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Cada cultura tem suas particularidades. A multiplicidade de formas culturais existentes em nosso planeta é fruto da nossa capacidade de criar símbolos e interpretar os fenômenos da natureza. Junto a isso, cada grupo humano, vivendo em locais distintos, aces sam as ideias e as traduzem ao seu modo. 

Um bom exemplo disso são os Índios Hopi. Você já ouviu falar deles? É provável que não, mas não tem problema, pois hoje vamos conhecer um pouco sobre a cultura milenar desse povo e suas principais ideias. Antes de entrar propriamente no assunto, porém, devemos fazer uma reflexão importante acerca das tradições antigas e seus símbolos.

Normalmente consideramos algo tradicional como “fora de moda” ou “conservador”. Infelizmente esse é um conceito equivocado utilizado pelo senso comum. Na verdade, chamamos de tradicional um conhecimento ou saber adquirido e refinado ao longo do tempo, ou seja, é um conhecimento que cresce e se fortalece a partir do desenvolvimento e de novas descobertas. Logo, a tradição é o que nos dá sustento para alcançar maiores horizontes, pois seria um caminho árduo iniciar um novo conhecimento a partir do zero.

Visto isso, precisamos entender que culturas e tradições antigas não são um conhecimento que “passou da validade” e não serve mais. Pelo contrário, seus símbolos carregam ideias que são atemporais e ainda formam a base das nossas investigações. Logo, elas nos garantem uma direção e apontam um ponto de vista que, em geral, tendemos a desconsiderar. Se, por outro lado, passarmos a pensar em suas possibilidades, a chance de expandir nossa percepção aumenta e assim caminhamos rumo a uma Verdade mais consistente. 

Feitas tais considerações, precisamos entender que os Índios Hopi são uma tribo de nativos americanos que sobreviveram à invasão europeia durante os séculos XVI a XIX. Como bem sabemos, os povos originários da América estão nesse continente há pelo menos 30 mil anos, como apontam diversos estudos arqueológicos. Entretanto, ao investigarmos a tradição dos Índios Hopi, esse dado pode ser ainda mais antigo, pois, segundo a mitologia dessa cultura eles teriam chegado a essas terras após um grande cataclisma que afundou seu antigo lar e fez ocorrer imensas enchentes.

É interessante notar que os Índios Hopi contam uma versão conhecida de outras histórias mitológicas, o que nos aponta para uma história comum, ou pelo menos a ideia geral que a compõe. Quem de nós, por exemplo, não ouviu falar no dilúvio? Uma grande inundação que teria varrido grande parte da vida na Terra, fazendo o Ser Humano “começar” sua jornada quase do zero? Do mesmo modo, se observarmos a cultura greco-romana, temos o mistério de Atlântida, o continente perdido que teria sido afundado por um cataclisma. Não pretendemos dizer que os mitos ocorreram tal qual estão escritos, mas se faz curioso pensar que diferentes culturas, em locais distintos da Terra, possam pensar em histórias tão parecidas.

Mas esse é apenas um traço da cultura Hopi que merece destaque. Essa tribo indígena, que hoje vive em uma reserva situada entre o Arizona e o Novo México, acredita que a experiência humana está dividida em sete etapas, ao qual eles chamam de “mundos”. Atualmente estaríamos vivendo próximos do fim do quarto mundo e somente alguns, os melhores e mais capazes de fazer a Humanidade seguir para o seu quinto estágio, sobreviveriam. Além dessa percepção sobre seleção natural e evolução, há ainda um aspecto mais intrigante dos Índios Hopi, quando se trata de explicar a transição entre esses momentos (“mundos”) do Ser Humano.

Segundo sua cultura, por exemplo, no fim do terceiro mundo os homens enfrentaram uma série de adversidades, mas teriam sido ajudados por seres vindos de outras estrelas, os Katchinas. Esses seres interestelares, que segundo os Hopi seriam “grandes seres” ou “mestres”, vieram e ajudaram os humanos a não entrarem em extinção frente a tantos desastres. Os ensinaram técnicas e como sobreviver nesse novo ambiente. Após isso eles teriam retornado à sua estrela, mas prometeram voltar e continuar ajudando o Ser Humano em sua evolução. 

Sem dúvida esse poderia ser um roteiro de filme, porém, mais uma vez, essa não é uma história completamente desconhecida para nós. Comparando a lenda Hopi com o mito de Prometeu, o Titã que roubou o fogo divino para ajudar o homem a evoluir, podemos encontrar diversas semelhanças. Em ambas as histórias a Humanidade seria eliminada, mas graças a ajuda de um (ou uns) Ser Divino ou de outro patamar, nós somos salvos. Além disso, esse Ser ainda nos apresenta ferramentas que nos auxiliam na construção da civilização. Ainda comparando esses seres nas duas histórias, prometem retornar e continuar ajudando a Humanidade. Muita coincidência, não é?

Por que culturas tão distintas conseguem produzir um mito com aspectos tão semelhantes? Uma chave para responder essa pergunta está em uma antiga frase que diz que os sábios não precisam de livros pois eles leem na Natureza. Ou seja, o conhecimento, para quem detém a Sabedoria, está na Vida, na Natureza e nas suas formas de expressão. Visto isso, a cultura, os livros, as frases e tudo mais são apenas formas de traduzir essa ideia. Portanto, como saber se uma cultura ou ideias expressas em um mito são válidas? O primeiro passo é comparar com outros mitos e encontrar suas relações, assim entendemos a validade dessas ideias

Um outro aspecto dos Índios Hopi estão em seus oráculos. Conhecidos por suas profecias, os Hopi acreditam fortemente que estamos vivendo próximo do fim do quarto mundo e que a Humanidade deverá passar por profundas transformações. Segundo sua profecia, o início do quinto mundo se daria após concretizado o nono sinal, que seria a chegada de uma estrela azul em nossa atmosfera.

A princípio isso não nos parece assustar, mas há quem especule que os oito primeiros sinais já se manifestaram durante nossa estadia no quarto “mundo”, logo, falta apenas mais um. Para além das especulações, há aqui uma ideia mais interessante para pensarmos quando falamos sobre esses ciclos: a Evolução.

Nenhum progresso é linear, isso bem sabemos. Todos nós temos altos e baixos, ciclos que estão eternamente se fechando e recomeçando. Esse é o ritmo da vida: dia e noite, estações do ano, décadas, séculos. A vida segue um ritmo harmônico e se desenvolve dentro dele. Sabendo disso, os Índios Hopi não se afastaram dessa ideia e conceberam essa percepção de que a Humanidade evolui também em ciclos e que o encerramento de um dá, naturalmente, a semente da vida às próximas gerações.

Se olharmos para a nossa história, seja pessoal ou enquanto civilização, perceberemos essa mesma dinâmica. Vivenciamos diferentes ciclos de auge e declínio, vimos civilizações inteiras ruírem, mas de suas ruínas levantamos novas e mais sofisticadas sociedades. Parece-nos, cada vez mais, que nada surge “do nada” e que somos eternos devedores daqueles homens e mulheres que vieram antes de nós. Aqueles que abriram o caminho para chegarmos mais longe.

Se hoje perdemos um pouco o respeito pelas culturas tradicionais, aquelas que vez por outra consideramos como “atrasadas” ou “primitivas” é porque nos desconectamos dessa realidade. Acreditamos que podemos nos erguer sozinhos, sem ajuda ou uma base sólida, mas isso é um erro. Mesmo sem enxergarmos, essas culturas e ideias estão ao nosso redor, nos ajudando a evoluir. É similar a uma corrente em que seus elos continuam ligados e fortes, não pelos elos em si, mas pela força da corrente que os liga. 

Portanto, há muito o que aprendermos com os Índios Hopi. Sua Sabedoria, preservada a sangue e ferro, continua viva não apenas nas reservas destinadas a esse povo, mas na Natureza, pois é dela que advém seu conhecimento. Que não sejamos negligentes ou preconceituosos com esse povo, mas sim que saibamos honrar a Sabedoria expressa em seus rituais, mitos e lendas. Se assim o fizermos, estaremos sempre conectados com todas as culturas do mundo, pois seremos apenas uma só Humanidade. Que possamos, enfim, ser a semente do quinto mundo que está por vir.

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