrew Wiles, quando entrevistado sobre sua demonstração, disse que ela só foi possível graças a teorias de outros matemáticos. Essas teorias, desenvolvidas ao longo de séculos, permitiram que a demonstração fosse realizada. Logo, a resolução do misterioso Teorema de Fermat seria impossível antes do século XX. 

Portanto, a sede de conhecimento de Wiles e sua determinação, aliadas a uma teoria matemática bem consolidada, permitiram que ele entrasse para a história como o homem que demonstrou o último Teorema de Fermat. Acima disso, o professor de Princeton é um excelente exemplo de como o Ser Humano, empenhado em investigar as Leis da Natureza e seus Mistérios, é capaz de solucionar problemas que outrora foram impossíveis de serem demonstrados. Seja uma questão matemática ou de qualquer outra natureza, somos capazes, quando bem utilizada a razão, de alcançar os Mistérios mais velados do Universo. Logo, que tenhamos a determinação e audácia de alçar sonhos tão grandiosos como os de Wiles e que possamos resolver os Mistérios cotidianos que nos cercam.

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