Imagine uma civilização muito avançada, que dominava uma espécie de energia da Natureza, semelhante à energia atômica, e que teria chegado a avanços tecnológicos surpreendentes. Nessa civilização as naves seriam capazes de sobrevoar a algumas centenas de metros acima da terra, levando grandes toneladas de materiais, utilizados em construções colossais. Essa misteriosa civilização também teria desenvolvido um conhecimento muito avançado da astronomia, arquitetura, navegação, medicina e ainda criaram um sistema social, político e econômico muito sofisticado. No entanto, alterações climáticas e sísmicas teriam destruído esse povo e levado todos os seus conhecimentos para as profundezas oceânicas.

A misteriosa civilização a qual descrevemos seria a lendária Atlântida. Essa descrição, porém, não é integralmente comprovada pela ciência. Apesar disso, se reunirmos as milhares de descobertas arqueológicas que apontam nessa direção, bem como os escritos antigos que mencionam a misteriosa civilização poderemos, no mínimo, desconfiar de que há algo para além do mito que cerca Atlântida.

Hoje costuma-se dizer que o primeiro homem a falar de Atlântida foi Platão no livro Timeu. Entretanto, os escritos mais antigos da humanidade já falavam sobre uma antiga civilização e seus grandes feitos. Tomemos como exemplo o Vishnu Purana, que é um escrito sagrado do hinduísmo com cerca de sete mil versos, no qual já falava de Atlântida, não com esse nome, mas com uma descrição semelhante.

Outro escrito antigo que já falava de uma civilização muito desenvolvida que teria sido tragada pelas águas oceânicas são as Estâncias de Dzyan, que são pergaminhos antigos descobertos no Tibete pela filósofa Helena Blavatsky.

Nos escritos da Antiguidade Clássica a menção a uma civilização, ou a uma ilha, ou um continente submerso, é muito farta. Aristóteles, já no Século III a. C, escreve sobre uma grande ilha situada no Atlântico que teria desaparecido, à qual os cartagineses chamavam de Antília. Já Homero e Plutarco descrevem também um continente chamado Saturnia e uma ilha de nome Ogygia. Na Odisséia se fala de uma ilha localizada no centro do mar e governada por Atlas. Hesíodo, no Século VIII a. C, já falava de uma civilização de pessoas com pele avermelhada que abandonou o Sol e foi absorvida pelas águas no decorrer de uma noite. Isso para citar alguns autores antigos, mas essa lista não termina por aqui: Tucídides, Apolodoro, Tertuliano, Fílon de Alexandria, Arnóbio, entre muitos outros historiadores, filósofos e mestres antigos, com dois mil anos de tradição ou mais, escreveram sobre o desaparecimento de uma civilização.

Essa farta literatura a respeito, associada a descobertas de pedras trabalhadas pela mão humana no fundo do Oceano, vem levando o pensamento científico moderno a levantar diversas hipóteses quanto ao que teria sido a Atlântida. Já se propôs que teria sido a Antártida antes do último período glacial, e seus escombros estariam por baixo da grossa camada de gelo. Já se propôs também que teria sido localizada na região oceânica onde hoje existem as ilhas canárias, ou os arquipélagos de Açores, Madeira, Cabo Verde, isso porque essa região possibilitaria a navegação para o Egito bem como para a América e são fartas as descobertas arqueológicas que apontam semelhanças entre as civilizações meso-americanas e a civilização egípcia. Há hipóteses que relacionam Atlântida com a ilha de Creta, que hospedou a civilização minóica que existiu até o Século XVI quando foi destruída por catástrofes sísmicas.

Todo esse oceano de menções, hipóteses, descobertas, mitos e lendas em torno de Atlântida nos leva à conclusão de que não conhecemos bem o passado da Humanidade, não conseguimos saber com exatidão o que aconteceu, mas resta evidente que a Alma Humana é muito misteriosa e que já atingiu níveis civilizatórios muito elevados no passado. Isso nos mostra que podemos ser melhores do que hoje somos e podemos ser mais fortes, pois já fomos assim no passado.

A nossa história tem muito mais a ver com uma curva sinuosa cheia de inflexões, com altos e baixos, apogeus e decadências, do que com uma linha reta. Não progredimos de maneira linear, como às vezes nos parece. Convivemos com a falsa impressão de que quanto mais antigo, mais atrasado e subdesenvolvido, mas isso é uma ilusão. Nosso passado é cheio de ciclos, de elevações e desabamentos. As descobertas arqueológicas nos descortinam passados de muita elevação moral, civilizatória e de muita decadência também.

Não somos fruto de uma programação rígida e inexorável do Universo, pelo contrário, podemos nos elevar e podemos cair lá de cima para um abismo. Tudo depende do que estamos fazendo agora. Se alimentarmos um impulso de afastamento das grandes Ideias da Humanidade, como Justiça, Amor, Busca da Verdade, Busca do Sagrado e do Divino, o futuro que nos espera é a decadência civilizatória e a barbárie. Porém, se buscarmos nos ligar profundamente a essas idéias, associando-as a um refinamento Humano na vida cotidiana, baseado no cultivo de Valores como Coragem, Autodomínio, Sabedoria, Justiça, então estaremos semeando um futuro de elevação aos altos ideais.

Hoje o que percebemos em nossa civilização é um grande desmoronamento moral e civilizatório. A corrupção política, o esvaziamento de sentido predominante hoje nas redes de comunicação, a busca pelo lucro a qualquer custo, o avanço do consumismo e a postura de ignorância diante da Natureza, demonstram que estamos descendo uma ladeira histórica. Mas podemos mudar esse destino. Basta olharmos para o histórico das grandes civilizações e percebermos o que os move. Toda grande civilização é movida por fortes ideias. Os romanos, por exemplo, desenvolveram um sistema de direito tão sofisticado que até hoje todo o nosso sistema jurídico encontra neles a sua raiz. Já os gregos destacaram-se na história pela filosofia, pela busca das ideias metafísicas. Não há civilização sem bases profundas nas grandes ideias. Se quisermos retardar a queda desta sociedade atual, temos que nos aproximar das ideias profundas que balizaram todas as grandes civilizações, as ideias de Justiça, de Unificação em torno de um centro, de busca da Sabedoria, essas são ideias que devemos buscar como sementes de uma Nova Humanidade.

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