Série “Contos Arturianos”: Rei Arthur e A Jornada do Herói

Bem-vindos a mais uma série Feedobem! Nas próximas linhas, exploraremos um dos mitos mais ricos da humanidade, que vem atravessando séculos e encantando gerações. Estamos falando do mito do Rei Arthur, o grande líder da Bretanha que fundou Camelot e tinha cavaleiros honrados e virtuosos, dispostos a servir por um ideal.

Antes de iniciarmos nossas aventuras pelos contos arturianos, devemos apontar que, historicamente, não sabemos ao certo se Arthur realmente existiu, mas essa dúvida jamais diminuiu a força de sua presença no imaginário humano. Pelo contrário, talvez seja justamente essa indefinição que permita que o Rei Arthur continue vivo, atravessando séculos, culturas e consciências como um símbolo que não envelhece e se mantém atemporal. Arthur não pertence apenas à Bretanha medieval, mas a uma dimensão mais profunda da experiência humana, onde os mitos não são invenções fantasiosas, mas mapas simbólicos da alma.

Dito isso, o mito arturiano não fala apenas de castelos, batalhas e coroas, mas da eterna busca humana por sentido, unidade e justiça, ideais que ainda hoje ecoam no coração de idealistas. Ele nos toca porque descreve o drama interior que todos vivemos: o conflito entre desejo e vontade, entre instinto e consciência, entre aquilo que somos e aquilo que podemos nos tornar. Arthur é, antes de tudo, o arquétipo daquele que aceita o chamado para governar a si mesmo, mesmo sem compreender totalmente o peso dessa responsabilidade.

Aprendendo a viver os mitos

Entretanto, para compreender tais ideias ao nos deparamos com os contos arturianos, é fundamental desenvolvermos uma linguagem simbólica, pois é nesse formato que os mitos nos são apresentados. Atualmente, infelizmente, estamos perdendo essa capacidade de enxergar os símbolos e decodificá-los, uma vez que somos instigados a entender e interpretar o mundo de forma cada vez mais literal. Nesse sentido, não costumamos valorizar mitos, contos de fadas, livros sagrados, como fazíamos antigamente.

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Atualmente, não costumamos valorizar Mitos, Contos de Fadas, Livros Sagrados, como fazíamos antigamente. Acabamos por revisitar as histórias de outros povos e culturas, em busca de respostas mais profundas sobre a vida e seus mistérios. O Rei Arthur, a Távola Redonda, Merlin, Excalibur, Morgana, Guinevere, Lancelot, mesmo sendo partes da cultura celta, ainda assim esses personagens nos fascinam, sendo fonte de inspiração para vários livros, filmes, séries, etc. Parece que algo dentro de nós nos avisa que ali tem algo mais profundo do que uma história fantasiosa de um grande Rei.

Nossa mente prática muitas vezes não consegue alcançar a profundidade das ideias trazidas pelos Símbolos presentes nos Mitos. Mas se nos debruçarmos um pouco mais sobre eles, buscando perceber que eles se comunicam através da linguagem da vida, podemos extrair grandes ensinamentos sobre nossa Jornada. Quase como um manual da arte de viver.

Quando nos damos a oportunidade de revisitar as histórias de outros povos e culturas, em busca de respostas mais profundas sobre a vida e seus mistérios, encontramos uma sabedoria oculta, escondida entre suas narrativas – e o mesmo ocorre nos contos arturianos. O Rei Arthur, a Távola Redonda, Merlin, Excalibur, Morgana, Guinevere, Lancelot, mesmo sendo partes da cultura celta, ainda assim revelam aspectos da psique humana que está em todos nós, mas que não sabemos nomear e muito menos compreender em certos momentos. Entender tais histórias é, portanto, uma maneira de viver os mitos e perceber que eles não são histórias antigas, mas uma narrativa que ocorre em nosso interior todos os dias.

Nossa mente prática, muitas vezes, não consegue alcançar a profundidade das ideias trazidas pelos símbolos, mas se nos debruçarmos um pouco mais sobre eles, buscando perceber que eles se comunicam através da linguagem da vida, podemos extrair grandes ensinamentos sobre nossa Jornada. Quase como um manual da arte de viver. Usando uma chave psicológica para entender os mitos, podemos perceber que todos nós, muitas vezes, somos Lancelot e seu apego aos desejos do corpo; outras, somos Guinevere e sua indecisão entre o mais Nobre ou o que mais deseja, e em outras, somos Arthur portando a Excalibur, e nos tornando Heróis de nós mesmos. 

Merlin como o símbolo da sabedoria

Agora que já entendemos a importância de vivermos os mitos, precisamos conhecer a história de Arthur. Sua vida, entretanto, começa mesmo antes do seu nascimento e de se consagrar rei. Por isso precisamos descobrir quem é Merlin, o mago que detém a sabedoria e é o grande conselheiro dos reis da Bretanha e, junto de Arthur, ajudou a construir Camelot. Merlin é, portanto, uma figura essencial que representa a ponte entre o mundo visível e o invisível. Merlin não governa, não empunha espadas e não busca poder político; porém, é tão importante quanto qualquer outro cavaleiro da Távola Redonda.

Sua função é mais sutil e, por isso mesmo, mais profunda que a dos outros personagens. Ele observa os ciclos da vida, compreende as leis invisíveis que regem o destino humano e age no momento certo, nem antes nem depois. Sua grande virtude é a fidelidade à Verdade, mesmo quando essa verdade exige silêncio ou sacrifício. Todos nós carregamos esse Merlin interior, essa voz discreta que nos orienta quando conseguimos aquietar o ruído das paixões e dos medos. O problema não é a ausência dessa sabedoria, mas nossa incapacidade de ouvi-la.

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Na história, Merlin acompanha um grande conquistador, o Rei Uther Pendragon, e faz com que ele prometa que o fruto gerado da sua relação com Ingraine, a esposa de um outro cavalheiro, fosse entregue a ele. Só assim ele ajudaria na realização da luxúria do Rei, que tanto desejava aquela relação proibida. Este bebê, Merlin sabia que se tornaria Arthur, um ser humano nobre e digno de ser Rei, e por isso levou-o para ser criado apropriadamente por um cavalheiro simples, longe da Corte.

Arthur, então, nasce envolto em circunstâncias moralmente ambíguas, fruto do desejo descontrolado de Uther Pendragon. No entanto, o mito nos ensina que a origem imperfeita não impede a realização de um destino nobre, afinal, somos nós os construtores do nosso próprio destino. Merlin reconhece, desde cedo, que aquela criança carrega um potencial raro, e por isso decide afastá-la da corte, permitindo que Arthur cresça longe da corrupção do poder e das vaidades do mundo e aprenda desde cedo os valores da cavalaria: a honra, a humildade, a coragem e demais valores fundamentais para quem pretende ajudar os mais fracos.

A espada na pedra: o símbolo da vontade de Arthur

Quando Uther morre e a Bretanha mergulha no caos, a espada cravada na pedra surge como um desafio para todos que desejavam o poder do reino; porém, não bastava força para arrancá-la da pedra, era preciso uma Vontade capaz de mover montanhas, que estivesse alinhada com algo maior. Muitos tentam retirá-la movidos pela ambição, pela sede de poder ou pelo orgulho. Todos falham, porque lhes faltava aquilo que não pode ser conquistado pela força: a legitimidade interior.

Arthur, porém, em um ato desinteressado, sem nem mesmo entender o que significava empunhar tal arma, consegue retirar a espada. Esse detalhe é essencial, pois revela que a verdadeira vocação não nasce do desejo de grandeza, mas de uma nobre intenção. Arthur não buscava ser rei, não desejava esse cargo. Ele apenas agiu de acordo com a necessidade do momento. Ao retirar Excalibur, ele demonstra que sua Vontade já estava integrada, mesmo sem plena consciência disso. 

Após ser reconhecido como rei, Arthur enfrenta a resistência de outros cavaleiros que, em busca de poder, não reconhecem o jovem detentor da Excalibur com o direito ao trono. Essa fase do mito é marcada por batalhas intensas, nas quais Arthur não se esconde atrás de seu título, mas se forja como guerreiro ao se lançar às batalhas. Ele luta ao lado de seus homens, compartilhando riscos e dificuldades, demonstrando que liderança verdadeira se constrói pelo exemplo.

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Em uma das batalhas mais emblemáticas, Arthur enfrenta um exército numericamente superior. Mesmo assim, ele mantém a calma, organiza suas tropas com clareza e confia não apenas na estratégia, mas na justiça de sua causa. Excalibur brilha em suas mãos como símbolo de uma Vontade, e o exército arturiano se consagra vencedor. Ao final, a vitória não é apenas militar, mas também moral, pois muitos inimigos se rendem ao reconhecer a integridade do rei e passam a servi-lo. Assim, aqueles que eram inimigos se tornam aliados em busca de uma unidade na Bretanha. 

Simbolicamente, essa história nos leva a refletir sobre nossas próprias lutas internas. Quantas vezes nos sentimos em desvantagem diante dos desafios da vida? Arthur nos mostra que a força que realmente decide as batalhas não é externa, mas nasce da coerência entre aquilo em que acreditamos e aquilo que fazemos.

Além disso, a vitória de Arthur na guerra de unificação da Bretanha marca apenas o início de sua verdadeira jornada. Ao contrário do que muitos imaginam, conquistar territórios é sempre mais simples do que conquistar a confiança, a lealdade e, sobretudo, a consciência de um povo. Arthur compreende rapidamente que o desafio que se impõe diante dele não é apenas manter a paz externa, mas também sustentar uma ordem interna que dê sentido àquela nova era que começava a nascer. A espada havia sido retirada da pedra, mas agora era necessário aprender a empunhá-la com sabedoria, pois toda Vontade, quando mal direcionada, pode se tornar instrumento de destruição.

Camelot não surge apenas como uma capital política, mas como a materialização de um ideal. Arthur não desejava uma corte baseada em privilégios de nascimento ou disputas de vaidade, mas um espaço onde a virtude fosse o verdadeiro critério de valor. Assim, Camelot torna-se o símbolo de uma consciência organizada, um centro a partir do qual decisões eram tomadas não para benefício pessoal, mas para o bem comum. Cada pedra erguida naquele lugar representava o esforço humano de construir algo que transcendesse o egoísmo. Não por acaso, seus cavaleiros, que tinham jurado proteger Camelot, deveriam ser, antes de tudo, pessoas abnegadas dos seus desejos individuais para atuar pelo Todo.

Desse modo, Camelot torna-se, assim, um espelho do próprio Arthur, o representante daquele ideal. Enquanto ele se mantém fiel à sua Vontade elevada, o reino prospera. Quando dúvidas surgem em seu coração, fissuras começam a aparecer nas estruturas do reino. Como podemos perceber, essa ideia simboliza como o mundo externo é reflexo do mundo interno, e que não há sociedade justa possível sem indivíduos que busquem, sinceramente, a própria retidão.

A Távola Redonda e o símbolo da igualdade

Frente a esse ideal de sociedade, a criação da Távola Redonda é um dos atos mais revolucionários de Arthur. Ao abolir a hierarquia tradicional da corte, onde lugares privilegiados simbolizavam poder e status, Arthur institui uma mesa sem cabeceira, onde todos são iguais. Esse gesto, aparentemente simples, carrega um significado profundo: diante da justiça e da verdade, ninguém é superior. Nem mesmo o rei.

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Em uma ocasião marcante, um jovem cavaleiro recém-chegado à corte reivindica um lugar à Távola Redonda, apesar da resistência dos mais antigos. Muitos veem nele inexperiência e ousadia excessiva. Arthur, no entanto, decide ouvir o jovem e propõe uma prova para revelar se o cavaleiro era digno de estar na Távola. Ele envia o cavaleiro para resolver um conflito entre duas aldeias que disputavam terras há gerações. A ordem é clara: não usar a espada, não ameaçar, não impor e ainda assim conseguir resolver o conflito.

Dias depois, o jovem retorna tendo conseguido um acordo justo, baseado no diálogo e no reconhecimento mútuo. Arthur então o acolhe na Távola, lembrando a todos que a verdadeira nobreza não se mede pelo tempo de serviço ou pela fama conquistada, muito menos pela força imposta sobre os outros, mas pela capacidade de agir com justiça mesmo quando a brutalidade seria o caminho mais fácil. Esse episódio reforça a essência do reinado de Arthur, que demonstra como a verdadeira ordem nasce da consciência e não do medo.

Para além disso, é importante entendermos simbolicamente o que é a Távola Redonda. Como entendemos, esse é o local em que se reuniam os cavaleiros de Arthur, responsável por manter a ordem, a paz e a justiça em todo o Reino. Em diferentes contos, fala-se de números distintos para a quantidade de cavaleiros. Em algumas fontes, citam-se 144, em outras, 48; porém, o número mais repetido é o 12. Numericamente falando, tanto 48 como 144 podem ser divididos por 12.

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Logo, podemos entender que, em geral, a Távola reunia os 12 cavaleiros mais importantes e possivelmente tem uma ligação direta com os 12 signos zodiacais, e que posteriormente, à medida que novos contos foram surgindo, outros cavaleiros foram sendo adicionados, mas preservando a relação numérica. Simbolicamente, como veremos ao longo dos textos da série, perceberemos que cada um dos cavaleiros nos remete às diversas experiências que temos que superar durante a vida, e ao quanto precisamos nos esforçar para dar o nosso melhor, defendendo nossos valores diante das adversidades, para continuar sendo dignos de ser quem somos. 

A queda de Arthur e Camelot

Aqueles que conhecem profundamente a história do Rei Arthur sabem que, em determinado momento, Camelot é destruída e seu Rei é morto. Como um reino próspero e belo pôde ser destruído? Quais ideias estão por trás disso? É interessante notar que Camelot começa seu declínio quando Arthur é tomado por uma grande tristeza ao descobrir a traição de Guinevere e Lancelot, até então visto como o mais nobre de todos os cavaleiros da Távola Redonda, que se apaixona pelo seu lado mais material, e a partir daí se rompe a unidade, o ser humano integral, o indivíduo. Arthur fica isolado, Guinevere fica perdida e Lancelot passa a vagar pelo mundo como um mendigo, por causa do arrependimento que sente.

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Como símbolo, o mesmo ocorre conosco todas as vezes que traímos a nós mesmos, nossos valores e virtudes, por coisas passageiras, por elementos grosseiros e que, muitas vezes, não possuem nobreza alguma. Todos os momentos em que a vida nos coloca no lugar de escolha, entre o mais denso e o mais elevado, entre o desejo e a Vontade, entre Ser e Não Ser, como diria Shakespeare, estamos sendo como Guinevere. E quantas são as vezes que escolhemos Lancelot? Por isso, Camelot, nossa harmonia interna, definha.

É interessante perceber que o próprio Lancelot perde sua força por causa do arrependimento que sente. Podemos notar isso em nossas vidas quando estamos em um conflito interno, quando não fazemos aquilo que a nossa consciência nos pede. É como se estivéssemos traindo a nós mesmos, por isso nos sentimos fracos, sem energia e sem ânimo para nada. Tornamo-nos o Lancelot sem Rei, um Cavaleiro que tem o potencial para vencer todas as batalhas, mas fica perdido, vagando por aí como um coitado, sem motivação para nada, pois perdeu o seu sentido de vida.

Arthur, o Rei que habita o interior do ser humano

Sendo assim, ao compreendermos os símbolos por trás do mito do Rei Arthur, notamos que sua história jamais foi apenas sobre um homem coroado, uma espada lendária ou um reino perdido no tempo. Arthur é, acima de tudo, uma imagem viva daquilo que o ser humano pode se tornar quando decide responder ao chamado da própria consciência. Sua jornada não nos fala de um destino glorioso, mas de um caminho marcado por escolhas difíceis, renúncias, quedas e, ainda assim, pela persistência em servir a algo maior do que os próprios desejos.

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Além disso, esse mito também nos mostra que a grandeza de Arthur não está em sua invencibilidade, mas em sua fidelidade à Vontade, essa força poderosa da natureza capaz de operar milagres. Ao mesmo tempo, Arthur ensina que ser rei de si mesmo não é dominar impulsos pela força, mas compreendê-los, integrá-los e colocá-los a serviço de um ideal mais amplo. Camelot não ruiu apenas por traições externas, mas porque a unidade interior se fragmentou, lembrando-nos de que nenhuma construção humana pode se sustentar quando perde seu eixo interno.

Em seu leito de morte, Arthur pede que a Excalibur retorne para as mãos da dama do lago, uma entidade que guarda a arma mágica. Esse retorno simboliza o momento em que o ser humano se afasta de sua Vontade mais elevada, mas também guarda a promessa de um retorno possível. A espada não se dissolve, não é destruída, apenas aguarda que outro ser humano tão digno quanto Arthur possa existir para poder empunhá-la mais uma vez. Isso nos lembra que os valores que Arthur encarnou – como a justiça, a coragem e a compaixão – não pertencem a uma época específica, mas são eternamente necessários sempre que o mundo se vê ameaçado pelo caos, pela fragmentação e pelo esquecimento de si mesmo.

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Camelot, por sua vez, não representa uma fuga da realidade, nem um reino esquecido, mas uma constatação de que é possível criar um mundo mais justo desde que se tenha como base as virtudes humanas. Arthur não é um rei derrotado, mas um arquétipo vivo, pronto para despertar sempre que a humanidade se lembrar de que a verdadeira realeza começa no interior. Assim, o mito do Rei Arthur nos convida a um compromisso profundo conosco mesmos. Ele nos pede que retiremos, simbolicamente, Excalibur do lago de nossas distrações, medos e desejos passageiros. Ele nos chama a reconstruir Camelot não como um reino externo, mas como um estado de consciência onde a vida ganha sentido e direção.

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Enquanto houver seres humanos dispostos a trilhar esse caminho, Arthur jamais deixará de existir. Ele viverá em cada escolha justa, em cada gesto consciente e em cada coração que ousar responder ao eterno chamado da Jornada do Herói.

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[…] Para refletirmos sobre os contos arturianos, não podemos nos furtar de contar a história do rei Arthur. Ressaltamos que aqui contaremos apenas um breve resumo da saga do grande rei da Bretanha, mas é possível conferir em nosso portal um texto mais aprofundado sobre as ideias que permeiam esse mito. Você pode acessá-lo clicando aqui. […]

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