“Ler também é um exercício”. Essa frase fazia parte de uma série de propagandas que buscavam incentivar a leitura em nosso dia a dia. Infelizmente ainda não criamos esse hábito, uma vez que apenas metade dos brasileiros têm esse costume. Mas qual a causa de não gostarmos de ler? Essa é uma pergunta que pode ter diversas respostas, mas, de modo geral, podemos dizer que não fomos habituados a ler desde a nossa infância. Seja por falta de exemplos ou por nos ocuparmos com outras atividades, o fato é que a leitura nunca foi muito estimulada em nossa vida. Visto isso, no dia 02 de abril comemora-se o dia internacional do livro infantil, sendo esse um dia para lembrarmos que o hábito de ler se faz desde pequeno. 

Essa data foi estabelecida em 1967 para homenagear o escritor Hans Christian Andersen, nascido em 02 de abril de 1805, que dedicou sua vida à produção de histórias infantis. Ele é autor, por exemplo, de obras como “A pequena sereia”, “O patinho feio” e “O soldadinho de chumbo”, que viraram clássicos da Disney. Todas essas histórias, em maior ou menor grau, fizeram parte da nossa infância e nos ensinaram Valores. Eis a principal função do livro infantil: incutir Princípios e Lições de Moral na vida das crianças.

As fábulas, nesse contexto, são um excelente meio para tornar ideias como “Bem”, “Justiça”, “Coragem” palpáveis para a psique infantil. A criança, que ainda está desenvolvendo suas faculdades mentais, precisa de referenciais claros do que é correto ou não. Por isso é fundamental que nessas histórias exista sempre, por exemplo, um herói e um vilão bem definidos. Sabemos, quando adultos, que a vida não é tão “preto no branco”, ou seja, que não há dualidades absolutas e que, na maior parte das vezes, o bem e o mal estão tão próximos e misturados que precisamos discernir bem acerca dessas ideias. Entretanto, a criança necessita que essas ideias fiquem claras. 

Ao criar referenciais sólidos, a criança pode então compreender o valor de cada um deles. Do mesmo modo, as fábulas trazem explicitamente uma Lição de Moral, para que se fixe a ideia que está ali colocada. Aprendemos, com essas histórias, o valor da Verdade frente a mentira, o poder do Ritmo e da Constância e tantas outras lições que nos ajudam na vida adulta. É comum, por exemplo, ao retornarmos para a leitura de fábulas quando adultos, nos depararmos com lições que até hoje servem como aprendizados para colocarmos em prática. 

As histórias para “crianças”, portanto, nos transportam para mundos fantásticos e situações que, num primeiro momento, parecem não ter relação conosco, porém, estão diretamente relacionadas com nossos conflitos internos. Quem nunca se sentiu deslocado, como um patinho feio? O modo lúdico que envolve a literatura infantil é capaz de tratar assuntos delicados e que nos tocam desde a mais tenra idade. Visto isso, quanto mais estimulamos o contato de nossas crianças com essa literatura, maior é a possibilidade de conversar e ensiná-las acerca dos Valores e Princípios que formarão seu caráter. Esse é, sem dúvida, um primeiro e importante caminho para descobrirmos um idealista, uma pessoa que se move em nome de Ideias e Princípios. 

Para além de questões formativas, os benefícios da leitura se estendem para o campo cognitivo: elas vão desde o estímulo à nossa imaginação até ao aumento do nosso vocabulário, conhecimento cultural e aprimoramento de nossa escrita. Ler é, necessariamente, um exercício para a mente, ajuda-nos a desenvolver nossa memória e nossas faculdades mentais. Não se trata, portanto, de ter conhecimento das narrativas e lições aprendidas nas histórias, mas sim de desenvolver nossas capacidades a partir da leitura. 

Entretanto, apesar de entendermos seus benefícios, o que nos faz rejeitar, de início, esse hábito em nossas vidas, seja quando crianças ou mesmo em nossa fase adulta? 

Podemos colocar como uma das causas o mundo em que vivemos. Se pararmos para observar, hoje estamos inseridos em um mundo visual: passamos o dia assistindo vídeos nas mídias sociais; observamos imagens em outdoors e propagandas na TV; passamos inúmeras horas em frente a jogos de celulares e videogames; sem falar nas séries e filmes que fazem parte da nossa rotina. Essa cultura audiovisual, aos poucos, pode nos desestimular a ler, uma vez que nossa atenção volta-se para esses tipos de mídias. Tratando da realidade da criança, programas de TV e jogos, por exemplo, são mais atrativos do que ler histórias, pois as crianças acessam suas informações de modo fácil e passivo. Basta ficar na frente da TV ou do videogame e, com poucos estímulos, a informação chega até elas e capturam sua atenção. A cultura visual tem em si essas características: são capazes de levar a informação de maneira rápida e de fácil assimilação, o que explica o sucesso dos programas infantis e seu efeito “encantador” nas crianças. Entretanto, a facilidade da informação não estimula a imaginação e outras capacidades mentais, tão necessárias nessa fase infantil das nossas vidas.

Apesar do desafio em estimular a leitura, os livros ainda são uma ferramenta importante para as crianças. Seja através das fábulas que ouvimos quando crianças ou pelas aventuras épicas que narram os feitos de heróis, o livro cria um mundo repleto de inspirações e lições sobre a vida e sobre como devemos ser. Essas histórias gravam em nossa memória referenciais de como agir e estimulam nossa imaginação, de modo que desejamos ser aqueles personagens. Quem nunca se imaginou sendo um super-herói após ler alguma história em quadrinhos? Ou tirou valiosas lições a partir de fábulas como “o lobo e a ovelha?”. Portanto, não devemos deixar de lado os livros e sua função na formação das crianças e adultos.

 Sejamos, antes de tudo, exemplos: as crianças aprendem, em grande parte, por imitação. Se queremos, então, que nossos filhos, sejam leitores ávidos e se encantem com a magia por trás das palavras, que sejamos nós também encantados por esse universo fantástico e repleto de aprendizados. Mergulhemos, por fim, nas histórias e sejamos protagonistas das mudanças que desejamos ver no mundo. 

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