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O que te faz executar uma ação? Desde tomar um copo com água, mudar de cidade, casar, comer uma pizza ou mesmo fazer uma faxina, o que nos impulsiona? Uma resposta rápida para essa pergunta seria o desejo, afinal, quando estamos com sede desejamos água. Do mesmo modo, se estamos com fome queremos comida, e assim por diante. Estamos, invariavelmente, buscando realizar os nossos desejos. Eles são importantes para a nossa sobrevivência, uma vez que todos nós precisamos realizar nossas necessidades básicas e, nesse quesito, o desejo nos auxilia nessas tarefas. Entretanto, seria possível agir sem desejo?

Para respondermos a essa pergunta devemos refletir sobre o que nos motiva. Certamente nos movimentamos pelos desejos, como já apontamos acima. Quando, por exemplo, desejamos viajar para um outro país, o que fazemos? Juntamos dinheiro, planejamos os pontos turísticos que visitaremos e nos organizamos para aproveitar o máximo da viagem. Tudo isso ocorre porque estamos motivados pelo desejo de viajar. O desejo, portanto, é uma força que tem grande influência sobre nós, o que a torna igualmente perigosa, uma vez que ela é, na grande maioria das vezes, reflexo de um egoísmo. Pensemos bem: quantas vezes por dia nos motivamos para ajudar o próximo? Quais ações fazemos sem buscar uma recompensa? Acredito que poucas vezes no dia pensamos no outro, porém, há quase todo momento pensamos em nós mesmos.

Por outro lado, há uma outra motivação nossa que, quando bem canalizada, chega a ser mais forte e nobre do que o desejo: a Vontade. Comumente a confundimos com o desejo, mas seu princípio é bem diferente: enquanto o desejo tem motivações egoístas, a Vontade é expressa pela dedicação aos demais sem esperar nada em troca. Ela é um atributo Humano que se plasma no homem por meio do dever. De maneira geral, podemos falar que sempre que cumprimos com o nosso dever, pensando somente nele e não em nossos interesses, estamos exercitando a Vontade.

Se pegarmos, por exemplo, a maneira que realizamos o nosso trabalho poderemos perceber nitidamente a diferença entre o desejo e a Vontade. Quando trabalhamos de maneira egoísta, pensando apenas em nosso salário no fim do mês ou na nossa satisfação pessoal estamos, sem sombra de dúvidas, imersos no desejo. Por outro lado, quando executamos nossas tarefas da maneira correta, simplesmente porque é o que deve ser feito, uma vez que é a nossa profissão, estamos colocando nossa Vontade em marcha.

Uma outra característica da Vontade está na doação de nossa ação em prol de algo além de nós mesmos. Seja lutando por uma causa nobre ou exercendo suas funções simples do dia a dia com Dignidade, estamos sendo um canal vivo na qual a Vontade pode ser expressa. Do mesmo modo, quando nos colocamos em movimento pelos outros também estamos exercendo nossa Vontade. Ela tem, portanto, uma qualidade inerente à todas as Virtudes: ajudar aos demais. Quando nos dedicamos a sermos melhores para ajudar cada vez mais pessoas, por exemplo, estamos nos movendo também conforme a Vontade. A Vontade, portanto, está acima dos desejos, pois sua origem está marcada na Essência Humana e conduz o Ser Humano ao melhor de si.

No Oriente, a Vontade foi traduzida como “Reta-ação”, que significa agir sem esperar recompensa, sem desejo. Assim como no Ocidente, os filósofos orientais perceberam que os Seres Humanos para evoluírem, precisavam desenvolver suas ações por outro meio que não o desejo. Desse modo, a ideia da Vontade é contemplada nas duas tradições e nos revela um ensinamento milenar da Humanidade: nossa capacidade de desenvolver a Vontade por meio das ações cotidianas. Para isso temos a Força de Vontade, que é, em resumo, a habilidade de fazer a Virtude plasmar-se em nossas ações.

Imaginem um professor que não desiste de ensinar aos alunos: ele compra os livros para a turma, percorre vários quilômetros para dar aula e sempre está disposto a aconselhar e ajudar os estudantes em suas jornadas. Esse professor “imaginário”, que é um reflexo de tantos que existem no mundo, canaliza sua Força de Vontade para educar os alunos e sua Vontade apresenta-se nesse cenário. De igual modo podemos imitá-lo: em nossas casas, em nossos trabalhos, com nossos amigos. Se colocarmos a Força de Vontade para sermos o melhor de nós mesmos onde estivermos, cumpriremos todos os deveres sociais que nos cabem. Assim sendo, não se trata de agirmos isoladamente no mundo, mas de integrarmos essa Virtude tão importante em todos os aspectos da nossa Vida.

Se, ou melhor, quando conseguirmos superar todas as nossas pretensões de saciar apenas os nossos desejos pessoais, estaremos nos colocando a serviço do Universo. Seremos, portanto, como uma ferramenta à serviço de um Bem Maior. Estaremos, aos poucos, começando a agir de acordo com a autêntica Vontade, aquela que nos faz ser quem verdadeiramente somos. Aí então estaremos livres dos desejos e “cobertos” de Virtudes. Assim, poderemos plasmar a Vontade na nossa Vida, e essa será visível através das nossas ações e do nosso simples movimento no dia-a-dia.

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