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Série: desvelando o Tarot Egípicio – Parte VII

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos

Sejam bem vindos a mais um texto sobre os tarots egípcios. Estamos nos aproximando do fim das cartas do tarô, porém longe de encerrarmos a análise dos seus símbolos e ideias. Percebe-se que quanto mais olhamos e buscamos entender essas misteriosas cartas, mais há para se entender sobre sua natureza.

Visto isso, não custa lembrar que aqui não pretendemos encerrar as ideias que estão contidas nesse baralho, muito menos acreditamos que nossa análise é única. O que buscamos, afinal, é encontrar ideias que se refletem em nosso cotidiano e nos ajudem a solucionar dilemas que vivemos, em maior ou menor grau, todos os dias.

Hoje teremos a análise de mais três cartas e esperamos que vocês possam desfrutar da Sabedoria milenar dos antigos egípcios. Vamos às cartas!

A estrela dos magos

Nossa primeira carta é a número 17 do tarot, intitulada “a estrela dos magos”. Nela podemos ver no centro uma mulher segurando dois tipos de vasos que derramam um líquido – provavelmente água – , e esse líquido vai ao solo, formando uma meia lua. Acima da mulher há um losango com duas cores e ao seu redor sete estrelas. Já no canto da carta temos uma borboleta pousando em uma flor de lótus.

Como bem sabemos, as cartas revelam diversos símbolos que precisamos analisar em conjunto para assim formarmos ideias claras sobre o que se trata. Inicialmente, é preciso reparar que as três figuras principais da carta – a mulher, a borboleta e o losango – estão com tamanhos distintos e, de certo modo, acima uns dos outros. Mas por enquanto tenhamos apenas isso em mente. 

Um outro aspecto interessante da carta são os dois vasos e a figura que formam ao serem derramados: uma lua minguante. A mesma lua que há em outras cartas e representa a Deusa Ísis. Nesse sentido, os dois vasos são a representação da dualidade. Esses precisam ser sacrificados (jogados fora) para que possamos caminhar em direção ao nosso Ser Divino. 

Como explicado nos outros textos, os egípcios tinham uma forte crença na Vida Espiritual. Essa percepção a nível civilizatório resultou em uma forma de vida dedicada ao Sagrado, desde os templos até as cerimônias. Junto a isso, a Pureza é uma das Virtudes fundamentais para quem deseja conhecer os Mistérios do Universo. Ao abrir mão da vida material, o Ser Humano estaria apto a crescer em direção ao Divino. Passariamos, em uma linguagem simbólica, a condição mais avançada e altruísta do que a que nos encontramos.

Quando o Ser Humano consegue alcançar esse patamar, portanto, a borboleta pousa na flor de lótus. Símbolo da transformação, a borboleta representa esse novo homem, desperto e consciente do seu papel no mundo. Se não expandimos nossa consciência e passamos a fazer eleições pessoais somente baseados em nossos instintos, então não estamos verdadeiramente vivendo as ideias que conduziram alguns dos grandes homens da história.

Sendo assim, o Ser Humano transformado – no caso, representado pela borboleta – pousa na lótus, símbolo do Divino, que alimenta esse novo Ser Humano. Nascido não de uma gravidez física, mas sim de uma gestação espiritual, esse novo Homem é capaz de alcançar o que deseja a partir da Harmonia, ou seja, da conciliação dos diferentes.

Graças a esse alimento espiritual podemos repensar nossos conceitos e “certezas” sobre a vida, o que, num primeiro momento pode nos deixar desconfortáveis. Ainda assim, para que o novo discípulo possa caminhar nessa trilha é preciso elevar-se até o Plano Espiritual. O losango, portanto, é a representação do Divino, que contém a dualidade em si, pois não há nada que exista no Universo que não tenha uma partícula do Divino.

Em resumo, “a estrela dos magos” representa as fases até tornar-se um verdadeiro discípulo e nos mostra a ideia do sacrifício de nossa parte inferior para chegarmos ao melhor de nós, a nossa Natureza Humana. 

Typhon

A próxima carta é, talvez, a mais tenebrosa de todo o tarot egípcio. Estamos falando da carta número 15, chamada de Typhon. Nela vemos na figura central um monstro com uma chama na cabeça e uma tocha em sua mão. O monstro tem uma serpente saindo de sua barriga e segura um báculo negro, diferente dos báculos dourados que são apresentadas em outras cartas. Na parte inferior da carta temos duas colunas caídas e figuras humanas com cabeça de animal – provavelmente carneiro – acorrentadas e em uma posição submissa ao monstro.

Comecemos dessa vez pela parte inferior da carta. As figuras humanas que estão acorrentadas representam nosso aspecto instintivo, que muitas vezes nos escraviza e domina nossas ações. Tomemos um exemplo prático disso: uma pessoa que sempre “perde a cabeça” no trânsito ou em outra situação específica da vida está, nesse contexto em que deixa seu instinto dominá-la, escravizada por ele. Está, simbolicamente, preso em suas correntes, pois sente que não consegue agir de outra maneira. Sendo assim, quem toma as decisões desse Ser Humano não é a sua razão, que pondera, analisa e discerne, mas o seu instinto que buscará sempre a preservação.

O fato deles estarem aos pés de Typhon mostra que o aspecto animal prevaleceu sobre o Humano. Typhon, que é essa figura verde no centro da imagem, é um aspecto negativo do Deus Seth e comumente é visto como o “mal”. Quando nos deixamos dominar pela nossa pior parte, que irá sempre optar por se proteger a todo custo, estamos deixando de considerar nosso papel enquanto Seres Humanos e abrindo mão de nossa racionalidade.  Porém, nada é tão simples assim. 

É fácil e normal acharmos que Seth ou Typhon são apenas maus. O fato do monstro, por exemplo, estar com uma chama acesa em sua cabeça, tal qual as Divindades em outras cartas, mostra que há um aspecto Divino a ser considerado nesse Deus. De igual modo, os Seres Humanos com cabeça de carneiro também possuem essa mesma chama, a centelha Divina que habita em nós. 

Typhon, portanto, não é necessariamente o mal encarnado, mas o Deus que traz as provas para combatermos os nossos instintos. Sem as provas e dificuldade dificilmente buscaremos evoluir, logo, a carta em si representa as provas que precisamos superar e que ainda não conseguimos. Desse modo, Typhon ainda triunfa sobre nós, pois por nossas debilidades e fraquezas não conseguimos superá-lo. 

A vítima

Nossa última carta analisada é a número 12, chamada “a vítima”. Em outros tarots ela é conhecida também como “o enforcado”, mas como podemos ver na carta o homem está pendurado pelo pé. Descrevendo a imagem, temos um homem pendurado pelos pés entre dois pinheiros e este joga sementes na terra.

A priori ela nos parece ser uma carta com poucas nuances, mas é fundamental analisá-la com cuidado. O primeiro aspecto que vale a pena notar é que o homem não está com trajes reais, o que podemos interpretar como sendo um homem comum, que dentre seus erros e acertos segue a vida de modo mais ou menos inconsciente. Isso não o livra, porém, das Leis da Natureza, como o Karma, por exemplo. O Karma seria, em linhas gerais, a Lei de Ação e Reação, ou seja, todo modo de agir, sentir e pensar irá voltar para você. Por viver de maneira comum, esse homem mostra-se totalmente preso à matéria. Porém, de suas mãos saem sementes em direção ao solo, o que pode significar que esse mesmo homem planta as sementes do futuro, das novas gerações que, provavelmente, deverão ser melhores do que ele.

Essa é uma imagem interessante para se refletir, pois mostra que até mesmo o mais ignorante dos Seres Humanos têm a capacidade de buscar, dentro de si, as Virtudes necessárias. Em um sentido mais profundo, as sementes que são jogadas no solo são pontos de atenção e consciência, para garantir a evolução deste homem.

Ao trazermos para o nosso cotidiano, podemos pensar em quantas vezes passamos por experiências similares, mas que insistimos em dar as mesmas respostas. A consequência é, naturalmente, obter os mesmos resultados que outrora nos incomodavam. Por isso “a vítima” é, em última instância, seu próprio algoz. Quantas vezes, por exemplo, já não nos auto sabotamos? Seja por medo do que os outros irão falar ou por não nos sentirmos capazes, deixamos que a vida nos conduza de maneira inconsciente e, cedo ou tarde, ela nos fará pagar o preço por essa negligência. 

E assim chegamos ao fim de mais um texto da série “Desvendando os tarots egípcios”. Fique conosco para mais conteúdo e até a próxima!

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