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Uma das perguntas mais difíceis de se responder é: “de onde viemos?”. Quando crianças, provavelmente fizemos essa pergunta aos nossos pais, que nos responderam de diferentes modos: desde a famosa história da cegonha até termos mais biológicos. Claro que enquanto infantes nossa dúvida era simples e pura, porém, à medida que vamos tomando consciência e desenvolvendo nossa razão, esse questionamento ganha novas proporções. Já não queremos saber de onde os bebês vêm, mas sim qual a origem da espécie humana.

Diversas áreas do conhecimento tentam, ainda hoje, uma resposta definitiva para essa pergunta. Se olharmos pelo viés da história e da biologia, por exemplo, encontraremos nossa humanidade em uma cadeia de evolução que vai do australopithecus, há cerca de 5 milhões anos, até o homo sapiens sapiens, que somos nós. Porém, nesse longo caminho evolutivo, há uma infinidade de lacunas que nossas fontes atuais não conseguem fechar. Assim, temos partes de fósseis e evidências de que, de fato, passamos por diversas transformações até chegarmos nos dias atuais, mas não sabemos praticamente nada desses ancestrais e sua forma de viver. 

A busca pela nossa origem, porém, não é um desafio apenas da ciência moderna. De fato, desde a antiguidade, filósofos e uma série de pensadores tentaram encontrar respostas acerca de onde viemos. Assim, a razão e a mitologia foram-se impregnando da necessidade de investigar essa espinhosa dúvida que ainda habita nossa mente e assim diversas teorias surgiram. Vale ressaltar, porém, que não estamos falando de uma lógica científica, baseada  em experimentos. Na verdade, grande parte do conhecimento das culturas antigas tinha por base ensinamentos religiosos e seus símbolos, enxergando assim ideias gerais da natureza que, consequentemente, também deveriam servir como leis para a humanidade.

Frente a isso, os mitos de criação da humanidade são inúmeros e seria demasiadamente longo falar detalhadamente de todos eles. Sendo assim, hoje abordaremos um desses mitos que, até o início do século 20, fez com que diversos cientistas procurassem incansavelmente provas de sua existência. Estamos falando do mito de Lemúria, o paraíso perdido.

Encontrado em algumas tradições, por vezes por outro nome, Lemúria seria, a grosso modo, o local de nascimento da humanidade. Esse mítico continente foi comparado ao Éden da religião cristã, outro local no qual teriam nascido os primeiros seres humanos. Mas, de onde surgiu essa ideia? Assim como a famosa Atlântida, Lemúria aparece em diversos escritos das civilizações grega e romana. Na cultura romana, por exemplo, existia uma celebração chamada “lemúrias”, na qual se tentava apaziguar os espíritos “maus”, ou seja, aqueles que não puderam entrar no mundo dos mortos. A própria palavra “lêmure”, para o povo latino, denota um significado negativo, de algo que não concretizou seu objetivo. Porém, as principais informações que conhecemos acerca do continente perdido constam no antigo Oriente, mais precisamente na região do Tibet.

Graças ao esforço de Helena Petrovna Blavatsky, que compilou os ensinamentos dessa remota região, somente no século 19 o Ocidente entrou em contato mais profundo com algumas ideias acerca desse mito. De acordo com Blavatsky, no ancestral continente de Lemúria habitavam seres semi-animais, subdesenvolvidos e que possuíam os dois sexos, ou seja, eram hermafroditas. Além disso, teriam uma estatura fora do comum, podendo ser considerados gigantes. O nome desses seres eram lemurianos e toda a espécie humana teria radicado deles.

De acordo com a doutrina de Blavatsky, baseado nos escritos tibetanos, os lemurianos ainda não eram o marco da humanidade, sendo resultado de um processo evolutivo ainda mais antigo. Desse modo, a humanidade que conhecemos seria muito mais um estágio evolutivo do que, de fato, uma versão definitiva do que chamamos de ser humano. Assim,, teriam existido, até o presente momento, cinco humanidades, ou seja, cinco formas distintas de seres humanos e que, nos dias atuais, o homo sapiens sapiens seria o mais desenvolvido e, naturalmente, o único nesse momento na Terra

Isso poderia ser, sem sombra de dúvidas, o roteiro de um filme de ficção científica. Entretanto, outros mitos também contam que os seres humanos, antes de terem a aparência dos dias atuais, já foram gigantes. O mito das almas gêmeas de Platão, por exemplo, nos diz que, antes de termos essa aparência, éramos, de fato, seres de duas cabeças, quatro olhos, braços e pernas e teríamos também os dois órgãos sexuais, podendo se autorreproduzir. Entretanto, ao desafiarmos os deuses, eles nos puniram, separando-nos em dois e dividindo os sexos. A partir desse momento, cada metade buscaria encontrar a sua outra face que fora separada. 

Se observarmos na cultura Asteca, por exemplo, veremos que a ideia de que já existiram várias formas de humanidade também se apresenta. E, por “coincidência” ou não, no mito desse povo pré-colombiano também foram cinco o número de humanidades que já pisaram na terra. Desse modo, diversos mitos falaram sobre esse continente (e humanidade) que foi perdido ao longo da História. Entretanto, acima disso, podemos refletir sobre o significado desses mitos e sua concepção para os povos antigos.

Recordando do termo em latim “lêmure”, podemos compreender que, para os romanos, a ideia sobre as lamúrias era de um passado que já não existia, tal qual os espíritos dos mortos, mas que ainda fazia-se presente. Nesse sentido, há uma compreensão de que seríamos, direta ou indiretamente, herdeiros dessa antiga humanidade subdesenvolvida. Se relembrarmos o mito de Platão, também podemos entender que há, para além do simbolismo do amor, uma chave importante e que remonta a esse misterioso passado da humanidade.

Apesar dos mitos apontarem nessa direção, o fato é que, até então, não há comprovação científica de que tenha de fato existido um continente entre a costa da África e o subcontinente indiano. Para os cientistas, portanto, a Lemúria não passa de um mito que serviu, até certo momento, para justificar nossa existência no mundo. Devemos lembrar, porém, que, assim como nos dias atuais, esse continente submerso é uma teoria descartada, assim também foi com Troia e Heliópolis, cidades que eram consideradas parte de lendas e mitos e que hoje sabemos que foram tão reais quanto as que vivemos hoje.

Portanto, não devemos simplesmente descartar tais ideias, mas sim tentar entender o sentido por trás de cada mito desses. Frente a isso, não há lição maior do que olhar para o passado da humanidade, seja considerando 100 mil, 5 milhões ou mesmo ainda mais distante que isso, e perceber que nossa existência é um pequeno pedaço, quase imperceptível, mas fundamental para completarmos esse imenso quebra-cabeças que chamamos de ser humano. Assim, Lemúria, Atlântida e nenhum outro paraíso perdido será somente um mito, mas um local de partida onde nossos primeiros passos foram dados. Se tivermos isso em mente, poderemos, de maneira segura, caminhar rumo ao nosso futuro e destino histórico.

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