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Janmashtami – O Belíssimo Festival de Krishna que celebra a união com o divino

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos

Todas as religiões têm suas datas comemorativas. No cristianismo, por exemplo, celebramos o nascimento de Cristo no Natal, e seu sacrifício para redimir os pecados dos Homens, na Páscoa. É comum marcarmos datas de nascimento ou morte para relembrarmos e nos conectarmos com esses grandes Seres que iluminaram o mundo. Seguindo ou não uma religião, reconhecer a mensagem que estes Homens trouxeram perpassa o ponto de vista religioso, pois são visões que tratam da essência do Ser Humano. Assim, mesmo não seguindo seus dogmas, todos nós podemos nos conectar com a doutrina passada por Cristo, Buda, Krishna, Orfeu e tantos outros mestres de sabedoria que a humanidade recebeu. Esses mestres recebem homenagens até hoje e suas biografias estão diretamente relacionadas com marcos na natureza, uma forma simbólica de celebrar não apenas a pessoa, mas também o momento em que o próprio Universo reflete algumas ideias como a vida, a maturidade e a morte.

Por isso, temos uma forte relação com essas datas e, em maior ou menor grau, acabamos participando de suas celebrações, mesmo que não seja de maneira consciente. Em nosso país, por exemplo, quem de nós não celebra o Natal? Mesmo que para alguns as motivações estejam na troca de presentes durante esse período e se esqueçam do real motivo da comemoração, que é o nascimento de Jesus, ainda assim a celebração dessa data é tão poderosa que toda a sociedade participa dessa festividade, e não apenas os grupos religiosos. 

Esse fenômeno não acontece apenas em nosso país, ou apenas com o cristianismo. Se aqui celebramos o nascimento de Jesus, outras partes do mundo, que culturalmente vivem outro credo religioso, também celebram suas festas e cerimônias. E é de uma delas que iremos falar hoje, o Janmashtami.

Todos os anos, os hindus celebram uma data muito especial, o Janmashtami, que marca o nascimento de Krishna. Nessa data, que geralmente cai entre os meses de agosto e setembro do nosso calendário, eles festejam em homenagem a este Ser que seria a oitava encarnação do Deus Vishnu. Eles comem, cantam, rezam juntos, fazem vigília e visitam os templos de Krishna e Vishnu. É interessante perceber que nesse dia de celebração há um momento para tudo: desde entoar cantos e visitar espaços sagrados, até comer e conviver com outras pessoas de maneira mais cotidiana. É, em síntese, um festival que celebra a Vida em seus múltiplos sentidos. Essa perspectiva é interessante, pois, quando imaginamos uma celebração religiosa, temos a tendência a imaginar apenas o aspecto sagrado envolvido nela, mas é essencial entendermos que, para além disso, há uma série de componentes “profanos”, como geralmente se costuma falar, que permeiam o festival. 

Essa relação entre os aspectos cotidianos e sagrados convivendo em um mesmo ambiente não é uma exclusividade da vida religiosa hindu, pois no Brasil isso também ocorre de forma extremamente comum. No interior do nosso país, por exemplo, as festividades religiosas são acompanhadas de música, dança e outros elementos que movimentam a vida dos fiéis, unindo assim o mundo religioso com o mundo “comum”.

Entendendo essa ideia, agora precisamos nos aprofundar um pouco em quem é Krishna, afinal, se vamos mergulhar no festival de seu nascimento é justo que saibamos um pouco sobre esse grande mestre de sabedoria.

Dentro do hinduísmo existem centenas de Deuses, que representam as mais variadas formas e aspectos de Deus. Dentre estes Deuses, há uma tríade que representa os aspectos mais elevados do Divino: Brahma, o criador; Vishnu, o mantenedor; e Shiva, o destruidor. Krishna, então, seria uma das várias encarnações do Deus Vishnu, e teria vindo à Terra para ensinar o caminho de evolução para a Humanidade. Krishna, segundo a tradição hindu, foi de fato um homem, mas não um homem comum, pois a sua Vida é repleta de acontecimentos especiais. Por exemplo, se diz que ele foi gerado sem ato sexual, e ao nascer teve que ser levado para outro local, pois o tirano que governava o reino de Mathura, uma cidade da Índia Antiga, queria matá-lo. Ao longo da sua Vida, ele foi se revelando como a encarnação de Vishnu e adquirindo sua Sabedoria.

Krishna então é responsável por guiar os Homens pelo caminho do Dharma, ensinando-os como viver em busca da sabedoria. Uma das passagens mais conhecidas de sua história se encontra no “Bhagavad Gita”, um livro de ensinamentos sagrados do hinduísmo. Nele, Krishna explica a Arjuna os motivos pelo qual este deve travar uma guerra para conquistar sua cidade natal, Hastinapura. Os símbolos trazidos na história do Baghavad Gita revelam preciosos ensinamentos, os quais não caberiam neste texto, mas que você pode ver no post “O que Podemos Aprender com o Bhagavad Gita”.

O festival Janmashtami é um dia em que se celebra esse Avatar, nome dado pelas tradições para designar Seres Humanos Especiais, que são encarnações divinas que vieram ao mundo com a missão de trazer a Luz e guiar a Humanidade. Nesse período, as formas de celebração são distintas, e por toda a Índia as pessoas praticam cultos, orações, fazem votos e doações nos templos de Krishna. Porém, as formas de celebração são tão variadas que não podemos afirmar que há um “padrão” do que é feito nesse dia. Para exemplificar as diferentes formas de homenagear Krishna, apontaremos abaixo duas das celebrações mais populares ocorridas no Janmastami. 

Uma delas é o Dahi Handi. Essa tradição nasceu de um dos mitos de Krishna em que afirmava que o Avatar tinha o hábito de pegar potes de manteiga, Assim, durante o Dahi Handi são colocados vários potes de iogurte conectados por linhas. Além disso, uma outra tradição do Dahi Handi é a construção de várias “pirâmides humanas”. Feito por dezenas – e às vezes centenas – de pessoas, essa é uma forma de simbolizar essa ascensão em busca do divino. O Dahi Handi é tão popular no Janmashtami que atualmente são feitas competições para ver qual grupo de pessoas consegue fazer a pirâmide mais alta e estável, sendo um verdadeiro espetáculo em meio ao festival. 

O Raas Leela é outra forma popular de celebrar o Janmashtami. Na Índia, essa dança milenar está associada ao mito de Krishna dançar com uma de suas esposas, sendo uma maneira de também relembrar a memória desse grande Avatar. Raas Leea simboliza a busca por se unir ao divino e se tornar um, que é a busca final de toda a humanidade, de acordo com o hinduísmo.

O símbolo, porém, de usar esse dia para meditar sobre as verdades da doutrina hindu, trazidas por Krishna, é uma maneira de honrar a memória desse mestre da sabedoria, tornando ainda mais vivo o conhecimento milenar desse Avatar.

Por fim, A Beleza do festival Janmashtami está em colocar consciência e viver de forma cerimonial as homenagens feitas a Krishna. Um aspecto que vai ser plasmado nas ações, nos sentimentos e  nos pensamentos dos participantes durante todo o festival. É um momento não somente de festa, mas também de repousar toda consciência nos ensinamentos desse grande mestre para poder começar um novo ciclo de vivência de suas ideias. Nesse sentido, o Janmashtami é uma ocasião especial e que pode ser vivida por qualquer pessoa que acredita nos ensinamentos de Krishna. Assim, que possamos tanto aprender a viver esse fator cerimonial em datas festivas, quanto trazê-lo para o nosso dia a dia, desde o acordar até o fechar dos olhos à noite para dormir, e assim a Vida será celebrada todos os dias.

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