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As estrelas sempre encantaram a humanidade. Olhar para o céu noturno e contemplar a vastidão do Universo e seus corpos celestes é uma prática tão antiga que nem mesmo ao certo podemos dizer quando começou. Sabemos, porém, que a antiga astronomia foi tão importante que construímos templos com dezenas de metros apenas para uma melhor observação e estudo dos astros. Nessas antigas civilizações, a crença de que as estrelas podiam revelar aspectos da vida humana era tão real que não se podia imaginar viver sem saber sob qual signo existia. Com a capacidade de apontar o destino das pessoas, a astrologia não era somente uma crença, mas também uma verdadeira ciência utilizada por reis e pela nobreza para predestinar guerras, boas colheitas e até mesmo construir casamentos entre as pessoas. Na Índia, por exemplo, esse tipo de tradição é bastante comum, e nos dias atuais ainda é possível presenciar casamentos combinados que partem do mapa astral dos noivos para determinar se essa será uma boa união ou não.

(crédito: Pixabay/Reprodução)

É evidente, porém, que o assunto atualmente permeia muito mais o campo da crença do que o da ciência. A astrologia, tão venerada nos tempos antigos, hoje existe como uma chamada “pseudociência”, pois não há como demonstrar empiricamente seus resultados. Contudo, é incontestável que sua adesão pelas pessoas continua tão firme quanto há 5 mil anos. Tomando como base essa realidade, devemos entender que o nosso modo “ocidental” de leitura e interpretação dos astros não é o único a existir ainda nos dias atuais. A bem da verdade, sabemos que na antiguidade cada civilização concebia um nome e função diferente para os corpos celestes. 

A Constelação de Órion é uma visão familiar em todo o mundo. Crédito da imagem: manpuku7 via Getty Images

Um exemplo clássico disso é a constelação de Orion, que em nossa astrologia – herdada basicamente da tradição grega – é conhecida como “o caçador”. Seu cinturão, conhecido como Cinturão de Orion”, para os cristãos é popularmente chamado de “as Três Marias” e pode ser visto facilmente no céu noturno. Já os egípcios, durante a antiguidade, chamavam esse mesmo conjunto de estrelas de “A constelação de Osíris”, pois acreditava-se que esses corpos celestes eram um caminho que conectava o mundo dos vivos e dos mortos. Não por acaso, as Pirâmides de Gizé, o maior e mais misterioso legado da civilização egípcia, foi construída alinhada com essas estrelas, como uma representação física na Terra desses astros.

Como podemos enxergar, a astrologia não somente foi importante para diversas civilizações, mas seu significado e interpretação também são distintos em cada experiência cultural da humanidade. Partindo desse princípio, hoje estudaremos um pouco da origem e funcionamento da astrologia chinesa, uma das mais antigas formas de estudo dos astros e que remonta seu início aos tempos mitológicos. Assim, esse conhecimento se mostra tão antigo que afirmar seu começo é uma missão quase impossível para os historiadores, que precisam se debruçar sobre a mitologia chinesa para entender um pouco das origens dessa misteriosa ciência.

Imagens retiradas do site: https://www.doshinsha.co.jp/news/detail.php?id=1846

Compreendido isso, vamos ao mito. Conta-se que em um tempo remoto o Senhor de Jade, a principal divindade do panteão chinês, o verdadeiro criador e senhor do mundo, lançou um desafio para os animais. Eles deveriam correr até o seu palácio em uma espécie de maratona, e os que chegassem primeiro receberiam uma grande recompensa. O trajeto escolhido pelo Senhor de Jade, porém, tinha grandes percalços. Era preciso escalar montanhas, atravessar rios de forte correnteza e percorrer um grande caminho até concluir a tarefa. Entre todos os animais que participaram desse desafio, o rato se destacou como o vencedor. Utilizando de sua sabedoria, pediu a ajuda do boi, outro animal que participava da maratona, para atravessar o rio nas suas costas e assim seguir a corrida. O boi o ajudou, e perto do fim o rato saltou das suas costas e garantiu o primeiro lugar na corrida. Os outros animais, que eram  o tigre, o coelho, o dragão, a cobra, o cavalo, a cabra, o macaco, o galo, o cachorro e o porco, também chegaram ao fim da maratona e, devido à conclusão da prova todos foram consagrados como constelações do zodíaco chinês. Assim, o zodíaco chinês também possui 12 partes, que são os animais – diferentemente das constelações gregas – zodiacais. Entretanto, engana-se quem pensa que o elaborado esquema astrológico chinês termina aí.

Para além dos animais, há também dois pontos fundamentais a serem levados em conta: as polaridades e os elementos. Na tradição chinesa, assim como em diferentes nações asiáticas, desenvolveu-se ao longo do tempo, e graças aos Mestres de Sabedoria, uma série de elementos filosóficos que até hoje são vividos pelas pessoas dessa região. Estamos falando do Ying e Yang, o famoso jogo de opostos que representam, de forma geral, um princípio da natureza que simboliza o movimento. Essa ideia foi representada pelo famoso desenho em que duas partes de um círculo estão divididas, sendo uma preta e outra branca. Dentro do branco há um ponto preto, assim como dentro do preto há um ponto branco, simbolizando que não há absolutos no mundo manifestado e que a diferença necessariamente leva ao movimento.

Partindo desse princípio de polaridades, cada signo também terá dentro de si as polaridades Yin e Yang. Portanto, não basta apenas nascer no ano indicado pelo zodíaco para sabermos as características e o destino de cada pessoa, mas é preciso conhecer também a polaridade sob a qual o signo do zodíaco está. Fazendo uma comparação superficial com o nosso mapa astral, também encontramos fortes diferenciações dentro dos próprios signos, que são marcados por outros elementos contidos no mapa como o “ascendente”. Por isso que, mesmo nascendo sob um determinado signo zodiacal, ninguém possui o mesmo mapa. 

The Yin and Yang symbol with white representing Yang and black representing Yin.

Junto a isso, acrescenta-se um outro aspecto importante e já citado: os elementos. Na tradição chinesa, fala-se que existem cinco elementos primordiais: o metal, a madeira, a água, a terra e o fogo. Cada um desses elementos carrega consigo características próprias que também se refletem no zodíaco e, consequentemente, nas características de cada indivíduo. Os elementos estão relacionados às horas e aos meses, formando diversas combinações que, ao total, passam de mais de 8 mil possibilidades! Dessa maneira, mesmo que as pessoas que nasceram em um mesmo ano tenham o mesmo signo, a hora e o mês de nascimento vão determinar características únicas e torná-las indivíduos no sentido mais puro da palavra, ou seja, tornam-se únicos e com um destino próprio a ser trilhado.

Desse modo, é importante refletirmos que a Astrologia, enquanto uma forma de investigação e compreensão da vida, tenta nos ensinar que cada pessoa nasce com um destino, habilidades e desafios a serem superados. Essa percepção nasce da perspectiva de que tudo no Universo está interligado, logo, os corpos celestes são capazes de nos influenciar e, de acordo com alguns sábios, também somos capazes de influenciar os astros. Para além de uma posição cética ou não quanto a isso, o raciocínio de se sentir ligado ao mundo ao nosso redor, seja do mais ínfimo Ser até os corpos celestes que estão a milhões de anos-luz de distância, nos faz perceber que a natureza é uma só e está totalmente interligada. Manter esse pensamento de unidade com a natureza é fundamental para enxergarmos a vida sob um novo patamar e chegarmos a construir uma relação nova e saudável com o mundo, os outros seres vivos e conosco mesmo. 

O julgamento não nos cabe aqui. Mesmo que não seja uma ciência comprovada – e talvez nunca seja se partimos do método científico –, a astrologia foi uma pedra fundamental na evolução dessas civilizações e ainda hoje continua a cumprir um papel em nossa sociedade. Não deixemos, portanto, que tais conhecimentos caiam na vala da superstição e na superficialidade de interpretações comuns. Façamos, talvez, como os antigos e busquemos olhar para as estrelas procurando respostas, tentando enxergá-las como verdadeiras pontes celestes até o mais sublime dos mundos, e não somente como esferas que brilham e iluminam o céu. Se assim o fizermos, é possível que passemos a enxergar o mistério que há por trás da objetividade que os fatos nos mostram e assim, quem sabe, poderemos entender o porquê nascemos, crescemos e vivemos neste plano da existência.

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