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 Sejam bem vindos ao oitavo texto da série “desvendando os tarots egípcios”. Queridos leitores, esse é o nosso penúltimo texto acerca dos tarots, visto que restam apenas mais quatro cartas a serem analisadas. Nosso objetivo, como bem sabem os que acompanham a série desde o primeiro texto, não é o de esgotar os símbolos e ideias contidas em cada uma das cartas. Como ressaltamos em alguns textos ao longo da série, cada símbolo possui chaves distintas de interpretação e não seria possível em poucas palavras falar profundamente de cada um deles.

Visto isso, lembramos também que o principal não é entender somente as ideias de cada carta, mas fazer relações com a nossa vida prática e ver como esses símbolos se apresentam em nosso cotidiano. Não se trata, portanto, de acumular informações e detalhes, mas de vivenciar as ideias ali contidas de modo objetivo, afinal, como diz um antigo filósofo, “mais importante do que saber muitas coisas é viver algumas coisas.” 

Partindo desse ponto de vista, nos concentremos nas ideias principais de cada arcano, e assim, poderemos entendê-los com mais profundidade à medida em que enxergarmos essas ideias na vida. 

A justiça

A primeira carta que analisaremos nesse texto chama-se “a justiça” e é a número 8 do tarot egípcio. Também conhecida como “a balança e a espada”, a carta nos apresenta diversos elementos simbólicos. Começando pela sua descrição, temos no centro da imagem uma figura feminina sentada em um trono. Em suas mãos a mulher carrega uma espada e uma balança, além de encontrar-se vendada. Na carta também está presente um abutre, acima e atrás da dama, além de outras figuras como um leão e um ser com asas. Além disto, há ainda uma grande flor de lótus acima da cabeça da mulher, aberta e apontando na mesma direção que está a dama.

Começando a debruçar-se no simbolismo da carta, temos facilmente alguns elementos que até hoje fazem parte do nosso dia a dia. A mulher vendada com uma espada e uma balança em mãos, traz uma clara referência à Justiça em si. Em nossa sociedade existe uma figura parecida que representa a Justiça, porém, a carta do tarot nos aponta para elementos um pouco distintos. De semelhante com a imagem que todos nós conhecemos está a venda, representando o princípio da imparcialidade da Justiça, assim como a balança, que busca o equilíbrio entre as medidas a serem tomadas.

A Justiça é, provavelmente, um dos temas mais recorrentes nos dias atuais. A todo momento estamos buscando essa nobre Virtude e, na maioria das vezes, vivemos situações em que acreditamos ser injustas. Seja um ato de corrupção que os culpados não foram punidos ou mesmo quando não conseguimos aquilo que desejamos, parece-nos que a sensação de injustiça (mesmo que não seja real) nos permeia. Mas será que somos justos?  

Se considerarmos os primeiros dois elementos da carta já podemos constatar que, na maior parte das situações, acabamos pecando nesse quesito. Isso ocorre porque não sabemos encontrar a justa medida para cada situação e pessoa (a balança), muito menos conseguimos ser imparciais para com aquilo que nos compete (à venda). Desse modo, acabamos agindo de forma desmedida para com aqueles que não nos agradam e, ao mesmo tempo, sendo demasiadamente brandos com os nossos amigos.

E o que mais precisaríamos, além do equilíbrio e da imparcialidade, para sermos justos? Os outros elementos da carta nos ajudam a refletir sobre isso. A espada, por exemplo, mostra que a Justiça se faz no campo da ação, no combate. Este, por sua vez, é travado contra as injustiças do mundo, ou seja, uma pessoa justa se coloca no mundo e toma ações para que a Verdade prevaleça em todas as situações. Uma pessoa justa, em hipótese alguma, pode ser uma pessoa passiva, que aceita as injustiças.

Entretanto, quando essa ação não está bem direcionada, ou seja, não é guiada por algo superior – nesse caso, o ideal de Justiça – podemos facilmente causar mais injustiça no mundo. Na ânsia de corrigir um erro é comum que acabemos cometendo outro. É o caso, por exemplo, das pessoas que querem “fazer justiça com as próprias mãos”. Nessas situações a espada da justiça está sendo controlada por um impulso ou uma emoção muito forte, que acaba nos conduzindo. Infelizmente em nosso dia a dia tais situações continuam acontecendo, pois parece que estamos deixando nossas emoções nos controlarem e tomarem o rumo de nossas ações.

Para evitar essas situações, a verdadeira Justiça não pode ser guiada por emoções e sensações. É preciso buscar algo além, uma inspiração Divina, que se aproxime da ideia de Justiça. Por isso que na carta mostra a flor de lótus, símbolo do mundo Espiritual. Não por acaso ela está acima da mulher e suas pétalas apontam a direção que a Justiça deve seguir, como uma bússola moral que nos indica qual a melhor decisão a se tomar. Nesses casos não somos conduzidos por emoções fortes e passageiras, mas por um senso de Humanidade e de Virtude tão forte que tira de nós o que há de melhor.

E como fazer para que nossas ações sejam cada vez mais justas, alinhadas com a direção que a Vida Espiritual nos aponta? Mais uma vez temos a resposta a partir de elementos da carta. O abutre, por exemplo, é um dos atributos mais relevantes para conseguirmos que a Vida Espiritual nos guie. Para os antigos egípcios, a Deusa Nekhbet era representada por um abutre, e seu papel seria o de purificar as formas gastas pelo tempo. Nesse sentido, o abutre representa a Pureza, um elemento sempre presente quando falamos de Vida Espiritual.

Logo, para alcançarmos uma verdadeira Justiça é preciso que apliquemos nossas ações com Pureza, ou seja, sem agir por impulso, rancores ou qualquer sentimento que possa inclinar nossa decisão para algo.

Bem sabemos que isso não é fácil, por isso que a Justiça é tão difícil de ser vivenciada com plenitude nos dias atuais. Nossas intenções, na maior parte das vezes, não estão purificadas e por isso agimos com segundas e terceiras intenções quando nos relacionamos com outras pessoas. Portanto, “a justiça” é uma carta do Tarot egípcio que dialoga fortemente com o que vivemos no nosso cotidiano.

O mestre dos arcanos

Continuando nossa análise pelas cartas do tarot temos agora o “mestre dos arcanos”, a carta número cinco do baralho egípcio. Nela a figura central é um homem que está sentado entre duas colunas. Aos seus pés estão duas figuras opostas e sua mão repousa sobre um cetro que tem duas luas e uma barra entre elas. O homem também usa vestes diferenciadas, além de um toucado com um Oréus na ponta, indicando assim uma natureza Divina.

Alguns símbolos desta carta, assim como a da Justiça, podem ser rapidamente notados para aqueles mais atentos ao mundo dos símbolos. O primeiro – e talvez o mais claro – está nos pequenos homens ajoelhados ao lado do homem central. Eles representam a dualidade, uma Lei da Natureza que se faz tão presente em nós. Sempre que nos dividimos, ficamos em dúvida sobre o que fazer e como agir, eis que a Lei da Dualidade está se expressando. Como se duas (ou mais) vozes lutassem dentro de nós, acabamos por agir conforme a voz mais encantadora (em seus diversos aspectos) nos dite.

Porém, no caso da carta, essa não parece ser a realidade deste homem. Sua posição mostra, inclusive, que ele ignora a luta entre os dois, concentrando-se no que está à sua frente. Essa força de não cair no jogo da dualidade representa o equilíbrio entre os ciclos da vida. Sabemos muito bem que não somos seres estáveis. Para a grande maioria das pessoas, alguns eventos do dia a dia acabam roubando-lhes a Felicidade. Isso ocorre porque frequentemente estamos envolvidos com os acontecimentos que nos circundam. Evidentemente, em diversas situações não há como não mergulharmos de cabeça para resolver um problema, embora essa não seja a atitude mais inteligente.

Baseando-se nisso, a carta traz outra chave importante para entendermos suas relações. O homem olha para frente e segura um bastão, que nele está, mais uma vez, uma figura oposta e, ao mesmo tempo, complementar: as duas faces da lua. O bastão representa o equilíbrio (simbolizado pela barra entre as luas) que só existe após estarmos conscientes de nossas escolhas. Por isso que o homem está com o toucado que carrega o Oréus, símbolo que designa aquele que adentrou nos Mistérios do Mundo Espiritual. 

Ao chegar nesse nível, as dualidades, que são absolutas para nós, não passam de pequenas e imperceptíveis frente a Força do Divino. Nesse sentido, o “mestre dos arcanos” nada mais é do que aquele que superou a dualidade e uniu tudo que há no Universo em si. Esta carta, portanto, carrega um poderoso símbolo de que não devemos nos limitar a viver os Ciclos da Vida, mas principalmente devemos buscar vencê-los.

Quando estamos felizes, por exemplo, nos envolvemos tão fortemente com esse sentimento que desejamos, conscientemente ou não, que aquele momento nunca acabe. De igual modo, o fim é tudo o que desejamos quando estamos sofrendo e, gostemos ou não, esses são aspectos que nos prendem ao mundo. Para além disso, porém, há aqueles que buscam viver para além desses jogos de ilusão. Esses buscadores, em geral, são conhecidos como sábios ou iniciados, pois passaram a entender o mecanismo da Vida e já não perdem tempo com problemas corriqueiros. Assim, segundo o simbolismo do tarot egipcio, nossa saída para vencer a dualidade é buscar sempre a União, o Equilíbrio e o ponto mais alto que exista em nossa Alma, pois assim estaremos mais próximos do Divino.

Essas foram as cartas de hoje. Esperamos que tenham gostado e que essas ideias inspirem-nos a sermos melhores a cada dia! 

Até o nosso próximo texto em “Desvendando os tarots egípcios”.

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