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O Mito das Amazonas – As mulheres mestres na arte da guerra

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos

Quando nos debruçamos sobre a história da civilização grega, principalmente seus mitos e sua Arte, um dos relatos que mais nos chama atenção é o das Amazonas. Contam os mitos que era uma sociedade de mulheres guerreiras, que teria existido em diferentes tempos históricos como, por exemplo, nos tempos de Homero, Heródoto, Alexandre o Grande, e até mesmo encontramos citações sobre elas em Colombo e na descoberta da América. Além de toda uma literatura encontrada, em diversos períodos e em vários povos, demonstrando a relevância histórica dessas mulheres guerreiras, estudos arqueológicos parecem confirmar não só sua existência, mas a possibilidade Humana, seja de mulheres ou de homens guerreiros, de sempre buscarem respostas para as circunstâncias da Vida, aprendendo, crescendo e se adaptando, à sua maneira.

Ao tratarmos das Amazonas, entretanto, os fatos e os mitos se misturam. É real, ao menos, que para nós a existência de mulheres guerreiras sempre povoou o nosso imaginário. Uma prova disso é a quantidade de filmes que produzimos com a temática, mas nosso interesse sobre o assunto não é de hoje.

Homero relata em seus poemas épicos, por exemplo, as Amazonas invadindo Atenas, na Guerra de Tróia. O mesmo autor narra o duelo entre Aquiles e a rainha Amazona Pentesiléia, na qual o herói apaixona-se pela guerreira ao tirar a armadura para matá-la. Elas também aparecem nas aventuras de Jasão e os Argonautas. No panteão greco-romano, as Amazonas aparecem como filhas de Ares, Deus da guerra, com a ninfa Harmonia, mostrando uma identificação com as ideias de Beleza e Bravura. Este mito nos faz pensar o quanto mulheres e homens podem fazer qualquer coisa, no caso serem guerreiros, desde que utilizem aquilo que possuem de potência interna e sem deixar de serem eles mesmos.

Hércules aprisionando Hipólita, a Rainha Amazona e pegando o cinturão de Ares.

Dentro da mitologia grega, a mais célebre luta das Amazonas foi com o Herói Hércules. Em um dos seus 12 trabalhos, Hércules rouba o cinturão da rainha amazona Hipólita, provocando os fatos que levariam a guerra contra a cidade de Atenas. Para saber um pouco mais sobre a história de Hércules, temos aqui na FeedoBem um texto sobre seus 12 trabalhos. Fazendo uma síntese, o Herói é chamado a servir a Humanidade fazendo trabalhos considerados impossíveis e necessários para que, desta forma, possa se redimir de erros. Ao retirar da Rainha Amazona o cinturão dado pelo seu pai, Ares (Marte na mitologia romana), Hércules tomava para si a invencibilidade e a proteção que tornavam as Amazonas imbatíveis.

O mito nos diz que sabendo dos motivos pelos quais Hércules precisava do cinturão – para seguir combatendo enormes feras – a rainha guerreira concordou em lhe entregar o presente de seu pai de bom grado. Mas Hera, a Deusa que coloca as provas aos Hérois fazendo-os assim se superarem, finge-se de Amazona e provoca maus entendidos entre os companheiros de Hércules, de tal maneira que, sentindo-se traído por Hipólita, o Herói e seu amigo, também herói Teseu, acabam aprisionando a rainha e sua irmã Antílope. Começa assim a guerra entre Atenas e as Amazonas. Guerra esta, que as mulheres guerreiras acabam derrotadas.

Guerra das Amazonas contra os Atenienses

Essas guerreiras eram retratadas como tão valentes e habilidosas quanto os guerreiros, mas também eram desejadas e temidas. É notório que nos relatos as guerreiras mulheres eram mostradas sim, como guerreiras, a seu modo, combatendo os inimigos não tanto com a força física, característica mais evidente nos homens, mais sim com a agilidade, a leveza e a destreza no manejo da arma de guerra, protegendo por fim, toda a sua tribo.

Também podemos encontrar no Egito Antigo, na Pérsia, no Oriente Médio, na Ásia Central, na Índia e na China várias citações sobre essas mulheres guerreiras. Além de aparecerem em mitos, existem importantes relatos históricos em autores como Heródoto, Platão e Estrabão sobre as façanhas das Amazonas em diversos momentos.

“Nós não poderíamos viver ao lado das vossas mulheres. Disparamos nossos arcos, arremessamos dardos e montamos a cavalo. (…) As vossas mulheres não fazem nada do que enumeramos. (…) Não caçam nem vão a nenhum outro lado. Desse modo, não suportaríamos este convívio”. (trecho no livro IV das Histórias de Heródoto)

Heródoto atribui estas palavras às Amazonas, quando elas dirigiam-se aos homens oriundos da Cítia, região extensa próxima ao Mar Negro até as fronteiras da Ásia Central. Ainda segundo o pai da História, “nenhuma garota se casa até que tenha matado um homem em batalha”, e por isso também as chamavam de Androktones, que significa “matadoras de homens”. Contam que as mulheres dessa região ainda tinham costumes antigos oriundos das suas ancestrais Amazonas, como “frequentemente sair para caçar a cavalo com seus maridos; participar da guerra; e vestir o mesmo tipo de roupa que os homens.”

Taléstris, rainha das amazonas, visita Alexandre, o Grande Ilustração de 1696.

Hipócrates, o grego considerado o pai da medicina, descreveu as Amazonas como as mulheres que não tinham o seio direito, pois precisavam mutilá-los para carregar melhor suas armas, como o arco e flecha. A partir desse detalhe se deu origem ao nome “Amazona”, uma vez que esse é derivado de “a-mazos”, que significa “sem seios”. Entretanto, apesar de parecer uma explicação convincente, não se encontra nenhuma representação das guerreiras desta forma, não sendo um consenso a origem do nome.

Escavações arqueológicas recentes na região da antiga Cítia, numa localidade da atual Rússia, evidenciam que as mulheres eram enterradas com armas, jóias, espelhos e algumas apresentavam corpos com machucados de guerra: crânios perfurados e pernas arqueadas, sinal de quem anda muito tempo á cavalo, enquanto que os corpos masculinos foram encontrados com vasos e até mesmo ao lado de corpos de crianças. Pensando sobre isso, as evidências nos levam a confirmar os vários relatos de uma sociedade onde as mulheres assumiram o posto de guerreiras e protetoras.

É admirável esta potência feminina para manifestar a sensibilidade e o Amor de diversas formas. No caso das Amazonas, protegendo, por exemplo, a sua tribo. Quando comparamos a nossa maneira de atuar no mundo com a dessas antigas guerreiras percebemos que, de alguma maneira, perdemos a capacidade de enxergar o quanto o Ser Humano é capaz de fazer tudo que é necessário na Vida, utilizando-se daquilo que tem como maior potência. Enquanto os homens, que notoriamente possuem maior força muscular, utilizam essa característica para proteger e guerrear, as mulheres, como vemos bem no exemplo das guerreiras Amazonas, podem utilizar a sua força aliada ao senso de proteção, a sensibilidade para com os demais, a leveza e a destreza no manejo de instrumentos. Sabendo quem somos e o que temos de maior potência podemos atuar na Vida buscando sempre dar o nosso melhor, desta forma todos somos capazes de superar qualquer situação que se apresente.

Sendo numa guerra ou numa batalha nossa do cotidiano, é importante nos autoconhecermos e, para além disto, nos identificarmos com este guerreiro interior que todos nós temos. Este guerreiro, sendo Amazona ou herói, que diante de uma situação de injustiça, de egoísmo, de falta de amor, se dispõe a encontrar suas armas mais poderosas – uma capacidade de compaixão, de sair da zona de conforto para ajudar aos demais, de ser leal aos seus Valores e mesmo com medo enfrentar as adversidades – para travar o combate em nome do melhor dele mesmo, em nome de uma sociedade mais Fraterna.

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