O Dia de Ação de Graças celebra a Gratidão, uma Virtude presente em diversas culturas e essencial para a vida. Agradecer é um ato de fé e confiança que fortalece nossa conexão com o mundo e as pessoas ao nosso redor. O nosso mundo atual, com demandas cada vez maiores e o consumismo exagerado, por vezes nos faz esquecer dessa capacidade intrinsecamente Humana de ser grato. Acabamos nos afundando na rotina, nos prazos, na “correria” e não olhamos para nós mesmos e pensamos o quão gratos devemos ser à Vida por tudo o que já conquistamos, ganhamos e aprendemos.

A história por trás do Dia de ação de Graças
O feriado do Dia de Ação de Graças remonta ao início da colonização da América inglesa. Esses peregrinos ingleses chegaram à América do Norte a bordo do Mayflower, estabelecendo a colônia de Plymouth, em 1620 (atual Massachusetts). Nessa região, entretanto, existiam algumas tribos de nativos que, consequentemente, entraram em conflito com os peregrinos. Esses, de origem protestante, vieram à América com a ideia de uma terra prometida, no qual poderiam expressar sua religião em paz e construir uma nova sociedade nessa nova terra.

A realidade, porém, foi um tanto quanto diferente. A dificuldade de estabelecer uma colônia se mostrou real. Em uma terra desconhecida, praticar a agricultura tal qual os moldes ingleses seria difícil, entretanto, nem tudo estava perdido. Apesar de inimigos, uma das tribos nativas decidiu ajudar os peregrinos para que estes não perecessem pela fome.
Assim, os nativos Wampanoag, liderados pelo chefe Massasoit, ajudaram os peregrinos, ensinando-lhes técnicas de plantio e pesca. Quando se aproximava da época da colheita, os colonos organizaram um banquete para agradecer a Deus pela fartura e convidaram os nativos para celebrar, afinal, nada daquilo seria possível se não fossem os ensinamentos milenares dos Wampanoag.
Esse evento é considerado o primeiro Dia de Ação de Graças e celebra muito mais do que uma colheita farta ou agradecimento aos deuses, mas sim a fraternidade de diferentes povos que, embora diferentes e até mesmo rivais em determinados momentos, foram capazes de unir-se de maneira fraterna em prol da Vida.
É fato que nos dias atuais muito se questiona sobre a precisão histórica desse evento. Para alguns, os nativos convidados foram poucos e não sentaram à mesa com os colonos, mas o que queremos abordar não se trata exatamente da história e sim dos seus símbolos. O fato do relato original apontar nativos e colonos juntos, dividindo refeições e histórias, serve como um símbolo dos Valores Humanos que existem por trás dessa data: a União e a Gratidão. Esse é o verdadeiro significado por trás do dia de Ação de Graças

É fundamental refletirmos sobre isso. As nossas ações, quando direcionadas para o Bem e para a Fraternidade, são compreendidas por todos aqueles que também inclinam-se para esses ideais, mesmo que nossas culturas e religiões sejam diferentes na aparência. A bondade, a generosidade e a Gratidão não falam um idioma específico, não estão ligadas a uma cultura ou religião, mas sim à própria linguagem da Vida, e a isso todos os seres humanos têm acesso. Se entendermos que as Virtudes existem para que todos nós possamos cultivá-las, poderemos gerar uma fraternidade universal, baseada nessas Virtudes.
O reflexo desse gesto entre colonos e nativos frutificou e, após esse momento em 1621, todos os anos, na época da colheita – geralmente no outono –, os colonos voltaram-se em agradecimento a Deus pelas dádivas recebidas durante o plantio. Além disso, o momento da ceia passou a ter como tradição refletir sobre os bons momentos vividos naquele ano. Em um cenário de intempéries, em que muitas vezes era natural entrar em conflito, ter um momento para agradecer pelas dádivas foi fundamental para manter o espírito explorador desses primeiros colonos. Naturalmente, à medida que novas colônias foram surgindo, a tradição passou adiante e, pouco a pouco, se montou o grande feriado do Dia de Ação de Graças.

O valor da Gratidão em nossas Vidas
Um antigo ditado cristão fala que devemos dar graças por tudo e em todos os lugares. Esse pequeno conselho guarda uma pérola de sabedoria que não estamos sabendo aproveitar, visto que essa é uma Virtude pouco utilizada em nosso cotidiano. De fato, somos invadidos diariamente por notícias negativas, verdadeiras tragédias, seja no nível particular ou coletivo, assim o ato de agradecer se torna um desafio. Como podemos colocar a Gratidão mais presente em nossas Vidas?
Quando observamos por esse aspecto, deixamos de lado o valor que há na Vida em si, em podermos atuar mais um dia, em termos mais 24 horas para melhorarmos e, tal qual um artífice de si mesmo, moldar a nós do melhor jeito que pudermos. É evidente que os acontecimentos da Vida irão nos entristecer, mas precisamos entender que nem só de alegria se faz a existência. A bem da verdade, alegria e dor são duas faces que estão sempre a se intercalar, e a sabedoria está em perceber que podemos aprender dessas duas formas, tanto nos prazeres como nas aflições.
Visto isso, precisamos olhar para a Vida buscando o que está além da mecanicidade do cotidiano. Essa visão nos ajuda a entender que há muitos motivos para sermos gratos. E que dentro de cada Ser Humano há a mesma chama, a mesma essência, que nos torna membros da mesma família. Se começarmos a viver essa ideia, será que o mundo não poderia ser melhor?
Assim, o Dia de Ação de Graças é muito mais que um feriado: é um pedido à humanidade para voltarmos à Gratidão. Esse deve ser o nosso espírito frente às adversidades também. É comum agradecermos apenas aos bons acontecimentos de nossa Vida, mas são os maus momentos que nos trazem Força e Crescimento. No fim, a Gratidão, como uma verdadeira Virtude, não está sujeita ao que acontece no mundo externo, mas sim ao que conseguimos encontrar dentro de nós mesmos.

Diante das ideias apresentadas até aqui, podemos dizer que não importa se a colheita foi boa ou não, sejamos gratos! Não importa que tenhamos nos ferido, pois se a dor gerou consciência e aprendizado, então valeu a pena. Como dizia o poeta:
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
Assim deve ser o nosso espírito frente às nossas experiências. Por isso, devemos sempre celebrar e agradecer a Vida que temos, os companheiros que seguem ao nosso lado e as dificuldades que nos ajudam a crescer.
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