5 filósofos para usar na redação do ENEM e como controlar a ansiedade

Conhecer filósofos para usar na redação do ENEM pode ajudar os estudantes a desenvolver argumentos consistentes e interpretar questões importantes da sociedade. Sócrates, Platão, Aristóteles, Jean-Jacques Rousseau e Hannah Arendt oferecem reflexões sobre educação, ética, cidadania, desigualdade e pensamento crítico que podem enriquecer o repertório sociocultural. Além da preparação intelectual, aprender a lidar com a ansiedade também é fundamental para enfrentar o Exame Nacional do Ensino Médio com mais confiança e equilíbrio.

Estudante se preparando para a redação do ENEM com livros de filosofia e anotações.
A filosofia oferece ferramentas para desenvolver argumentos e ampliar o repertório sociocultural no ENEM.

Pensando nisso, separamos cinco filósofos cujas ideias podem ser utilizadas como ferramentas de argumentação em diferentes temas de redação do ENEM. Deixemos claro, contudo, que não se trata de oferecer fórmulas mágicas ou repertórios prontos que garantam uma nota elevada, mas de mostrar como determinados conceitos filosóficos podem ajudar o estudante a interpretar a realidade e desenvolver argumentos mais elaborados. 

Sócrates, Platão, Aristóteles, Jean-Jacques Rousseau e Hannah Arendt serão nossos companheiros nessa jornada. Cada um deles apresenta contribuições importantes para compreender diferentes aspectos da sociedade, permitindo estabelecer relações entre o pensamento filosófico e os problemas atuais. Quando bem compreendidas e contextualizadas, essas ideias podem enriquecer uma redação sobre educação, tecnologia, cidadania, violência, meio ambiente, preconceito, democracia e muitos outros assuntos.

Sócrates: a importância de questionar e desenvolver o pensamento crítico

Sócrates é um dos nomes mais importantes da história da filosofia ocidental e representa um excelente ponto de partida para quem deseja construir um repertório sociocultural consistente. Nascido em Atenas, aproximadamente em 470 a.C., ele dedicou sua vida ao questionamento das ideias, das crenças e dos valores que orientavam a sociedade de seu tempo. 

Sócrates bebendo cicuta, um veneno dado para sua morte após julgamento na Ágora Ateniense. Morte de Sócrates, quadro pintado por Jacques-Louis David
Sócrates bebendo cicuta, um veneno dado para sua morte após julgamento na Ágora Ateniense. Morte de Sócrates, quadro pintado por Jacques-Louis David

Diferentemente de outros pensadores que procuravam explicar a natureza e a origem do universo, Sócrates concentrou grande parte de sua investigação no comportamento humano, na ética e na busca pelo conhecimento. Seu método consistia em conversar com as pessoas, apresentar perguntas e estimular seus interlocutores a examinar aquilo que acreditavam saber. Para ele, muitas opiniões consideradas verdadeiras eram apenas ideias superficiais, aceitas sem reflexão ou sustentadas por costumes e tradições.

Na redação do ENEM, Sócrates pode ser utilizado principalmente em temas relacionados à educação, ao pensamento crítico, à desinformação, à manipulação social, ao preconceito e ao uso das tecnologias. Em uma proposta sobre os impactos das notícias falsas na sociedade brasileira, por exemplo, o candidato pode relacionar o método socrático à necessidade de questionar as informações antes de aceitá-las como verdadeiras. 

A circulação de conteúdos enganosos é favorecida quando indivíduos compartilham mensagens sem verificar sua origem, ignoram evidências contrárias ou reproduzem opiniões simplesmente porque elas são populares. Nesse cenário, o pensamento crítico torna-se uma ferramenta de proteção individual e coletiva, permitindo que os cidadãos avaliem a credibilidade das informações e tomem decisões mais conscientes.

Outra possibilidade é utilizar Sócrates em uma redação sobre os desafios da educação brasileira. O filósofo compreendia o diálogo e o questionamento como instrumentos fundamentais para a construção do conhecimento. É necessário desenvolver autonomia intelectual, capacidade de interpretação e disposição para investigar diferentes perspectivas. Quando a escola não oferece condições para que os alunos questionem, argumentem e participem ativamente do processo de aprendizagem, corre-se o risco de formar indivíduos excessivamente dependentes de respostas prontas.

Platão: educação, conhecimento e a superação das aparências

Platão foi discípulo de Sócrates e um dos principais responsáveis pela consolidação da filosofia ocidental. Nascido em Atenas, por volta de 427 a.C., ele desenvolveu um pensamento que influenciou profundamente a história da educação, da política, da metafísica e da ética. Sua obra apresenta reflexões sobre a natureza da realidade, a formação dos indivíduos e a organização da sociedade. Para o estudante que está se preparando para o ENEM, Platão oferece um repertório especialmente interessante porque suas ideias permitem discutir a importância do conhecimento, o papel da educação e os perigos de uma sociedade que confunde aparência com realidade.

Ilustração moderna do mito da caverna com pessoas presas a telas de celular
A nova caverna: as redes sociais como prisão contemporânea

Uma das contribuições mais conhecidas de Platão é a alegoria da caverna, apresentada no Livro VII de sua obra “A República”. Nessa narrativa, o filósofo imagina um grupo de pessoas que vive acorrentado no interior de uma caverna desde o nascimento. Como não conseguem observar o mundo exterior, esses indivíduos enxergam apenas sombras projetadas em uma parede e passam a acreditar que aquelas imagens representam toda a realidade. Um dos prisioneiros consegue se libertar, sai da caverna e descobre que existe um mundo muito mais amplo do que aquele que conhecia. Inicialmente, a luz provoca desconforto, mas, gradualmente, ele se acostuma e compreende que as sombras eram apenas representações limitadas das coisas.

A alegoria apresenta uma reflexão sobre a diferença entre aparência e conhecimento verdadeiro. Para Platão, a experiência imediata dos sentidos não é suficiente para alcançar uma compreensão profunda da realidade. É necessário desenvolver a razão, investigar os fundamentos das coisas e superar as opiniões superficiais. A saída da caverna simboliza justamente esse processo de transformação intelectual, no qual o indivíduo abandona uma visão limitada do mundo e passa a compreender aspectos mais profundos da existência.

A educação ocupa uma posição central nessa jornada, pois permite que as pessoas desenvolvam suas capacidades racionais e adquiram condições para interpretar a realidade de maneira mais consciente. Aqui no portal da Feedobem você pode se aprofundar no mito da caverna e seus símbolos.

Desse modo, a alegoria da caverna pode ser utilizada em temas relacionados à desinformação, à manipulação midiática, à educação, à intolerância, ao consumismo e aos impactos das redes sociais. Em uma proposta sobre os desafios para combater a desinformação no Brasil, por exemplo, o candidato pode relacionar a permanência das notícias falsas à dificuldade de determinados indivíduos distinguirem informações verificadas de conteúdos manipuladores. 

Outro aspecto importante do pensamento platônico é a compreensão da educação como um processo de transformação. Aprender não significa apenas acumular informações, mas modificar a maneira como enxergamos o mundo. Essa ideia permite defender que o acesso à escola deve ser acompanhado de condições para que os indivíduos desenvolvam pensamento crítico, autonomia e capacidade de participação social. Uma educação que apenas transmite conteúdos, sem estimular a reflexão, pode não ser suficiente para preparar os estudantes para os desafios da vida coletiva.

A alegoria da caverna continua atual porque nos convida a questionar aquilo que consideramos verdadeiro. Para compreender melhor os símbolos dessa narrativa e sua relação com a sociedade contemporânea, vale conferir o artigo O Mito da Caverna: Quais Correntes lhe Aprisionam?, publicado aqui no portal Feedobem. A leitura pode ajudar a ampliar o repertório filosófico e aprofundar as reflexões sobre conhecimento, liberdade e pensamento crítico.

Aristóteles: ética, equilíbrio e responsabilidade coletiva

Aristóteles foi discípulo de Platão e um dos pensadores mais influentes da Antiguidade. Nascido em Estagira, em 384 a.C., desenvolveu uma obra extremamente abrangente, envolvendo filosofia, política, biologia, física, lógica, ética e diversas outras áreas do conhecimento. Sua maneira de investigar a realidade valorizava a observação, a classificação e a análise das causas dos fenômenos. 

Feedobem Aristoteles Ensinando sobre Felicidade

Enquanto Platão desenvolveu uma filosofia marcada pela distinção entre o mundo sensível e o inteligível, Aristóteles dedicou grande atenção ao estudo das coisas concretas e das relações que constituem a realidade. Para quem está se preparando para o ENEM, suas reflexões são especialmente úteis porque permitem abordar temas relacionados à ética, à cidadania, à convivência social, à educação e à responsabilidade individual.

Uma das ideias centrais do pensamento aristotélico está relacionada à busca pela felicidade, compreendida por meio do conceito de eudaimonia. Diferentemente da ideia contemporânea de felicidade como um estado passageiro de prazer ou satisfação, Aristóteles entendia a vida feliz como uma existência orientada pelo desenvolvimento das capacidades humanas e pela prática das virtudes. Uma pessoa não alcançaria uma vida plena apenas acumulando riquezas, obtendo reconhecimento ou satisfazendo desejos imediatos. Seria necessário desenvolver hábitos virtuosos, agir racionalmente e construir uma existência equilibrada. 

Partindo dessa perspectiva, Aristóteles pode ser utilizado em temas relacionados à cidadania, à ética, à violência, à preservação ambiental, à convivência social e à responsabilidade coletiva. Imagine uma proposta sobre os desafios para promover o respeito no ambiente digital. O candidato pode utilizar a reflexão aristotélica sobre a formação das virtudes para argumentar que a convivência respeitosa depende do desenvolvimento de hábitos éticos. 

O ambiente virtual não elimina a responsabilidade individual, pois as atitudes praticadas nas redes sociais continuam produzindo consequências para outras pessoas. Assim, a educação para o uso consciente das tecnologias pode ser apresentada como uma maneira de desenvolver comportamentos mais responsáveis.

Jean-Jacques Rousseau: desigualdade social, liberdade e cidadania

Jean-Jacques Rousseau foi um dos pensadores mais importantes do Iluminismo europeu e uma referência fundamental para compreender os debates sobre liberdade, igualdade e organização da sociedade. Nascido em Genebra, em 1712, Rousseau desenvolveu uma filosofia que influenciou profundamente o pensamento político moderno e contribuiu para a formação de ideias que estiveram presentes nos debates da Revolução Francesa. Suas obras abordam questões relacionadas à natureza humana, à educação, à desigualdade social e à legitimidade do poder político. 

Uma de suas obras mais conhecidas é “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”, publicada em 1755. Nesse trabalho, Rousseau procura investigar como surgiram as diferenças sociais e quais transformações históricas contribuíram para o desenvolvimento das desigualdades entre os seres humanos. O filósofo estabelece uma distinção entre as desigualdades naturais, relacionadas às diferenças físicas e às condições individuais, e as desigualdades morais ou políticas, produzidas pelas relações sociais e pelas instituições humanas. Para ele, a organização da sociedade contribuiu para consolidar diferenças de riqueza, poder e prestígio que passaram a determinar profundamente as condições de vida dos indivíduos.

Filósofos iluministas como Rousseau, Montesquieu e Voltaire discutindo ideias revolucionárias.
Pensadores iluministas: a base teórica da Revolução Francesa.

Rousseau desenvolveu uma reflexão bastante conhecida sobre o surgimento da propriedade privada e sua relação com a desigualdade. Em sua interpretação, o estabelecimento da propriedade e a consolidação de determinadas formas de organização social contribuíram para a criação de relações de dependência, competição e dominação. 

Rousseau escreveu sua obra mais famosa, “Do contrato social”, em 1762; e essa é uma chave interessante para aqueles que irão escrever sobre cidadania e o papel do Estado para a harmonia social. O filósofo procurou investigar quais seriam os fundamentos legítimos da organização política e como seria possível construir uma sociedade na qual os indivíduos obedecessem às leis sem abandonar sua liberdade. Para ele, a autoridade política legítima deveria estar fundamentada na vontade geral, entendida como a orientação da comunidade para aquilo que corresponde ao interesse coletivo. 

A partir dessa reflexão, Rousseau permite compreender que a vida em sociedade envolve direitos e responsabilidades. A liberdade individual não significa a possibilidade de agir sem considerar os demais cidadãos, pois a convivência coletiva exige normas capazes de proteger os interesses comuns. Ao mesmo tempo, o poder político não deveria ser tratado como propriedade particular dos governantes, mas como uma instituição cuja legitimidade depende de sua relação com a comunidade. Essa ideia oferece instrumentos para discutir a importância da participação popular, da transparência administrativa, do respeito às leis e da construção de instituições comprometidas com o interesse público.

Dessa maneira, o pensamento de Rousseau pode ser aproveitado em temas sobre democracia, cidadania, corrupção, desigualdade, exclusão social, participação política e direitos humanos. Em uma proposta sobre os desafios para garantir o acesso à moradia digna no Brasil, por exemplo, o candidato pode utilizar sua crítica às desigualdades sociais para demonstrar que a organização da sociedade produz condições de vida muito diferentes entre os indivíduos. 

Hannah Arendt: responsabilidade, política e os perigos da ausência de reflexão

Hannah Arendt foi uma das mais importantes pensadoras políticas do século XX e representa uma excelente referência para quem deseja ampliar seu repertório sociocultural. Nascida em 1906, na Alemanha, Arendt viveu em um período marcado por profundas transformações políticas, duas guerras mundiais, a ascensão dos regimes totalitários e a perseguição promovida pelo nazismo. De origem judaica, precisou deixar seu país diante da expansão da perseguição nazista e posteriormente desenvolveu uma trajetória intelectual marcada pela investigação dos mecanismos de dominação política e das condições necessárias para a preservação da liberdade.

Uma de suas obras mais conhecidas é “Origens do totalitarismo”, publicada em 1951. Nesse livro, Arendt investigou as condições históricas e políticas que permitiram o surgimento dos regimes totalitários, especialmente o nazismo e o stalinismo. A autora procurou compreender como determinadas formas de organização política conseguiram controlar amplamente a sociedade, destruir espaços de liberdade e transformar indivíduos em integrantes de estruturas de dominação. Sua análise demonstra que o totalitarismo não deve ser compreendido apenas como uma forma autoritária de governo, mas também como um fenômeno político que procura controlar diferentes dimensões da existência humana.

Representação de Hannah Arendt em seu escritório refletindo sobre responsabilidade individual e pensamento político.
Hannah Arendt investigou os riscos da ausência de reflexão crítica e a responsabilidade pelas ações humanas.

Uma das contribuições mais interessantes de Hannah Arendt está relacionada à importância da ação e da participação política. Em sua obra “A condição humana”, publicada em 1958, a filósofa desenvolveu uma reflexão sobre as atividades fundamentais da vida humana, destacando conceitos como labor, trabalho e ação. 

A ação ocupa uma posição especial porque está relacionada à capacidade de os indivíduos se manifestarem diante dos outros, iniciarem algo novo e participarem da construção de um mundo compartilhado. Para Arendt, a política não deveria ser compreendida apenas como uma atividade restrita aos governantes ou aos partidos, mas também como um espaço de convivência no qual pessoas diferentes podem dialogar, apresentar opiniões e participar das decisões coletivas.

Essa concepção permite discutir a importância da cidadania em uma sociedade democrática. Muitas pessoas compreendem a política exclusivamente como disputa eleitoral ou como atividade realizada por representantes escolhidos pelo voto. Entretanto, a participação cidadã também envolve acompanhar as decisões públicas, cobrar transparência, participar de organizações comunitárias, defender direitos e contribuir para o debate coletivo. 

Além disso, um conceito-chave associado à obra de Hannah Arendt é a banalidade do mal, desenvolvido a partir de sua análise do julgamento de Adolf Eichmann, um dos responsáveis pela organização logística da deportação de judeus durante o regime nazista. Em seu livro “Eichmann em Jerusalém”, publicado em 1963, Arendt procurou examinar a personalidade e o comportamento do acusado, observando como ele frequentemente apresentava suas ações como simples cumprimento de ordens e procedimentos burocráticos. 

A expressão banalidade do mal não significa que o mal seja insignificante ou que os crimes cometidos possam ser considerados comuns. A reflexão procura destacar como ações extremamente destrutivas podem ser praticadas por indivíduos que deixam de exercer o julgamento crítico e passam a agir de maneira irrefletida, escondendo-se atrás de regras, funções e ordens institucionais.

Visto isso, Hannah Arendt pode ser utilizada em temas relacionados à intolerância, ao autoritarismo, à democracia, à violência, à participação política e à responsabilidade social. Imagine uma proposta sobre os desafios para combater o discurso de ódio na internet. Quando usuários compartilham conteúdos ofensivos sem refletir sobre suas consequências, ajudam a construir ambientes nos quais a dignidade de determinados grupos é constantemente atacada. A educação para a cidadania digital e o fortalecimento de mecanismos de responsabilização podem ser apresentados como caminhos para enfrentar o problema.

A filósofa também pode contribuir para discussões sobre democracia e liberdade de expressão. Uma sociedade democrática depende da pluralidade – isto é, da possibilidade de pessoas diferentes apresentarem suas opiniões e participarem da vida pública. Entretanto, a existência de opiniões divergentes não significa que todas as formas de comportamento sejam legítimas. A liberdade de expressão não deve ser utilizada como justificativa para práticas de perseguição, ameaças ou discriminação. 

Para além do conteúdo: como lidar com a pressão de uma prova?

Até aqui, nossa atenção esteve voltada principalmente à preparação intelectual. Conhecemos cinco filósofos que podem ajudar a construir bons argumentos, discutimos a importância do repertório sociocultural e apresentamos algumas estratégias para organizar os estudos. Entretanto, existe um aspecto que não pode ser ignorado: o estado emocional do estudante durante o período de preparação e nos dias que antecedem a prova. 

A ansiedade é uma experiência humana comum e pode aparecer em diferentes situações que envolvem expectativa, incerteza ou medo de não conseguir alcançar determinado objetivo. No caso do ENEM, ela costuma estar relacionada à importância atribuída ao exame e às consequências que um resultado insatisfatório pode representar para os projetos de vida do candidato.

Estudante preocupado durante a preparação para o ENEM diante de livros e materiais de estudo.
A pressão por bons resultados pode aumentar a ansiedade dos estudantes durante a preparação para o ENEM.

Para muitos estudantes, o ENEM não é simplesmente uma avaliação escolar. Ele representa a possibilidade de ingressar em uma universidade, conquistar uma profissão, melhorar as condições financeiras da família e construir um futuro diferente. Em determinadas situações, o exame é percebido como a principal oportunidade de transformação da realidade pessoal. Essas expectativas podem gerar uma pressão muito grande, especialmente quando o candidato acredita que precisa obter uma nota elevada para corresponder às expectativas dos pais, professores ou pessoas próximas.

Contudo, devemos lembrar que a ansiedade não é necessariamente uma inimiga. Em níveis moderados, a preocupação com uma avaliação pode estimular a organização, aumentar a atenção e incentivar a preparação. O problema aparece quando o medo ultrapassa uma intensidade administrável e começa a comprometer o desempenho. Um estudante extremamente preocupado pode passar horas tentando estudar, mas ter dificuldade para assimilar os conteúdos. 

Logo, devemos abandonar a ideia de que sentir medo representa fraqueza. O estudante não precisa fingir que está completamente tranquilo, nem acreditar que apenas pessoas emocionalmente fortes conseguem enfrentar o exame. A ansiedade faz parte da experiência humana e pode aparecer justamente porque algo possui grande importância para nós. Reconhecer esse sentimento permite lidar com ele de maneira mais consciente. Em vez de desperdiçar energia tentando eliminar qualquer sinal de nervosismo, o candidato pode desenvolver estratégias para reduzir sua intensidade e impedir que ele controle suas decisões.

Uma das maneiras mais eficientes de enfrentar a ansiedade é construir uma rotina de preparação organizada. Muitas vezes, o nervosismo aumenta porque o estudante sente que existem conteúdos demais e tempo de menos. Quando não sabe exatamente o que precisa estudar, pode passar o dia inteiro pensando nas disciplinas acumuladas, nas questões que ainda não resolveu e nas redações que deveria produzir. Essa percepção de descontrole transforma a preparação em uma fonte permanente de preocupação.

O planejamento não precisa ser extremamente complexo. Uma folha de papel, uma agenda ou uma planilha podem ser suficientes para organizar as atividades da semana. O estudante pode distribuir as disciplinas ao longo dos dias, reservar horários para a resolução de questões e estabelecer momentos específicos para a produção textual. Também é interessante definir metas que possam ser avaliadas objetivamente. Em vez de escrever simplesmente “estudar história”, por exemplo, pode estabelecer como objetivo revisar determinado conteúdo e resolver vinte questões relacionadas ao assunto.

Além disso, a ansiedade não se manifesta apenas por meio de pensamentos. Ela também produz reações físicas, como aceleração dos batimentos cardíacos, tensão muscular e alterações no ritmo respiratório. Aprender a reconhecer essas reações e desenvolver estratégias simples de regulação podem ajudar a enfrentar momentos de maior tensão. Uma dessas estratégias é prestar atenção à respiração, utilizando exercícios respiratórios como forma de recuperar gradualmente a sensação de tranquilidade.

Estudante do ENEM em ambiente tranquilo com rotina de estudos organizada e momento de descanso.
Planejamento, pausas e cuidados com o bem-estar ajudam a construir uma preparação mais equilibrada para a prova.

Uma técnica simples consiste em inspirar suavemente pelo nariz, sem forçar a entrada de ar, e depois expirar de maneira lenta e confortável. O objetivo não é prender a respiração por muito tempo nem realizar movimentos exagerados, mas reduzir a velocidade do ciclo respiratório e direcionar a atenção para o momento presente. O estudante pode repetir o exercício durante alguns minutos, procurando manter uma postura confortável. Para algumas pessoas, essa prática ajuda a diminuir a sensação de agitação e facilita a retomada da concentração. Caso o exercício provoque tontura ou desconforto, é melhor interrompê-lo e voltar à respiração natural.

O ENEM é uma prova, mas o conhecimento é para a vida inteira

Preparar-se para o ENEM significa muito mais do que memorizar informações e desenvolver técnicas para responder a questões. É uma oportunidade de ampliar a visão de mundo, desenvolver autonomia intelectual e compreender melhor os desafios que fazem parte da sociedade. Os cinco filósofos apresentados oferecem caminhos para essa formação: Sócrates nos ensina a questionar, Platão nos convida a superar as aparências, Aristóteles demonstra a importância da ética, Rousseau nos ajuda a compreender as desigualdades e Hannah Arendt nos lembra da responsabilidade que acompanha nossas escolhas.

Na redação, essas referências podem representar um diferencial importante, desde que sejam utilizadas com propriedade. O estudante não precisa transformar seu texto em uma demonstração de erudição, nem mencionar filósofos em todos os parágrafos; precisa compreender o tema, construir uma tese, selecionar argumentos pertinentes e utilizar os conhecimentos adquiridos para fundamentar suas ideias.

Por último, é fundamental lembrar que o equilíbrio emocional também faz parte da preparação. A ansiedade pode aparecer, especialmente quando o exame representa uma oportunidade importante para o futuro. Entretanto, ela não precisa controlar toda a experiência. Organizar a rotina, praticar simulados, descansar, cuidar da saúde e procurar apoio quando necessário são atitudes que ajudam a enfrentar a pressão. Que o ENEM seja, portanto, uma oportunidade de demonstrar aquilo que você aprendeu, mas também de descobrir o quanto ainda pode aprender. Estude com dedicação, questione com inteligência, escreva com clareza e enfrente os desafios com serenidade. 

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