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Bem vindos a parte III da nossa série “Desvendando os Tarots Egípcios.” Reforçamos que se você não viu os textos anteriores dessa série pode encontrá-los em nosso portal. Em nosso último texto, analisamos três cartas bem significativas do Tarot Egípcio: “A lua”, “O crocodilo” e “A ressurreição dos mortos”.

No texto de hoje analisaremos mais três cartas e seus símbolos, portanto, vamos mergulhar no misterioso e encantador mundo dos Tarots!

A coroa dos mágicos

A primeira carta que analisaremos hoje chama-se “A coroa dos mágicos” e no Tarot Egípcio ela possui o número 21. Nela podemos ver diversos elementos, mas, de modo geral, há no centro da imagem uma roda com 12 flores de lótus e no seu centro está um pássaro. Ao redor das flores de lótus temos quatro figuras distintas com um Sol ao fundo da carta. Na parte inferior, temos uma mulher tocando um instrumento musical de três cordas.

À primeira vista parece-nos uma carta sem a menor conexão entre seus elementos, mas vamos desvendá-los. Começando pela lótus, ela é a representação da Vida Espiritual, que em geral é a trilha dos discípulos. A lótus, como bem sabemos, se destaca das outras flores por emergir da água e abrir-se para o Sol. De maneira similar, o discípulo que busca encontrar sua parte Divina emerge a partir do mundo material, no qual há o desejo, os instintos e as paixões, e abre-se para o Sol, que simboliza a nossa parte mais Divina. 

Sendo assim, a roda de lótus mostra um aspecto do discípulo que supera seus ciclos e concentra-se na sua evolução. Por isso que ao centro podemos ver um pássaro de asas douradas, simbolizando nossa Alma desperta. Como nada em um Tarot é por acaso, o número de lótus são 12, tal qual os signos do zodíaco. Do mesmo modo, as quatro figuras ao redor das flores simbolizam as quatro estações do ano e seus solstícios e equinócios, que são os ciclos que o discípulo passa, e nos quais ele enfrenta suas provas. 

Para entendermos essa ideia, devemos relembrar que os Tarots, em geral, andam de mãos dadas com a astrologia. Portanto, não é de se surpreender que os símbolos utilizados nas cartas também tenham inspiração nesse conhecimento. Os astros, de maneira geral, são uma boa escolha para simbolizar momentos cíclicos, que buscam uma repetição na Natureza. 

Um outro símbolo que pode passar despercebido é o Sol ao fundo da imagem. Apesar de pequeno e distante, ele ilumina toda a carta, não dando espaço para sombras. Simbolicamente o Sol está relacionado com a ideia do Bem, do Divino. O fato dele iluminar toda a carta apresenta um aspecto de que o caminho do discípulo está banhado pela luz da Sabedoria e da Bondade. Portanto, para alcançar o ponto mais Divino que há em si é necessário que sua trilha esteja sendo guiada a partir da ideia do Bom, do Belo e do Justo, como diria Platão.

Entretanto, talvez a figura mais intrigante na imagem seja a mulher que toca seu instrumento, abaixo da roda. Ela é o discípulo em si e seu instrumento, ou seja, sua arma para alcançar a trilha da Sabedoria, que no caso, são suas Virtudes, simbolizada pelas três cordas. De acordo com a Sabedoria de antigas tradições, não apenas a egípcia, mas a hindu e a tibetana, fala-se que o Ser Humano possui três atributos Divinos, que juntos simbolizam nossa melhor parte: a Mente Pura, livre de desejos; a Intuição; e a Vontade. Assim, cada corda representaria esses aspectos mais Divinos do Ser Humano e com eles o discípulo poderia alcançar o ponto mais profundo do seu Ser.

Logo, podemos sintetizar “A coroa dos mágicos” em algumas palavras como: Trilha Discipular, Divindade e Ciclicidade.

O feixe de luz

Nossa próxima carta é a número 19 do Tarot Egípcio e é conhecida como “O feixe de luz”. Na carta vemos um Sol e seus raios em todas as direções, no centro do Sol há um círculo e uma reta, que juntos formam um símbolo. Abaixo do Sol podemos ver um homem e uma mulher dentro de um círculo de lótus, possivelmente um casal. 

Analisando os símbolos da carta, percebemos o Sol, que representa o Divino e o Bem. Para além disso, vale ressaltar que ele aponta seus raios para todas as direções, o que significa dizer que o Divino está em tudo e ilumina todos os espaços ao tocar. 

Aprofundando nos símbolos, temos no centro a união do círculo com uma reta, o que forma uma nova figura. Essa união simboliza a ideia do masculino e do feminino, que na Natureza pode ser representada a partir das dualidades. O que isso significa? Que a vida que conhecemos existe a partir dos opostos: quente e frio; dia e noite; seco e molhado; positivo e negativo, etc. Uma dessas dualidades também pode ser encarada como o aspecto masculino e feminino, que comumente representamos pela ideia de homem e mulher.

Porém, quando ainda separados, ou seja, quando não conseguimos unir essas duas ideias, ainda não podemos viver plenamente uma vida espiritual. Quando falamos em vida espiritual, de modo geral, estamos falando de uma vida integrada, em que todos os seus aspectos caminham para nos tornarmos Seres Humanos melhores. Visto isso, sempre que enxergamos as outras pessoas a partir do que elas têm de diferente de nós estamos nos afastando do nosso propósito Divino.  Em contrapartida, quando conseguimos unir essas duas ideias e torná-las uma, percebendo os pontos de união entre todas as pessoas e não suas diferenças, podemos alcançar um estado mais elevado e Divino, que está representado na carta como o Sol 

Embaixo temos, igualmente, um homem e uma mulher dentro de um círculo de lótus. Também já vimos a ideia da lótus na carta passada, simbolizando o caminho discipular e a Pureza. Sendo assim, para caminharmos em direção ao Divino é fundamental deixarmos de lado o aspecto dual da vida: não podemos separar e segregar nada no Universo, mas sim integrá-los. Só assim nos uniremos ao que há de Divino nas outras pessoas e em nós mesmos.

Trazendo para o nosso cotidiano, pensemos em todas as vezes que brigamos ou discutimos com alguém: nesses momentos estávamos unidos a essa pessoa, enxergando suas Virtudes? Ou será que estávamos nos separando delas, enxergando apenas nossas diferenças e peculiaridades? Sempre que criticamos, por exemplo, estamos fazendo um ato de separatividade, logo, não estamos vendo o que há de Divino na pessoa que destilamos nossas críticas. “O feixe de luz”, portanto, nos ensina que devemos buscar unir as dualidades que aparentemente nos separam. Acima dos aspectos que nos distinguem há uma Natureza Humana que nos liga a todas as pessoas, de qualquer nacionalidade, crença, etnia e sexualidade, portanto, estamos todos conectados.

Partindo dessas colocações, podemos sintetizar a carta 19 do Tarot Egípcio com as ideias de Dualidade, União e Divindade.

A torre

“A torre” é uma carta bastante conhecida no universo dos Tarots. Entretanto, quando se trata do Tarot Egípcio ela assume outras características e símbolos específicos. É a 16° carta do baralho e apresenta-nos um raio caindo diretamente em uma pirâmide, destruindo-a. Pouco abaixo do pico da pirâmide há dois homens, como que em queda: um, à esquerda, utiliza a coroa do baixo Egito, o que podemos deduzir que se trata de um ser de sabedoria ou faraó. Já o outro, a direita, não apresenta nenhuma característica marcante, sendo apenas um homem comum. A entrada do templo, na base da pirâmide, mostra-se fechada, escura, e assim termina a carta.

Começando a análise, podemos compreender que o raio destruindo a pirâmide é um símbolo do fim daquele sistema. “A torre”, de maneira geral, representa a dissolução de um período, sendo característico desses momentos a destruição dos aspectos mais marcantes de uma civilização. No caso do Egito, nada mais marcante e simbólico do que as pirâmides.

Ainda tratando desse aspecto da destruição, podemos perceber que nesse momento final não há diferença entre reis e servos, mestres e discípulos, sábios ou ignorantes. Todos passaremos por esse momento de transição. Nas culturas antigas, como a hindu, por exemplo, esse aspecto da destruição é bastante presente. Não por acaso um dos principais Deuses dessa civilização é Shiva, conhecido como “o destruidor”. Ele é responsável por eliminar as formas desgastadas da Natureza, para que assim possam ser criados novos elementos.

De igual maneira, “A torre” representa esse momento de destruição e renovação do mundo. Assim, as Almas Humanas irão voltar, de acordo com a cultura egípcia, para um novo momento. Por isso que a porta da pirâmide encontra-se fechada, pois não deve-se buscar abrigo ou proteção, uma vez que seria inútil. 

A carta, em síntese, retrata portanto esse momento de transição. Pensando em nossa vida cotidiana, há diversos momentos que passamos por transformações. Quando mudamos de emprego, por exemplo, uma rotina ou modo de viver desaparece e em seu lugar outra surge. Nesses casos é preciso que o velho morra e abra espaço para o novo surgir. E, de igual modo, em diversos momentos da nossa vida passamos por essas mudanças necessárias. Gostemos ou não, a vida nos obriga a nos movimentarmos e nem sempre estamos prontos para essas transformações. Logo, é comum não gostarem muito dessa carta no Tarot, mas é necessário compreendermos seu papel dentro das Leis da Natureza. 

Assim, não evitemos a mudança a qualquer preço e, mesmo que doa, que possamos entender que todo movimento do Universo conspira para a nossa evolução. E aqui chegamos a mais um texto sobre os Tarots Egípcios. Não perca a continuação dessa série e fique conosco para mais conteúdos. Até a próxima!

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