“Amor Fati” e o Poder do Amor são conceitos que transcendem o Tempo e a Cultura. O Amor é a Força mais poderosa da Natureza, capaz de levar os Pais a sacrificarem suas vidas pelos Filhos, assim como é por ele que podemos alcançar as mais Sublimes Virtudes Humanas.
Não por acaso, os Grandes Mestres de Sabedoria falaram incansavelmente sobre essa qualidade Humana. Nas Religiões, a palavra Amor aparece milhares de vezes em Livros Sagrados, e todos aqueles que tentaram se religar com o Divino apontam o Amor como uma ferramenta essencial para alcançar esse patamar transcendente.
Entretanto, apesar de muito comentado e ser um dos assuntos mais buscados em nossa sociedade, estamos relativamente longe de sentir o Amor Genuíno por outras pessoas. Às vezes, não amamos nem a nós mesmos, uma vez que tomamos atitudes que atentam contra nossa própria saúde física, psicológica e Espiritual. Mas, será que isso ocorre por não nos amarmos de verdade ou apenas por não sabermos o que de fato é o Amor?
Pensando nisso, hoje trazemos uma reflexão sobre o que os Antigos Estoicos chamavam de “Amor Fati“, ou simplesmente “Amor ao Destino”. Antes de falarmos sobre esse tema, porém, é fundamental compreendermos um pouco sobre o que é, de fato, o Amor. Talvez por ser um dos tópicos mais falados no mundo atual algumas Ideias sobre o Amor estejam distorcidas e até mesmo com os Valores invertidos. Basta fazermos um pequeno exercício de reflexão: quando se fala em Amor nos dias atuais, o que pensamos?
Algumas imagens comuns são de uma ação desmedida por outra pessoa, em que quem ama sofre, se desespera e quase não consegue viver sem a pessoa amada, correto? Não precisamos ir longe para reconhecer esses elementos, pois estão massivamente inseridos em músicas, séries, filmes e nas conversas cotidianas que temos com outras pessoas. Quem de nós, afinal, nunca “sofreu” por Amor? A questão que levantamos é a seguinte: isso realmente é Amor?
Queremos deixar claro que não. O Amor, assim como diversos outros conceitos nos dias atuais, está banalizado ao ponto de suas distorções serem vistas como a imagem fiel do que de fato essa Virtude é.
Assim, o que estamos chamando de “Amor” nos dias atuais é, em verdade, paixão. A paixão é fruto do tempo e, por isso, sofre com suas variações. Se hoje você ama a pessoa que está ao seu lado e amanhã já não gosta mais dela, então não podemos falar de Amor e sim de paixão. Basta pensarmos no Amor que os Pais sentem por um Filho: ele muda ou acaba? É fato que isso não ocorre; e mesmo com todas as dificuldades, um Pai jamais deixa de amar o seu Filho, não importa o que ele faça.
Portanto, precisamos partir desse princípio básico de que o Amor é Imutável e Atemporal. Não tem um fim e não diminui. É fato que as pessoas podem nos decepcionar, nos entristecer e nos fazer mal, no entanto, tais ações não são capazes de diminuir o Amor em Essência. Podemos citar como exemplo o próprio Jesus Cristo, que mesmo em seu leito de morte continuou amando seus algozes e suplicou ao seu Pai, Deus, para perdoar aqueles que cometeram tamanho pecado. Essa imagem é, em síntese, como podemos definir o Amor.
Tomando isso como base, o que podemos chamar de “Amor Fati“, tão aclamado pelos Filósofos Estoicos? Como podemos Amar o Destino?
Em geral, não costumamos pensar sobre isso, pois quando pensamos em “Destino” achamos esse um conceito confuso e que, normalmente, ele não existe. Afinal, como poderia existir um Destino se nós escolhemos a todo momento o que queremos viver? É preciso entender, portanto, o que os Estoicos apontavam como sendo o “Destino”.
Resumidamente podemos falar que “Destino” ou “Fado” para os Antigos Estoicos Romanos como Sêneca, Epicteto e Marco Aurélio, nada mais é do que “tudo que foge ao controle de nossas ações”. Não podemos, por exemplo, dizer se irá chover ou fazer Sol amanhã, correto? Também não cabe a nós escolher em qual Família ou cidade iremos nascer. Esses são elementos que o Destino trouxe e que não podem ser alterados.
Para esses Filósofos, porém, todo Destino traz uma necessidade de experiência, um ensinamento que precisamos aprender para seguirmos evoluindo. Assim, não existe acaso e nem muito menos algo que acontece ao Ser Humano que não seja próprio dele, pois tudo que está ao nosso redor tem como objetivo nos gerar um ponto de Consciência para evoluirmos.
Se tudo que nos acontece conspira para a nossa própria Evolução, o Destino e as experiências que passamos são uma forma de a Vida (entendamos “Vida” como a Inteligência da Natureza Cósmica), em seu aspecto mais Sublime, demonstrar o Amor que sente por nós, pois o melhor que podemos desejar para quem amamos é que ela cresça e se desenvolva, que evolua e seja o que nasceu para ser.
Mais uma vez voltamos ao exemplo dos Pais e Filhos. O que um Pai deseja ao Filho? Que ele evolua e seja aquilo que o realiza. Em resumo, chamamos isso de “Felicidade”. Infelizmente, associamos essa Ideia no mundo atual com atributos externos como “ganhar dinheiro” ou possuir bens materiais, mas em seu aspecto mais profundo o verdadeiro Amor deve nos levar (ou pelo menos se esforça) à Evolução.
Amar o Destino, portanto, é uma atitude de reconhecer que a Vida não desiste de nós; de saber que as dificuldades que enfrentamos são próprias do Ser Humano e que cabe a nós superá-las, aprender com essas experiências para poder galgar um novo patamar de Consciência acerca do mundo, de nós mesmos e da Finalidade Cósmica em que cada Ser Humano está inserido. O “Amor Fati” é, portanto, a capacidade de compreender que tudo na Vida tem um propósito e que, no fim, todas as experiências devem nos levar a um novo grau evolutivo.
Quando pensamos nessa Ideia para o mundo atual não conseguimos encontrá-la facilmente. Em verdade, hoje não acreditamos em Destino e sim em probabilidades. Colocamos na esfera da “sorte” ou “azar” aquilo que nos acontece e quando algo vai mal dizemos “sou um azarado!”. Quando nos acontece algo de Bom, entretanto, abrimos um largo sorriso e falamos “hoje estou com sorte!”. Desse modo, pendulando entre esses dois extremos, esquecemos que entre sorte e azar há uma necessidade de aprendizado que caso não se realize, voltará a se repetir. A Vida, portanto, muda os cenários, mudam os atores, mas o sentido da grande peça que chamamos de “Existência” segue sendo o mesmo.
Agora pensemos em como podemos aplicar o “Amor Fati” em nossas vidas. O primeiro passo é compreender que na Natureza não existem vítimas e algozes, ou pessoas com sorte e outras com azar. Cada Ser vive a experiência que lhe cabe para evoluir, logo devemos sempre nos perguntar: o que a Vida está querendo nos ensinar?
Por muitas vezes, vivemos experiências difíceis, realmente traumáticas, e isso pode nos fechar ao ponto de não observarmos esse outro ponto de vista. Fechamo-nos em nossa dor e acabamos não enxergando essa possibilidade. Sem dúvida, há momentos em que não conseguimos ter uma Visão clara sobre esse aspecto, mas não podemos duvidar de que a Vida sempre conspira a nosso favor. Cabe a nós nos esforçarmos para ver o que podemos aprender ao longo das nossas experiências.
Por fim, o “Amor Fati” não é uma aceitação passiva do que nos ocorre. Pelo contrário, exige de nós uma postura ativa para encontrarmos as causas e aprender com elas. Não se trata de ficarmos reclamando do que nos ocorre, mas sim compreender as causas que nos levaram a viver tais experiências.
Se assumirmos esse tipo de Amor para nossas vidas, poderemos notar que a todo momento podemos aprender e evoluir. Com esse novo olhar acerca das nossas experiências, podemos perceber que a Vida é um campo fértil para fazer nascer a mais Bela semente do Universo: um Ser Humano consciente de sua Finalidade Cósmica.
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