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Dando continuidade a nossa série de textos sobre o Tarot Egípcio, hoje começaremos a falar sobre as suas cartas e os seus símbolos. Caso você ainda não saiba do que se trata, sugerimos ler nossa introdução no portal Feedobem.

Como bem sabemos, há no mundo diversos tarots. Seus significados e ideias mais profundas são particulares e apesar de existirem semelhanças, tal qual veremos aqui, há ainda símbolos e particularidades referentes a cada carta. O Tarot Egípcio é um dos mais antigos de toda nossa civilização, sendo utilizado apenas por grandes sacerdotes e com objetivos mágicos. Além do seu caráter de oráculo, o Tarot Egípcio foi uma forma eficaz de guardar ideias profundas em emblemas, tratando assim de vários símbolos em cada carta.

Ao total são vinte e duas cartas. Nosso objetivo é falar sobre cada uma delas, formando assim uma série de ensinamentos que podemos aprender e levar para nossa vida a partir do estudo do tarot. Portanto, fica conosco e confere os principais símbolos do Tarot Egípcio!

A lua

Nossa primeira carta se chama “a lua” ou “o crepúsculo” e ela é a número 18 do nosso tarot. Nela podemos ver duas pirâmides, uma branca e uma negra, com a lua iluminando-as e abaixo um escorpião. Ao lado de cada pirâmide temos um chacal, com cores opostas às das suas respectivas pirâmides. Somente pela descrição já podemos ver que essa é uma carta que carrega uma série de símbolos, por isso toda carta de tarot é também um emblema, ou seja, um conjunto de símbolos que formam uma ideia maior.

Seguindo para nossa análise, é preciso entender cada um dos símbolos para assim formar uma ideia sólida em nossa mente. Comecemos pensando na lua e na noite, ambos estão relacionados com a ideia de Mistério, ou de algo que não conhecemos. Não por acaso, o senso comum guarda essa relação da noite com o que é misterioso, assim como com tudo que está oculto. Logo, a lua nesta carta está demarcando essa ideia. Entretanto, podemos ir muito além: junto a esse Mistério temos duas pirâmides, cada uma de uma cor e sendo guardadas por dois chacais. 

Como bem sabemos, as pirâmides são um dos principais símbolos do Egito. Morada dos Faraós quando morriam, elas representam tanto a Vida quanto a Morte, duas faces de uma mesma moeda. Logo, a dualidade é o que está sendo expresso nessa carta, uma dualidade na qual está iluminada pelo Mistério (por isso a lua brilha no alto do céu). Apesar de duais, as duas pirâmides não são absolutas. Por isso temos chacais, animais que simbolizam o Deus Anúbis, – o Deus que leva as almas para o outro mundo – com cores opostas às das pirâmides, simbolizando que na Vida há morte e na morte também está contida a Vida.

Em nossa vida cotidiana costumamos buscar os extremos. Quando gostamos de alguém, por exemplo, não conseguimos enxergar o lado negativo dessa pessoa. Por outro lado, se pensamos em alguém que não gostamos, não somos capazes de apontar uma Virtude que ela possua. Esse modo de pensar, muitas vezes demarcado pelo que se gosta e não se gosta, é como um método falho de conhecer o mundo, pois não existem absolutos na Vida. Essa carta revela para nós essa ideia: no Mistério, ou seja, na Verdade do Universo não há espaço para o absoluto. Nosso mundo é dual, mas em cada parte há um pouco da outra e a verdadeira Sabedoria está em distinguir cada uma dessas partes. 

Por isso que no centro, entre os dois chacais, há o escorpião: aquele que precisa decidir qual caminho tomar. A todo momento precisamos tomar decisões, saber escolher como agir e, ao escolher, entender que essa foi a melhor opção. Muitas vezes, por não estarmos pensando direito, acabamos por tomar decisões que nos causam arrependimento. Nesses momentos, costumamos dizer que não soubemos decidir, ou melhor, que foi a melhor decisão visto o conhecimento que tínhamos. 

Visto isso, somos nós os escorpiões a decidir para qual lado vamos. O Discernimento frente aos Mistérios é, portanto, uma arma fundamental para conseguirmos caminhar em nossa evolução. Essa foi a carta da Lua, que podemos sintetizar em três ideias: Mistério, Discernimento e Dualidade.  Passemos para a seguinte.

O crocodilo ou O regresso

A nossa segunda carta é a número 22 do Tarot Egípcio e ela se chama “O crocodilo”, mas também é conhecida como “O regresso”. Na carta encontramos um homem com um cetro na mão, segurando duas sacolas, uma azul, que fica nas suas costas, e outra laranja, à sua frente. Próximo ao homem vemos um crocodilo de aspecto feroz, pronto para atacar o homem. No alto da imagem também podemos ver o sol e a lua, como em um eclipse. 

Mais uma vez são uma série de símbolos a serem analisados e por isso devemos fazê-lo sem pressa. Comecemos pelo sol e a lua, que demarcam o tempo. A passagem do dia e da noite é uma marca interessante de como contabilizamos o tempo, portanto, o fato de ambos estarem no céu mostra a ideia de um tempo transcorrido. Para além disso, o homem ao centro tem duas sacolas que estão em direções opostas: uma para trás e a outra para a frente. Ambas simbolizam o passado e o futuro, que nós enquanto Indivíduos estamos sempre carregando. 

Esses dois aspectos são interessantes e devemos refletir sobre eles. Quem não tem um passado? Carregamos nossas experiências vividas como o homem da carta. Elas, por si só, de nada servem se não nos projetarem para o futuro, ou seja, para a outra sacola cheia de sonhos e expectativas que também levamos conosco em nossa jornada. Visto isso, o homem com as duas sacolas representa a Humanidade que se desloca, ou “volta” para o seu destino, mas carrega consigo uma série de experiências que, por vezes, não lhe acrescentam muito. 

O cetro na mão do homem é a prova de que esse regresso é rumo à evolução, ou seja, caminhamos para nos tornarmos melhores. O cetro é um símbolo de poder real, o que no Egito simbolizava aproximar-se dos Deuses – não esqueçamos que o Faraó, por exemplo, era considerado um Deus encarnado.

Mas e o crocodilo? Ele simboliza o preço que precisamos pagar para evoluirmos, para seguirmos em direção ao nosso futuro. Pensemos mais uma vez em nossa vida cotidiana: para alcançarmos nossos objetivos, seja terminar uma faculdade, casar ou mesmo comprar uma casa própria, precisamos fazer sacrifícios. Dedicamos tempo e energia a esses objetivos para conseguir realizá-los. Para os egípcios, o crocodilo simboliza esse “karma”, a força que nos obriga a sacrificar algo por um futuro. 

Apenas como exemplo, na mitologia egípcia o Deus Osíris, ao necessitar atravessar um rio e adquirir Sabedoria, encontra-se com um crocodilo. O Deus oferece então uma de suas pernas ao animal, como preço a pagar para concluir sua jornada. Assim, podemos entender que o crocodilo está ligado à ideia de sacrifício. O que estamos dispostos a sacrificar para alcançarmos o futuro que desejamos? É isso que “O regresso” nos conta no tarot. Sintetizando em poucas ideias, podemos relacionar essa carta com o Tempo, as Escolhas e o Sacrifício.

A ressurreição dos mortos

A próxima carta é a número 20 do tarot e é conhecida como “A ressurreição dos mortos”. Nela aparece um sarcófago com uma múmia que levanta-se ao escutar uma trombeta de uma espécie de “anjo”. Esse ser, que simboliza o Divino, é provável que seja um Deus ou a representação da Divindade.

Essa carta traz um símbolo muito importante, que é o de despertar para uma nova vida. Como bem sabemos, os egípcios acreditavam em uma vida após a morte e a mumificação era um processo que garantia ao morto que seu corpo fosse preservado para que sua alma pudesse visitá-lo. Nessa carta, porém, há um significado mais profundo do que apenas uma crença no pós-morte. A ressurreição que aqui está representada relaciona-se com a ideia de despertar da consciência, ou seja, de você nascer para uma Vida Espiritual. 

Por isso que quem está tocando a trombeta, mais uma vez do alto, é um ser alado e com ornamentos dourados, simbolizando seu caráter Divino. A ressurreição a partir da morte significa a morte da vida material, aquela que é ilusória e que não permite, enquanto viva, que se nasça para o Mundo do Espírito. 

Em nossa vida prática, podemos pensar que esse despertar está ligado ao nosso processo de autoconhecimento: enquanto estamos alheios a nós mesmos, vivendo somente pelo desejo e sem saber quem realmente somos, estamos “mortos”, apenas vivendo de acordo com as regras e comandos de outras pessoas. Entretanto, para despertarmos a uma existência mais autêntica, é preciso encontrarmos a nós mesmos. Em muitos casos isso significa, de fato, nascer de novo: readequamos nossos hábitos, mudamos nosso comportamento e passamos a viver de acordo com outras ideias. Isso é, em última análise, um renascimento nosso enquanto Indivíduos. Sintetizando, portanto, em poucas palavras, podemos falar que essa carta trata de Despertar, de Vida Espiritual e de Autoconhecimento.

Por hoje nossa análise das cartas vai ficando por aqui. Espero que tenham gostado e nos vemos nas próximas cartas. Enquanto isso, que possamos praticar algumas dessas ideias e carregar seus símbolos conosco!

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