O afeto é uma das melhores formas de conexão entre o Ser Humano e os outros seres vivos. Quando gostamos de alguém é quase impossível não querer demonstrar esses sentimentos, das mais diversas formas. Uma das maneiras mais comuns de demonstração de afeto está no ato de dar presentes ou proporcionar momentos agradáveis à pessoa que gostamos, porém existem gestos mais simples e genuínos de manifestar nossos sentimentos. 

O abraço, por exemplo, talvez seja o gesto mais universal quando se trata de demonstração de carinho e afeição. Realizado em praticamente todas as culturas, o abraço pressupõe uma intimidade entre as pessoas, por isso que abraçamos, em geral, somente quem gostamos: seja um amigo, um parente ou nossos companheiros. Naturalmente vamos ao encontro dos braços de quem amamos. Se você tem um animal de estimação certamente entende que o afeto não tem barreiras, assim como suas formas de demonstração. Abraçamos não apenas pessoas, mas animais, plantas e qualquer ser que nos cause uma emoção boa.

Pensando nisso, no dia 22 de maio foi criado o Dia do Abraço. A data, entretanto, nasceu a partir de um movimento chamado “Free Hugs campaign” – que em português significa “campanha de abraços grátis” – criado por Juan Mann em 2004. A ideia desse movimento é oferecer abraços para pessoas desconhecidas em locais públicos. Para além disso, a ideia de Juan Mann foi mostrar a importância de um acolhimento afetivo entre as pessoas, que, devido ao ritmo de vida, muitas vezes não têm espaço para cuidar de suas emoções. O objetivo do jovem australiano era apenas alegrar o dia das pessoas com um gesto simples, mas isso revelou a necessidade de estarmos atentos às nossas necessidades afetivas. Em 2006, graças a um vídeo no YouTube, que atualmente tem mais de 78 milhões de visualizações, a campanha de Mann tornou-se mundialmente conhecida. Desde então, a iniciativa de Juan ganhou o globo, sendo realizada em diversos locais do mundo. Mas por que será que essa campanha gerou tanto engajamento entre as pessoas?

Juan Mann em sua campanha “Free Hugs”

A explicação para o sucesso do “Free Hugs” é tão simples quanto o próprio gesto. O abraço, que em geral é algo simples e comum, tem uma importância enorme dentro da nossa vida afetiva. Quando queremos acolher ou consolar alguém, por exemplo, abraçamos como um sinal de proteção, o que causa uma sensação de bem-estar e conforto para quem necessita ser acolhido. Do mesmo modo, abraçar é um gesto de aceitação, e quando feito de forma natural, revela uma verdadeira Bondade, criando assim uma ligação entre as pessoas. Considerando o mundo em que vivemos, em que cada vez mais as pessoas buscam competir e se afastar umas das outras, a sensação de estar protegido e receber afeto de outra pessoa, mesmo que seja um estranho, tem um valor inestimável. Abraçar, portanto, é uma atitude Humana frente a um meio social que a todo momento está gerando atitudes egoístas e estimula nossos instintos mais básicos, ou seja, tem como regra nos desumanizar.

Visto isso, o ato de abraçar não deve ser encarado apenas como uma maneira de demonstrar afeto, mas sim como uma necessidade Humana. Todos nós sentimos que é necessário se conectar com os outros. Por mais que estejamos inseridos em um modelo que prega o individualismo, percebemos que precisamos nos conectar com as pessoas em um nível Humano. Falamos em “um nível Humano” pois, em geral, somos capazes de nos relacionarmos pensando apenas no nosso interesse, ou seja, se utilizando das pessoas para nosso benefício e isso os animais e outros seres também fazem. O Ser Humano, porém, também pode agir sem buscar recompensas e em prol do Todo, sacrificando seus interesses pessoais pelo outro e isso, de maneira consciente, somente nós podemos fazer.

Quando abrimos mão de um tempo livre para consolar um amigo, por exemplo, estamos elegendo viver essa experiência. Estamos, conscientemente, abrindo mão de um prazer individual para ajudar alguém. Geralmente, o que nos leva a tomar essa atitude é a conexão que temos com a outra pessoa. Facilmente faríamos isso por um amigo, parente ou namorado(a), mas será que abriríamos mão do nosso individualismo por um desconhecido? Provavelmente não, pois não temos nenhum laço afetivo com uma pessoa que nunca vimos na vida. 

À medida que buscamos nos conectar com mais pessoas, podemos expandir essa rede de afetividade e ajudar cada vez mais as pessoas a se sentirem acolhidas. Mas como fazer isso em um período de pandemia, em que se exige um distanciamento entre os Indivíduos? Essa parece ser uma questão complexa, porém podemos encontrar soluções quando pensamos na finalidade de abraçar alguém. 

A foto abaixo, eleita como a foto do ano em 2020 pela World Press Photo, mostra como podemos encontrar soluções para abraçar em um período que nos exige distância. A imagem mostra uma enfermeira dando um abraço em uma idosa que há cinco meses não recebia esse contato. Com as devidas proteções para garantir que não se contaminassem, a expressão no rosto da enfermeira, mesmo coberto pela máscara, nos revela o quão importante é a demonstração de afeto que um abraço proporciona.

Como já falamos, abraçar é um gesto de afeição e acolhimento. Durante a pandemia, o isolamento fez com que perdêssemos esse contato com as pessoas que mais gostamos, porém, há outros meios de demonstrarmos nosso afeto. Uma simples ligação, por exemplo, para conversar e escutar as pessoas pode ser tão efetiva quanto um abraço. Ligar, que nos dias atuais entrou em desuso, é uma ótima dica para conseguirmos nos (re)conectar com quem amamos. Há quem ache, entretanto, que esse é um modo pouco prático, mas certamente é bem mais efetivo para criar uma conexão do que as frias mensagens dos nossos celulares.

Uma outra forma de “abraçar” a distância tem sido dividir momentos juntos, mesmo que virtualmente. Seja uma chamada de vídeo ou assistir a um filme “a distância”, utilizar uma parte do tempo para realizar atividades juntos é uma maneira de fortalecer nossos laços com as pessoas que amamos. Mais uma vez, se elegemos cuidar das pessoas e sermos afetuosos, poderemos encontrar soluções para contornar o problema do distanciamento, que é apenas físico. Se, afinal, carregamos as pessoas em nossos corações, não há barreira física que possa nos desconectar.

Por fim, como diz o Pequeno Príncipe, “tu és eternamente responsável por aquilo que cativas”. Logo, a afetividade é sinônimo de responsabilidade. À medida que nos conectamos com as pessoas somos também partícipes de sua saúde emocional. Por isso que nos preocupamos com nossos amigos, familiares e com todos, enfim, que nos sentimos próximos. Que nesse Dia do Abraço, portanto, sejamos nós essa rede de acolhimento e proteção, que mesmo à distância possamos demonstrar o valor do afeto no mundo, mostrando o lado verdadeiramente Humano dos nossos sentimentos e ações.

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