A guerra é uma realidade da vida humana. Enquanto espécie estamos, a todo momento, lutando para sobreviver. Não por acaso, desenvolvemos ao longo da nossa evolução, um poderoso instinto de sobrevivência que nos alerta de perigos. Entretanto, não entramos em guerra somente para preservar nossa existência física. Em muitos conflitos o que desejamos é que nossas ideias e convicções prevaleçam sobre as outras opiniões. Esse modo de agir, consequentemente, resulta em diversas disputas e, em última consequência, guerras.

Partindo disso, as guerras marcam a história do Ser Humano por definirem, em grande medida, o destino de nações e formas de pensamento, afinal, a história é escrita pelos vencedores. Dentro dessa perspectiva, não podemos ignorar a principal guerra dos tempos modernos e suas consequências para a nossa vida atual: A Segunda Guerra Mundial. Ocorrida entre os anos 1939 e 1945, esse conflito entre diversas nações divididas em dois grandes blocos, o Eixo e os Aliados, marcou o século XX e impulsionou o mundo para uma nova realidade.

Durante os seis anos de conflito houveram dezenas de batalhas que poderiam ser elencadas nessa série, porém, uma delas foi, sem sombra de dúvidas, o ponto de virada da guerra e do nosso destino enquanto civilização. Estamos falando da Batalha de Stalingrado, ocorrida na antiga União Soviética.

Stalingrado (atual, Volgogrado) foi o palco da batalha mais sangrenta da história da humanidade. Ocorrida entre 1942 e 1943, envolvendo mais de 2 milhões de soldados e tendo cerca de 1,8 milhões de mortos, feridos ou capturados, ela superou qualquer estimativa e é uma demonstração do alto preço humano que pagamos nesses anos de conflito. Mas para entendermos as motivações que originaram esse combate devemos, primeiramente, entender o contexto da Segunda Guerra Mundial e suas motivações.

Portanto, voltemos para o século XX até a Alemanha pós Primeira Guerra Mundial e arrasada com os custos desse primeiro conflito. O tratado de Versalhes, feito em 1919, reduziu o exército da nação alemã, além de obrigá-los a pagarem uma enorme quantia à França e à Inglaterra, seus principais adversários na contenda. Assim, encontramos uma nação afundada em uma grave crise econômica e social. Nesse cenário caótico surge um homem, Adolf Hitler, que promete tornar a Alemanha uma grande nação novamente. Suas ideias anti-semitas, relativamente difundidas na sociedade alemã, rapidamente ganharam força quando Hitler assumiu o poder na Alemanha. Com um sentimento de revanche para com seus antigos adversários, a Alemanha iniciou uma série de invasões a outras nações.

Como consequência, França e Inglaterra, junto com a União Soviética, lançam-se novamente no front de batalha contra um antigo adversário, formando assim o lado dos Aliados. Já a Itália de Mussolini, representante do movimento Facista, alia-se a Hitler e também o Império Japonês, formando o Eixo.  

Para além dos aspectos históricos da Segunda Guerra Mundial, cabe a nós refletirmos sobre as ideias que levaram essas nações ao conflito armado. Se as causas da primeira guerra, em linhas gerais, estavam motivadas pela necessidade de conquistas e disputas de territórios importantes para a economia mundial, a motivação na guerra de 1939 estava voltada a um embate mais ideológico do que necessariamente econômico. A Alemanha Nazista tinha como projeto de Estado a formação de um Império (o III Reich) que tornaria a mentalidade nazista dominante no globo. Assim, as invasões de Hitler a outros países como Bélgica e Holanda, por exemplo, tinham um valor muito mais ideológico do que político ou econômico. Visto isso, o que estava em jogo não resumia-se a ter novos mercados de influência e lucro, mas principalmente um novo estilo de vida pautado a partir das ideias nazistas.

Motivados por suas ideologias, os Aliados e o Eixo foram para seus fronts de batalha, causando a morte de aproximadamente 60 milhões de Seres Humanos. Esse é, sem dúvida, um número assustador e talvez seja esse o principal motivo de sempre relembrarmos dessa guerra, afinal, não devemos permitir que isso volte a ocorrer em nosso mundo outra vez. 

Agora que conhecemos o contexto histórico da Batalha de Stalingrado, vamos entender um pouco melhor a tão decisiva contenda entre a Alemanha e a União Soviética. Ela teve uma duração de aproximadamente 8 meses, um período excessivamente longo para o formato de batalha dos alemães. Só a nível de comparação, em apenas 3 meses a Alemanha havia dominado todo o território da França, obrigando os franceses a se renderem. Logo, o que ocasionou que uma cidade resistisse por tanto tempo ao poderio do exército alemão?

Tal qual a maior parte das batalhas da Segunda Guerra Mundial, em Stalingrado os alemães usaram a tática de Blitzkrieg, guerra relâmpago. Com um massivo bombardeio usando aviões e uma tropa de pequenos tanques de guerra, mais ágeis e versáteis em combate, o exército alemão avançava e conquistava rapidamente seus adversários. Assim, a Blitzkrieg alemã atacou a cidade e progrediu rapidamente na cidade Soviética. Conta-se que o plano de Hitler era executar todos os homens da cidade e deportar as crianças e mulheres, pois seria impossível aceitar uma rendição pacífica dos comunistas. Assim, a sangrenta batalha foi sendo levada a todas as casas e, inicialmente, tudo mostrava-se favorável para o Eixo.

No outro lado do front, os soviéticos eram impelidos por seu Líder, Joseph Stalin, a manterem a defesa da cidade. Tanto civis como militares não estavam autorizados a recuar, sendo a rendição impensável. Desse modo, as únicas opções em Stalingrado eram matar ou morrer. Nas primeiras semanas da ofensiva nazista calcula-se que cerca de 40 civis foram mortos, resultado das centenas de bombas lançadas sobre os bairros da cidade. Além disso, praticamente todos os prédios de Stalingrado tornaram-se ruínas. Aos poucos a cidade foi sendo conquistada pelo exército alemão, porém não sem uma forte resistência.

O rumo da batalha estava praticamente definido, mas uma operação militar soviética mudou a história. Nomeada de “Operação Urano”, essa estratégia fez com que o exército soviético, contingenciado fora da cidade de Stalingrado, conseguisse flanquear o front alemão e acabasse cercando os nazistas dentro da cidade recém conquistada. Devido a extensão do exército soviético e a campanha demasiadamente demorada, os alemães já não tinham recursos suficientes para resistir por muito tempo. Assim, enfrentando a falta de comida, água e munição, o cerco de Stalingrado arrastou-se ainda por alguns meses, tornando a situação do exército alemão ainda mais precária. Muitos soldados chegaram a morrer de fome, muitos outros de frio. O próprio comandante do exército, Von Paulus, pediu várias vezes que Hitler ordenasse a rendição do exército, para poupar os homens da morte iminente. O Fuhrer alemão, porém, não acatou o pedido e reforçou que Stalingrado deveria ser defendida até o último homem.

Uma segunda operação soviética, desta vez denominada “operação saturno”, ainda viria a dificultar ainda mais o cerco ao exército alemão. Criando dois círculos de combate, um interno e outro externo, eles impediam que o exército em Stalingrado escapasse e, ao mesmo tempo, defendia qualquer possível ajuda externa. Aviões da força aérea alemã, a Luftwaffe, ainda tentaram enviar suprimentos jogando-os dentro da cidade, mas a artilharia antiaérea soviética abateu dezenas de aviões, o que fez essas manobras serem interrompidas. 

Com o colapso do seu exército, Von Paulus, para impedir a morte de todo seu batalhão, levantou a bandeira branca em 2 de fevereiro de 1943. 90 mil homens foram feitos prisioneiros de guerra, a maioria estava à beira da morte por inanição ou ferimentos.

A partir da vitória em Stalingrado, o exército soviético começou uma marcha no Front Oriental da guerra que só parou em Berlim, em maio de 1945. Pelo caminho foram reconquistando os territórios tomados pelos alemães e vencendo todos os confrontos com o Eixo. Do lado Ocidental, os Aliados também teriam vitórias importantes, mas nenhuma teve um preço humano tão alto quanto a Batalha de Stalingrado. Relatos da época mostram que se a resistência na Batalha de Stalingrado fracassasse era muito provável que a União Soviética fosse tomada por Hitler, uma vez que suas forças e recursos também estavam no limite.

Desse modo, é senso comum entre os pesquisadores desse período histórico a relevância da Batalha de Stalingrado como ponto de virada na Segunda Guerra Mundial. Além de uma das primeiras derrotas do exército alemão, Stalingrado representou um duro golpe na ideologia supremacista de Hitler, que acreditava ter um exército invencível devido à “raça ariana”. Mas o que poderia acontecer caso os nazistas tivessem sido vencedores?

Partindo desse cenário, é provável que hoje diversos países do chamado “terceiro mundo” estivessem sob dominação alemã, em um novo processo de colonialismo. Segundo a ideologia nazista, o “espaço vital” que deveria ser constituido a base da raça ariana estaria apoiado na subserviência e dominação das outras etnias, sendo latinos, mestiços e tantos outros povos subjugados por eles. Assim, grande parte da população mundial seria exterminada ou levada para campos de concentração, tal qual os judeus.

Apesar de não podermos prever o futuro, essa hipotese sustenta-se na base da ideologia nazista. Porém, esse é um futuro que não existe e jamais precisaremos conhecer um modelo cruel como o imposto na Alemanha dos anos 1930 e 1940. 

Por fim, é fundamental compreendermos as nuances do maior conflito da história da humanidade e suas repercussões nos dias atuais, pois somos fruto dessa história, somos gerações herdeiras, nascidas na liberdade e que desfrutam desse mundo que foi garantido graças ao sangue de milhões de Seres Humanos. Isso nos dá uma responsabilidade ainda maior frente a nossa civilização, pois é nosso papel não permitir que eventos trágicos como esse voltem a ocorrer. Sejamos, portanto, dignos de representar a Liberdade e Honrar o sacrifício destes homens e mulheres que não permitiram que a separatividade reinasse sobre a Terra. Sejamos os novos guardiões da Liberdade e busquemos nos unir a todos os Seres Humanos, sem distinção de nenhuma natureza.

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