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Você provavelmente já ouviu falar do mito de Atlântida. Caso não se lembre, Platão, o grande filósofo grego, nos conta que há muitos milênios, antes de sua era, existiu uma civilização extremamente inteligente, capaz de controlar a Natureza e detentora de uma sabedoria invejável, mas que acabou desaparecendo da face da Terra após uma série de eventos climáticos.

Para muitos essa é apenas uma alegoria que o filósofo usou para a Humanidade, que, ao mesmo tempo que é capaz de moldar a natureza e transformá-la, também é refém das suas intempéries. Há, contudo, outras interpretações para o relato platônico quando comparado com a mesma ideia de uma civilização antiga capaz de fazer grandes feitos tecnológicos.

Entre os povos pré-colombianos, por exemplo, fala-se de povos que vieram do Leste e ensinaram os antigos habitantes da América os segredos do milho; No Egito, conta-se que os primeiros reis eram deuses e Osíris, o deus do submundo, era um verdadeiro rei-sábio que também veio de uma terra distante para ensinar os homens a plantar. Ainda de acordo com os egípcios, o deus Toth teria ensinado o idioma mágico, os hieróglifos, capazes de realizar magia e fórmulas para sobreviver na eternidade.

Assim, diferentes civilizações apontam para uma mesma direção: a existência de um povo ou de seres mais evoluídos, capazes de ensinar ao ser humano comum a base para o desenvolvimento de um povo. Mas como seria uma civilização como Atlântida?

Quem eram os Atlantes?

Primeiramente, imagine uma civilização muito avançada, que dominava uma espécie de energia da Natureza, semelhante à energia atômica, e que teria chegado a avanços tecnológicos surpreendentes. Nessa civilização as naves seriam capazes de sobrevoar a algumas centenas de metros acima da terra, levando grandes toneladas de materiais, utilizados em construções colossais. 

Essa misteriosa civilização também teria desenvolvido um conhecimento muito avançado da astronomia, arquitetura, navegação e medicina; e ainda teria criado um sistema social, político e econômico muito sofisticado. Tudo isso garantia um grande controle da natureza, das formas e mostrava uma capacidade praticamente ilimitada de construção e expansão para novas áreas, muito similar ao que encontramos na sociedade atual. 

No entanto, alterações climáticas e sísmicas teriam destruído esse povo e levado todos os seus conhecimentos para as profundezas oceânicas. De acordo com Platão, essas alterações profundas realizadas por esse povo fez com que a Terra entrasse em uma grande espiral de acontecimentos desastrosos, o que afundou o continente em que viviam. Assim, pode-se afirmar que foram os próprios Atlantes que cavaram sua própria destruição.

Apesar do relato de diversas fontes antigas, essa descrição sobre a Atlântida não é comprovada pela ciência. De fato, nunca foi encontrado um continente submerso nas descrições platônicas ou mesmo de outros mitos, o que leva a supor que Atlântida talvez nunca tenha existido. Apesar disso, se reunirmos as milhares de descobertas arqueológicas que apontam nessa direção, bem como os escritos antigos que mencionam a misteriosa civilização, poderemos, no mínimo, desconfiar de que há algo para além do mito que cerca Atlântida.

Atlântida e os escritos antigos

Um fragmento da Atlântida de Helânico de Lesbos

Se por um lado o relato mais conhecido sobre Atlântida vem de Platão, é possível que os escritos mais antigos da Humanidade já falavam sobre uma antiga civilização e seus grandes feitos. Tomemos como exemplo o Vishnu Purana, que é um escrito sagrado do hinduísmo com cerca de sete mil versos,  o qual já falava de Atlântida, não com esse nome, mas com uma descrição semelhante; no livro “A doutrina secreta”, Helena Petrovna Blavatsky também já demonstrava que os antigos tibetanos já comentavam sobre essa civilização, mostrando que o relato grego é apenas mais um entre tantas narrativas conhecidas sobre os Atlantes.

Nos escritos da Antiguidade Clássica, a menção a uma civilização, ou a uma ilha, ou um continente submerso, é muito farta. Aristóteles, já no Século III a. C, escreve sobre uma grande ilha situada no Atlântico que teria desaparecido, à qual os cartagineses chamavam de Antília. Já Homero e Plutarco descrevem também um continente chamado Saturnia e uma ilha de nome Ogygia. 

Na Odisseia, fala-se de uma ilha localizada no centro do mar e governada por Atlas. Hesíodo, no Século VIII a. C., já falava de uma civilização de pessoas com pele avermelhada que abandonou o Sol e foi absorvida pelas águas no decorrer de uma noite. Isso para citar alguns autores antigos, mas essa lista não termina por aqui: Tucídides, Apolodoro, Tertuliano, Fílon de Alexandria, Arnóbio, entre muitos outros historiadores, filósofos e mestres antigos, com dois mil anos de tradição ou mais, todos esses escreveram sobre o desaparecimento de uma civilização.

As evidências de Atlântida

Mapa de Atlântida feito por Athanasius Kircher, situando-a no meio do Oceano Atlântico, da obra Mundus Subterraneus, publicada em Amsterdã em 1669. O mapa está orientado com o sul no topo
Mapa de Atlântida feito por Athanasius Kircher, situando-a no meio do Oceano Atlântico, da obra Mundus Subterraneus, publicada em Amsterdã em 1669. O mapa está orientado com o sul no topo

Essa farta literatura a respeito, associada a descobertas de pedras trabalhadas pela mão humana no fundo do Oceano, vem levando o pensamento científico moderno a levantar diversas hipóteses quanto ao que teria sido a Atlântida. Sobre esses achados no fundo do mar, você pode aprofundar seu conhecimento lendo o nosso texto sobre esse assunto clicando aqui.

Já se propôs que teria sido a Antártida antes do último período glacial e que seus escombros estariam por baixo da grossa camada de gelo. Já se propôs também que teria sido localizada na região oceânica onde hoje existem as ilhas canárias, ou os arquipélagos de Açores, Madeira, Cabo Verde; isso porque essa região possibilitaria a navegação para o Egito, bem como para a América, e são fartas as descobertas arqueológicas que apontam semelhanças entre as civilizações meso-americanas e a civilização egípcia. Há hipóteses que relacionam Atlântida com a ilha de Creta, que hospedou a civilização minoica, que existiu até o Século XVI, quando foi destruída por catástrofes sísmicas.

Apesar da falta de provas, de acordo com a literatura e as descrições dadas pelos mitos, é provável que a ilha de Atlântida esteja submersa no oceano Atlântico, em alguma profundidade que ainda não somos capazes de detectar. Apontar essa localização só é possível devido aos relatos dos povos pré-colombianos que afirmam que essa civilização veio do Leste, enquanto os relatos egípcios e grego falam que eles estavam à Oeste. Apesar disso, a dificuldade de mapear os mares e encontrar evidências cabais da existência dessa civilização segue como um verdadeiro enigma da Humanidade.

Todo esse oceano de menções, hipóteses, descobertas, mitos e lendas em torno de Atlântida nos leva à conclusão de que não conhecemos bem o passado da Humanidade e não conseguimos saber com exatidão o que aconteceu, mas, apesar desses fatores, fica evidente que a Alma Humana é muito misteriosa e que já atingiu níveis civilizatórios muito elevados no passado. Isso nos mostra que podemos ser melhores do que hoje somos e podemos ser mais fortes, pois já fomos assim no passado.

A nossa história tem muito mais a ver com uma curva sinuosa cheia de inflexões, com altos e baixos, apogeus e decadências, do que com uma linha reta. Não progredimos de maneira linear, como às vezes nos parece. No entanto, convivemos com a falsa impressão de que, quanto mais antigo, mais atrasado e subdesenvolvido, mas isso é uma ilusão. Na verdade, nosso passado é cheio de ciclos, de elevações e desabamentos. As descobertas arqueológicas nos descortinam passados de muita elevação moral, civilizatória, e de muita decadência também.

Refletindo sobre esse aspecto, é importante constatar que não somos fruto de uma programação rígida e inexorável do Universo. Pelo contrário, podemos nos elevar e podemos cair lá de cima para um abismo. Tudo depende do que estamos fazendo agora. Assim, imaginar a evolução como uma linha reta de progresso infinito é um equívoco. Apesar de ser uma lei, a evolução tem diferentes nuances, com subidas e descidas num movimento rítmico. Assim, civilizações nasceram e morreram, e a Humanidade, em meio às alegrias e às dores destes momentos, segue seu caminho de expansão.

Se alimentarmos um impulso de afastamento das grandes Ideias da Humanidade, como Justiça, Amor, Busca da Verdade, Busca do Sagrado e do Divino, o futuro que nos espera é a decadência civilizatória e a barbárie. Porém, se buscarmos nos ligar profundamente a essas ideias, associando-as a um refinamento humano na vida cotidiana, baseado no cultivo de Valores como Coragem, Autodomínio, Sabedoria, Justiça, então estaremos semeando um futuro de elevação aos altos ideais. 

Hoje, o que percebemos em nossa civilização é um grande desmoronamento moral e civilizatório. A corrupção política, o esvaziamento de sentido predominante hoje nas redes de comunicação, a busca pelo lucro a qualquer custo, o avanço do consumismo e a postura de ignorância diante da Natureza demonstram que estamos descendo uma ladeira histórica. Mas podemos mudar esse destino. Basta olharmos para o histórico das grandes civilizações e percebermos o que as move. Toda grande civilização é movida por fortes ideias. Os romanos, por exemplo, desenvolveram um sistema de direito tão sofisticado que até hoje todo o nosso sistema jurídico encontra neles a sua raiz. Já os gregos destacaram-se na história pela filosofia, pela busca das ideias metafísicas.

Isso demonstra que não há civilização sem bases profundas nas grandes ideias. Se quisermos retardar a queda desta sociedade atual, temos que nos aproximar das ideias profundas que balizaram todas as grandes civilizações, as ideias  de Justiça, de Unificação em torno de um centro, de busca da Sabedoria. Essas são ideias que devemos buscar como sementes de uma Nova Humanidade. 

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