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Quando estamos sozinhos, nosso estado é de solidão ou solitude?

Tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos

Não nascemos para vivermos sozinhos. Basta observarmos rapidamente a História da Humanidade, e perceberemos que somos uma espécie associativa, ou seja, precisamos nos relacionar uns com os outros para aumentarmos nossas chances de sobrevivência. Não por acaso, desde o nosso nascimento, dependemos de outros seres Humanos para sobrevivermos. Entretanto, à medida que envelhecemos, passamos a ter, por vezes, uma tendência a buscar o isolamento. Talvez Você já tenha se sentido dessa maneira no passado e, ao longo dos anos, tenha tentado interagir, cada vez menos, com as pessoas ao seu redor.

Para algumas pessoas, estar só é uma necessidade vital, quase tão importante quanto se alimentar ou dormir. Porém, até que ponto esse desejo de ter um “momento” sozinho é saudável? Será que, à medida que alimentamos essa necessidade, podemos acabar isolados das outras pessoas sem nos darmos conta disso? Frente a isso, é fundamental entendermos a diferença entre dois conceitos básicos quando se trata desse sentimento de desejar um momento sozinho: a solidão e a solitude.

Provavelmente, Você ouviu essas duas palavras sendo utilizadas como sinônimas. De fato, o senso comum nos apresenta esses termos como idênticos, como se ambos fossem o ato de apreciar estar sozinho. Porém, quando buscamos compreender as concepções por trás dessas palavras, percebemos que elas são bem diferentes, pois motivam desejos distintos. Mas vamos por partes. Comecemos pelo que chamamos de solitude e o que ela realmente significa.

Achamos, em geral, que a solitude é similar a um estado de abandono ou isolamento, em que não queremos ver ninguém ao nosso redor, não é mesmo? Porém a solitude está muito além do que uma perspectiva negativa. Na verdade, a solitude é muito mais do que estar sozinho, fisicamente ou emocionalmente, mas, de fato, é um profundo sentimento de Paz interior, na qual se nota que não dependemos de nada externo para que possamos nos sentir completos.

Nesse sentido, uma pessoa que vive esse sentimento é aquela que não possui carências, por isso sua própria companhia lhe basta e estar a sós consigo mesmo não é uma tortura, mas sim um Prazer. Isso não significa dizer que essa pessoa não consiga ou não goste de se relacionar com os outros, muito menos que ela deseja passar o resto dos seus dias trancada, em sua casa, observando a Vida pela sua janela. Ao contrário, uma pessoa que realmente se sente realizada, consegue interagir em situações sociais de maneira mais autêntica, pois não está dependente da aprovação dos demais. Por isso, um indivíduo que aprecia a solitude pode recusar facilmente convites para festas, encontros sociais ou qualquer outro evento que, de maneira geral, nos sentimos obrigados a ir para causar uma “boa impressão”.

Dito isso, devemos refletir sobre nossa própria conduta e nos perguntar se, em algum momento, sentimos esse tipo de prazer em estar, de fato, sozinhos. Em geral, é muito comum, percebemos pessoas com uma postura, cada vez mais, reclusa em suas próprias Vidas. Fala-se em ter poucos Amigos, em não expor seus sentimentos a outra pessoa e, quase como uma regra, trata-se o outro como um inimigo. Parece contraditório, mas em um mundo globalizado, em que podemos nos conectar com praticamente todo o Mundo, estamos desejando, cada vez mais, ficarmos isolados uns dos outros. O egoísmo e a individualidade, longe de serem virtudes, estão se transformando em qualidades de sujeitos “autossuficientes”, que não precisam dos demais. Frente a isso, confunde-se essa postura de não aceitação das demais pessoas e de medo como algo positivo, que não as deixam vulneráveis.

Quando observamos esse cenário, cada vez mais individualista, percebemos porque achamos que a solitude é estar isolado do Mundo, pois a confundimos com a solidão. A Solidão é o sentimento de querer se isolar do Mundo, de se afastar das outras pessoas e, cada vez mais, ficar a sós consigo mesmo. Entretanto, diferente da solitude, o motivo desse isolamento não se dá pela plenitude e autossatisfação da própria companhia, mas, muito mais, pelo medo de se relacionar com os outros. Dessa forma, a solidão se mostra como uma forma de instinto de sobrevivência, uma vez que não desejamos nos “arriscar” em público e interagir com muita gente. 

Visto isso, a diferença entre esses dois conceitos é abismal. Assim, em qualquer situação que nos encontremos sozinhos, podemos nos fazer a seguinte pergunta: esse é um momento de solidão ou de solitude? Estou sozinho porque minha companhia é o suficiente e me sinto em Paz com meus pensamentos e emoções, ou estou usando a reclusão como fuga para não lidar com outras pessoas? Essas são perguntas fundamentais sempre que estivermos vivenciando tais momentos, pois cabe refletirmos o que está nos motivando a viver situações de isolamento.

Junto a isso, muitas vezes utilizamos essa tendência ao isolamento como justificativa para limitarmos nosso contato com os demais. Assim, para evitar se expor, dizemos que somos pessoas que “apreciamos a solidão”, tentando tornar nobre aquilo que, de fato, é um dos nossos calcanhares de Aquiles. Como já apontamos anteriormente, uma pessoa solitária, no melhor e mais correto sentido desse termo, não enxerga a solitude como uma necessidade, muito menos algo que lhe torna refém, em certas situações, mas simplesmente é alguém que aprecia estar só. De maneira distinta, aquele que vive em solidão a enxerga como algo vital, mas que lhe causa tanta dor quanto estar em uma festa ou rodeado de amigos. No fim, enquanto a solitude é sinônimo de Liberdade, a solidão se assemelha muito mais a uma prisão, uma vez que se apresenta como uma condição imutável.

Quanto a isso, é interessante entendermos que uma pessoa sozinha é livre, não pelo fato de ser só, mas sim por não estar dependente de nada ao seu redor. Muitas vezes, essa ideia passa a falsa impressão de que ter companhia, principalmente a nível romântico, seria uma forma de “prisão”, pois estamos estabelecendo um acordo com outra pessoa e assumindo, necessariamente, um Compromisso. Entretanto, esse é mais um conceito que usamos de maneira equivocada. Achamos que Liberdade e Compromisso são opostos, e que uma pessoa verdadeiramente livre é aquela que faz “o que quiser na hora que quiser”, não é verdade?

Porém, aquele que busca realizar seus desejos, a todo custo, e, a todo momento, nada mais é do que um escravo das suas vontades. Assim, um indivíduo que se sente bem sozinho, que não precisa estar se submetendo a situações desconfortáveis apenas para agradar ou se sentir amado é, em última instância, livre, pois não está amarrado por nenhum desejo superior à sua vontade. Essa situação, porém, não a impede de ter uma relação e muito menos amar outras pessoas. Em verdade, é graças a essa liberdade de desejos que um  sujeito solitário será capaz de amar verdadeiramente alguém, sem usar seu afeto como moeda de troca, ou se relacionar com outras pessoas apenas para suprir suas carências.

Dessa maneira, a Liberdade só pode ser conquistada quando conseguimos estar em Paz conosco mesmo, ou seja, quando conseguimos vivenciar um pouco da solitude. Antes de sermos capazes de apreciar nossa própria companhia e estar bem com o que pensamos, sentimos e fazemos, jamais poderemos afirmar que somos seres livres. A Liberdade, por fim, será a condição da pessoa que aprendeu a tomar suas decisões e aceitar suas consequências, sem colocar a culpa em terceiros, muito menos condenar a si próprio e aos demais por erros e problemas.

Por fim, é importante entendermos que se relacionar com outras pessoas é algo essencial para o Ser Humano. É através da convivência e formação de laços que desenvolvemos sentimentos e somos capazes de realizar obras grandiosas, seja em qualquer esfera da Vida. Uma busca por um estilo de Vida individualista é, em última instância, negar um dos atributos da própria essência Humana, que nos mostra o valor da Cooperação. Tal qual os versos que diz que “é impossível ser feliz sozinho”, devemos nos esforçar não para alcançar a falsa ilusão de que nos bastamos, mas sim de aprendermos a nos observar e harmonizar nossos pensamentos e sentimentos. Assim, nossa companhia não nos será um tormento, mas uma agradável Alegria em sabermos que nada nos falta e, graças a isso, agora podemos nos doar completamente a todas as pessoas que necessitem. Desse modo, busquemos a solitude como chave para nossa verdadeira Harmonia interior!

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