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Série: desvelando os Tarot Egípcios – Parte IX

Tempo de leitura: aproximadamente 7 minutos

Sejam bem vindos a mais um texto sobre o tarot egípcio. Essa é a nona – e última – parte desta série, uma vez que restam apenas duas cartas para finalizar o baralho do tarot. Se você não viu os textos anteriores, recomendamos que os leiam para entender ainda mais sobre esse assunto no nosso portal. Partindo disso, cabe inicialmente algumas reflexões sobre esse tema que até os dias atuais ainda causa certa polêmica. 

A tarologia é uma Arte tão antiga quanto a própria Humanidade. Apesar de ter se popularizado há mais ou menos 400 anos, uma grande parte das civilizações que conhecemos fazia uso desse método. Seja para saber o futuro ou buscar previsões sobre algum problema, é inegável que a mística dos tarots esteve sempre próxima do Ser Humano. Porém, ressaltamos que não buscamos interpretações definitivas, muito menos tentamos, ao longo de toda a série, explicar as nuances que envolvem a leitura do tarot dentro de sua lógica.

Buscamos, na verdade, realizar um estudo dos símbolos que recorrentemente aparecem no baralho e pensar acerca das ideias que permeiam as cartas. Não queremos, entretanto, encerrar o assunto e limitar o leitor apenas às ideias que trazemos aqui, pois sabemos que estamos mostrando algumas chaves de interpretação, mas que cada carta possui outros elementos que podem ser analisados ainda mais profundamente. Considerando tudo isto, acreditamos que a série deixou valiosas lições que podemos praticar diariamente, desde que nos empenhemos para isso. Assim, encerrando mais um ciclo, vamos analisar as últimas cartas.

O discípulo

A primeira carta de hoje chama-se “o discípulo”. Ela é a número 22 do tarot e tem como figura central um homem de vestes brancas e simples Em sua mão ele carrega um báculo de ponta esférica e prostra-se parado ao lado de uma caixa, com uma Íbis dentro. Na parte superior da imagem um cometa parece guiar o homem até seu objetivo.

Apesar de uma imagem “simples”, ela está carregada de símbolos. O discípulo, nas antigas tradições, refere-se ao Indivíduo que escolheu viver uma vida disciplinada, rumo ao caminhar Espiritual. Para tanto, segundo alguns filósofos, o discipulado seria um segundo nascimento, só que agora em vida. Quando olhamos para a carta, porém, não é tão simples perceber esse aspecto, mas temos algumas pistas. A primeira delas refere-se ao cometa, situado na parte de cima da carta. Tais corpos celestes são raros e desde a antiguidade eram vistos como presságios de um novo tempo, de mudanças. 

Se partimos da ideia de que um discípulo tem um segundo nascimento após desperto, podemos compreender que o cometa, nessa nova condição, representa o início de um novo ciclo. A personalidade que era dominada pelos desejos começa, a partir desse momento, a buscar trilhar o caminho dos sábios e anseia por enxergar a Sabedoria. Assim, o cometa é o sinal – ou guia – que anuncia esse novo ciclo. 

Nas mãos o homem está com um báculo esférico, que simboliza a Divindade – o zero, ou círculo, é o símbolo da Unidade -, o que mostra qual a finalidade do discípulo: desenvolver a Espiritualidade para alcançar o Mistério do Universo. Mas como fazer isso?

A caixa que está na frente do discípulo revela o “método”, de acordo com os egípcios, para alcançar essa ligação Divina. Podemos observar que dentro da caixa está uma ave, mais precisamente uma Íbis, que representa o Deus Thot, o Deus da Sabedoria. Acima da caixa também aparecem dois objetos: uma faca e uma lamparina. A faca estaria ligada ao sacrifício que precisamos fazer para alcançar o nível de despertar da consciência de um verdadeiro discípulo. Já a lâmpada é capaz de transmitir a chama que mantém acesa, sendo a transmissão da Sabedoria um encargo do discípulo.

A priori, essas são ideias difíceis de compreender, portanto, vamos por partes. Sobre o símbolo da faca e do sacrifício, este não se trata de um sacrifício físico, como costumeiramente pensamos, mas sim o sacrifício de nossos gostos e caprichos. Se trata de sacrificar o nosso pior lado para que a parte Divina que habita em nós possa se manifestar. Assim, o sacrifício é um dos primeiros atributos do discípulo: ele serve às ideias que o regem, sob qualquer circunstância. Já a lamparina representa a própria missão de um discípulo, que é a transmissão da Sabedoria, ou seja, a capacidade de acender outras lamparinas que há muito estão apagadas. 

Colocando em nossa vida prática, o discípulo é aquele que busca, a todo momento, ajudar os demais. É, por excelência, o que deseja chegar à verdadeira Sabedoria e não mede esforços para isso. 

Não por acaso, a Íbis está presa dentro da caixa, que representa nosso aspecto material. Assim, a Sabedoria é uma refém dos nossos aspectos mais primitivos: os instintos. O discípulo, antes de ser reconhecido como tal, deve passar por algumas provas para determinar se, de fato, ele está preparado. É preciso, afinal, retirar a Íbis do seu cativeiro, e para tanto devemos ter meios para conquistar a vitória.

Quando, por exemplo, passamos por um conflito, o que fazemos? Nessas situações poucas vezes usamos sabiamente a razão. Deixamos as emoções “à flor da pele” e elas passam a conduzir todas as experiências. Assim, podemos entender que a batalha do discípulo não está em vencer seus instintos, mas em controlá-los para que, mais uma vez, a Sabedoria tenha um livre acesso. 

Resumindo,a primeira carta de hoje nos fala que o discipulado representa Renovação, Sacrifício e busca pela Sabedoria. Passemos, portanto, para a última carta.

O discípulo aceito

A nossa última carta analisada é o “discípulo aceito” e é a número 19 do tarot egípcio. A figura mostra um homem sentado sobre um quadrado, com vestes brancas e decoradas, segurando o báculo esférico e utilizando a coroa do Baixo Egito, símbolo da realeza. Na coroa aparece um Oréus, a serpente que representa a Sabedoria. A relação desta carta é direta com a carta que falamos anteriormente, pois agora o discípulo encontra-se em uma outra etapa da jornada do discipulado, mas antes de comparar e refletir sobre isso, vejamos as ideias e símbolos que são mostrados aqui.

Começando pelas ideias que já falamos anteriormente, temos o báculo esférico, representando a parte Espiritual do discípulo. Ele mantém-se com ele, mostrando ser um elemento que está diretamente ligado à jornada do discipulado, ou seja, a busca pelos Mistérios do Universo. É interessante perceber também que o discípulo agora está sentado em cima da caixa, a mesma que encontrava-se, anteriormente, à sua frente. Se na carta 22 a caixa representa esse sacrifício dos aspectos materiais que, em geral, dificultam a nossa caminhada Espiritual, agora esses aspectos mostram-se “domados”, sendo realizados voluntariamente, de acordo com a Vontade do discípulo. Ele senta-se em cima da caixa, colocando-se acima dela. A Íbis já não está mais nela, pois agora a Sabedoria caminha junto com o discípulo. Agora, ao invés da ave, temos um tigre dentro da caixa, representando nossos instintos que agora estão devidamente domados e já não exercem influência sobre o ele.

Um aspecto interessante dessa relação do sacrifício da matéria com o discípulo é que ele não deixa de estar em contato com o mundo material, ou seja, ainda vive e se expressa tal qual um ser “comum”, porém, as circunstâncias e os seus desejos não lhe tiram do seu caminho, ele os controlam e se coloca acima deles. Pensando sobre isso, podemos refletir sobre a nossa postura frente aos desejos e instintos que, em maior ou menor grau, atuam sobre cada um de nós. Por vezes, por exemplo, não resistimos a algum impulso, seja ele de que natureza for, e por mais que saibamos que essa não é uma postura adequada, cedemos as nossas “vontades”. O discípulo aceito, portanto, é aquele que sabe discernir suas prioridades, mantendo-se firme em sua conduta e vivendo cada momento na hora adequada.

Não por acaso, em seu peito mostra-se a imagem da Deusa Maat, que no Antigo Egito representava a Ordem e a Justiça. A Justiça, em poucas palavras, pode ser definida como a correta medida de todas as coisas, colocando-as cada uma em seu lugar de acordo com sua natureza e importância. Portanto, não se trata de negar os instintos e desejos, uma vez que eles existem e se expressam, mas de saber a hora adequada de vivenciá-los e, principalmente, não deixar que eles comandem a nossa vida. O discípulo aceito, portanto, domina todos os aspectos de sua personalidade, seja a razão ou a emoção, e a coloca a serviço do seu Caminho Espiritual.

Por ter essa capacidade, adquirida no caminho do discipulado, ele agora ostenta a coroa do Baixo Egito, pois tornou-se o Rei de si próprio. Com seus aspectos materiais controlados, o discípulo pode dedicar-se à vida Espiritual e olhar para os Céus, que também está representado na carta. Já não há Sol ou alguma estrela fora, pois o Divino já está desperto dentro de si, e assim, ele consegue caminhar sendo sua própria referência. Frente a isso, nesse estágio da caminhada entende-se que ele foi “aceito” nos Mistérios, por isso o nome da carta.

Essas são, sem dúvida, ideias bem elevadas. Entretanto, como podemos vivenciá-las em nosso dia a dia? Se utilizarmos essa imagem do discípulo aceito como um referencial, podemos, por exemplo, enxergar quais desejos e instintos ainda não conseguimos controlar. Junto a isso, pensemos sobre a ideia da Justiça – colocar cada coisa em seu lugar de acordo com sua natureza – para Harmonizarmos a nossa vida material, objetiva, com a nossa vida Espiritual, vivendo a partir de Princípios e Ideias. Em linhas gerais, grande parte das civilizações humanas buscaram esse referencial para estabelecer uma vida digna, enaltecendo sempre o aspecto humano do Homem. Assim, também podemos fazê-lo, desde que nos empenhemos para isso.

Por fim, encerramos a série com essa carta para nos lembrar da finalidade Humana de acordo com a Sabedoria Egípcia: retornar ao Divino a partir de uma vida dedicada ao Espírito. Assim, desejamos a todos que possamos colocar em prática as ideias aqui trazidas ao longo dos textos e que as cartas do tarot não sejam vistas apenas como um conhecimento místico, mas prático e útil para nossa vida cotidiana. 

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