Conceito Vyda: A Chave para Entender a Existência

Você já parou para pensar sobre o que é a Vida? Como podemos definir se algo é vivo ou não? Será que o simples fato de se movimentar estabelece essa relação? Essas perguntas deveriam ecoar em nossa mente mais vezes, entretanto, isso não ocorre com frequência, Um dos motivos é o fato de acharmos que a Vida é algo “óbvio”, logo, não percebemos sua complexidade e a reduzimos a uma mera questão de estarmos respirando e conscientes. Ainda assim, se pararmos para pensar, talvez não saibamos definir o que é, de fato, a Vida. 

Esse dilema não é exclusivo desse conceito, afinal, muitos outros fatos “óbvios” da nossa natureza foram esquecidos – e ainda o são – por nós. Durante muito tempo, por exemplo, a Humanidade conviveu com a luz e não percebeu a imensidão de possibilidades que ela carregava. Até que nos perguntamos “o que é a luz?” e descobrimos várias outras coisas, inclusive sobre a composição de estrelas há milhões de anos-luz de distância. Graças ao fato de nos debruçarmos sobre algo que estava constantemente ao nosso redor, fomos capazes de alcançar um saber sobre estrelas que estão tão distante que talvez nunca a alcancemos.

Foi partindo dessa percepção que Stuart Bartlett, pesquisador de ciência planetária do Instituto de Tecnologia da Califórnia, e Michael Wong, pesquisador no Laboratório de Exoplanetas da NASA, decidiram fazer uma dessas perguntas. Como cientistas, seus trabalhos são exatamente estes: fazer perguntas e tentar respondê-las. E considerando o fato de que eles são astrobiólogos, é possível supor que tenham feito a mesma pergunta que iniciou esse texto: O que é a Vida?

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Como conceituar a Vida?

Um paradigma da humanidade é a de que existe Vida apenas no nosso planeta, afinal, ainda não encontramos provas de que existam seres vivos em outros locais do espaço. Assim, por exclusão, passamos a deduzir que a Vida, ou seja, toda a forma de existência consciente, só pode existir se seguir as condições do nosso planeta. Mas isso será verdade? 

É fato que sonhamos em saber se há Vida em outros planetas – e já investimos bilhões de dólares procurando o menor sinal de vida fora da Terra. Seja um pequeno microorganismo ou uma civilização avançada, seguimos sonhando com vizinhos cósmicos. Não por acaso, a ficção científica usualmente brinca com essas possibilidades ao imaginar outras raças humanoides, seres de outra dimensão e tudo que nossa imaginação permite, afinal, nesse vasto Universo é praticamente impossível acreditar que estamos sozinhos.

Há pouco tempo, voltamos a sonhar com essa possibilidade quando Jane Greaves e sua equipe da Universidade de Cardiff descobriram a presença de fosfina na superfície de Vênus, um gás tóxico, mas que pode indicar alguma atividade biológica na estrela da manhã. Nesse sentido, mesmo que não haja uma vida propriamente humana, a presença de certos elementos químicos e moléculas podem nos fazer acreditar que, mesmo a nível microscópico, haja um tipo de Vida nesses locais.

Porém, o que Bartlett e Wong propõem é algo muito mais revolucionário. Para eles, talvez nós não tenhamos encontrado Vida em outros ambientes além da Terra porque estamos partindo de uma definição errada do que seria Vida. Segundo a definição da NASA: “A vida é um sistema químico autossuficiente com a capacidade de ter uma evolução darwiniana”. Ou seja, em linhas gerais, tudo que é vivo tem mecanismos de sobrevivência e deve ser capaz de evoluir. Mecanismos de sobrevivência pode ser entendido como “a capacidade de alimentar-se, seja produzindo seu alimento ou o obtendo a partir de terceiros”, enquanto a evolução é a capacidade de se reproduzir e fazer com que novas gerações tenham genes adaptados ao ambiente, favorecendo sua existência.

Visto isso, Bartlett e Wong afirmam que este conceito define bem a forma de Vida que conhecemos na Terra, mas que talvez isso não se encaixe na Vida como um todo. Consumimos e processamos energia autonomamente, e utilizamos processos químicos e carregamos informações em nossos RNA e DNA que permitem a nós evoluir e nos adaptarmos ao ambiente, mas será que outras formas de Vida não podem existir sem seguir esse padrão? Se considerarmos ambientes totalmente diferentes do nosso, em outro local, a Vida teria se desenvolvido de forma igual a nossa? 

Os cientistas afirmam que não é possível comprovar que todas essas características próprias da Vida como a conhecemos hoje estivessem presentes no início das aventuras dos seres viventes. Então, é possível que outras formas muito diferentes de Vida estivessem atuando aqui neste planeta, e elas tenham dado origem à forma que conhecemos. Ou ainda, nesse exato momento, talvez existam aqui na Terra outras formas de Vida que também estão em evolução, mas que o seu mecanismo de aprendizado deve ser de alguma forma não material, diferente dessa que conhecemos (através de moléculas de RNA e DNA).

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Vyda: uma nova perspectiva para entender a existência

Partindo dessa premissa, os cientistas começaram a desenvolver uma hipótese um tanto quanto revolucionária. Ao invés de basear a busca de Vida em características que reduzem todo o Universo ao nosso padrão, eles propõem quatro pilares para a nova definição que chamaram de Vyda (como tem sido frequentemente e livremente traduzida). Para ser Vyda, o sistema, ou organismo deve:

  1. Dissipar energia: Os autores afirmam algo muito interessante: não pode haver Vida (ou Vyda) em equilíbrio estático. Tudo aquilo que é “vyvo” interage com o ambiente e com outros seres. Dessa forma, ele captura e processa energia. Pensando nesse aspecto, até mesmo minerais poderiam entrar nessa categoria de Vida, afinal, eles retêm calor e o dissipam, interagindo assim com o ambiente. É evidente que essa é apenas uma característica entre tantas definidas, mas nos faz refletir sobre como, de fato, podemos expandir nossa percepção acerca desse conceito;
  2. Realizar alguma forma de autocatálise: Toda forma Vyvente cresce em tamanho, ou em população. É aquilo que observamos em uma cultura de fungos nos laboratórios de biologia, por exemplo. Se pegarmos o relato bíblico, podemos entender que aquela ordem do criador que dizia “Crescei e multiplicai-vos” valia para toda a Vyda, e não só para os Humanos. O mesmo vale para os vírus, seres que apesar de causarem danos à saúde humana e à de animais, ainda não são classificados como seres vivos. Entretanto, o fato de se multiplicarem rapidamente é uma característica notável e que também estaria dentro desse novo conceito;
  3. Buscar a homeostase: A homeostase é a característica que um sistema tem para buscar manter suas variáveis importantes entre faixas que lhe garantam a sobrevivência. Considerando que no Universo tudo se relaciona com tudo, é aceitável pensar que variações do ambiente ameacem o equilíbrio que mantém algo vyvo, e que esse algo possua instrumentos de defesa para manter-se vyvo, da mesma forma que os mamíferos possuem mecanismos biológicos que regulam a sua temperatura do corpo, independente da temperatura do ambiente. Assim, para ser considerado um ser vyvo, deve existir uma maneira que impeça o ambiente externo de destruir o interno, garantindo uma diferenciação entre o que está fora e o que deve permanecer dentro. A busca desse equilíbrio é natural nas células, que, por meio de sua membrana plasmática, garantem o que pode interagir com o seu mundo interno e o ambiente ao seu redor;
  4. Aprender: Para que seja considerado vyvo, o sistema deve registrar informações sobre seu ambiente externo e interno, processar essas informações e realizar ações que retroalimentam positivamente sua probabilidade de sobrevivência/proliferação. Aqui na Terra, os seres vivos que conhecemos fazem isso através de suas moléculas de DNA e RNA, porém, isso não precisa estar limitado a isso. Se é capaz de aprender e transmitir informações para as próximas gerações, então já pode ser considerado algo vyvo. Assim, os vírus, mais uma vez, são exemplos que entram nesse conceito, pois sua adaptabilidade e sua mutação ocorrem justamente a partir das experiências e necessidades de adaptar-se a novos cenários.

Com essa nova forma de ver a Vyda, eles defendem que talvez encontremos novos seres vyvos aqui mesmo na Terra, bem debaixo de nossos narizes.

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Foi impossível não lembrar de James Lovelock e sua hipótese de Gaia, em que ele faz uma relação do nosso planeta com o mito grego de Gaia, a deusa da Terra. Embora ele nunca tenha dito que a Terra era um ser vivo, talvez agora mude de ideia. Vejamos… “Nossa nave-mãe captura e processa energia do cosmos, assim passou no primeiro teste.

De acordo com a Hipótese de Gaia: ‘a biosfera e os componentes físicos da Terra (atmosfera, criosfera, hidrosfera e litosfera) são intimamente integrados de modo a formar um complexo sistema interagente que mantém as condições climáticas e biogeoquímicas preferivelmente em homeostase’. Mais um ponto para Gaia; todavia, não é possível afirmar, mesmo após horas de navegação no Google, que nossa Mãe-Terra aprenda, ou que cresça em tamanho e população. Desta forma, ficam faltando os pontos 3 e 4”.

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Mas, e se ampliarmos a busca? O Universo poderia ser considerado um grande ser vivo? Culturas tradicionais e antigas nos disseram há muito tempo que ele é um grande ser com Vyda. E há cientistas que defendem até que ele possua consciência. Talvez, nossa busca por um novo conceito de Vyda possa nos levar a desvendar esse Mistério.

Se há Vida – ou Vyda – nesse enorme Universo, não há quem possa afirmar, ou negar isso com veemência. Se você é adepto do método científico, talvez cultive dúvidas quanto a isso; se prefere a visão espiritualista, talvez aceite a ideia com mais facilidade, afinal de contas, praticamente todas as tradições espirituais acreditam na Vida além do corpo. Não é objetivo deste texto, nem deste portal, encerrar esse dilema. Deixaremos para você, abaixo, duas visões acerca do assunto e esperamos que exerça sua liberdade em escolher aquela que mais fizer sentido para você.

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