O Ser Humano é por natureza um ser social. Basta olharmos rapidamente para a história da Humanidade que perceberemos que não estamos destinados a viver sozinhos. Bem sabemos que às vezes desejamos, de fato, estarmos isolados do mundo, mas a convivência com outros Seres Humanos faz parte do nosso processo de desenvolvimento. Do núcleo familiar até os mais diversos grupos, parece-nos que as relações sociais são inevitáveis quando se fala no Ser Humano.

Segundo alguns cientistas, foi graças à comunicação avançada que a nossa espécie sobreviveu à seleção natural. Ao compararmos, por exemplo, o Homo Neanderthalensis com o Homo Sapiens (o nosso ancestral), é notável perceber características físicas superiores no homem de Neandertal. Sua pele era mais resistente ao frio, assim como seu porte físico era, na média geral, mais desenvolvido. Porém, a grande vantagem do Homo Sapiens estava em sua capacidade de se organizar e se comunicar com maior eficiência, o que garantia tomadas de decisões mais rápidas e, em geral, mais assertivas. Esses fatores garantiram que a corrida da evolução fosse vencida por nós e os Neandertais fossem, pouco a pouco, desaparecendo.

Com o avançar do tempo fomos capazes de tornar as relações sociais mais complexas: elaboramos cidades, Estados e nações inteiras a partir de uma língua e de costumes em comum. Nossas sociedades, ao longo da História, construíram verdadeiros Impérios e Civilizações, tudo isso graças ao poder da comunicação entre seus cidadãos. É, portanto, inegável que devemos – e muito – nosso sucesso como a espécie dominante da Terra a essa capacidade de nos conectarmos uns aos outros de maneira tão profunda e efetiva.

Observando esse ponto de vista em nosso mundo atual, podemos afirmar que nunca o Ser Humano esteve tão conectado uns com os outros. Graças ao fenômeno das redes sociais, aliado com a revolução cibernética das últimas décadas, encurtamos as distâncias e podemos nos comunicar com uma pessoa do outro lado do globo com poucos cliques em um celular ou computador. Passamos horas a fio olhando as últimas postagens, criamos uma linguagem de sinais – os emojis – para dinamizar nossas interações e, cada vez mais, nos prendemos a esse desejo de conectar-se com as demais pessoas.

Entretanto, nem tudo são flores nesse mundo. Em contrapartida do que podemos pensar, apesar de termos essa gama de possibilidades de entrar em contato com os outros, apresentamos, ao mesmo tempo, uma forte tendência ao isolamento. Muitos trabalhos, por exemplo, já não necessitam que saiamos de casa, podendo realizá-los na modalidade Home office. De igual modo, práticas como ir ao supermercado, a um restaurante e até mesmo ao cinema têm sido trocadas pelos Deliverys e plataformas de streaming. Tais momentos eram aspectos da vida social que garantiam, pelo menos minimamente, um grau de interação entre as pessoas e que, aos poucos, também estão desaparecendo. 

A solidão, por exemplo, já é vista, em alguns países, como uma doença tão contagiosa quanto qualquer vírus. O modo de vida atual, rápido e com relações sociais confusas, traz como consequência uma tendência a nos refugiarmos no mundo virtual que, como o nome já diz, é uma ilusão. Se olharmos, por exemplo, a quantidade de amigos ou seguidores que temos em nossas redes sociais provavelmente contaremos na casa dos milhares, mas será que, de fato, existem tantos amigos assim em nossas vidas?

Sabemos que não, porém, a sensação de ser alguém “popular” ou “conhecido” nas redes sociais acaba por superar o anseio de viver a vida real, conectando-se com as pessoas ao nosso redor.  Desse modo, diariamente alimentamos nossas conexões virtuais através de curtidas, comentários, compartilhamentos e mais uma série de ações que, no fundo, não valem nada. Nesse mesmo ritmo, deixamos as pessoas que nos são próximas cada vez mais afastadas, criando uma barreira na qual somos os únicos prisioneiros.

Infelizmente, essa é uma realidade atual. Quem de nós, por exemplo, nunca viu um casal sentado em um restaurante que ao invés de desfrutarem da companhia um do outro estão tirando fotos dos pratos ou conversando no celular? Do mesmo modo, quem não presenciou um motorista que dirige ao mesmo tempo que conversa em seu aparelho celular? Essas são cenas cada vez mais corriqueiras e tudo, em tese, em nome da comunicação. Observando por esse ponto de vista, nos parece quase uma piada de mal gosto perceber que estamos, de fato, 24 horas conectados uns aos outros e, ao mesmo tempo, não sabemos lidar com os menores problemas de convivência na prática. 

Enxergando esse cenário, como podemos resgatar nossa capacidade de integrar-se com outras pessoas em um mundo tão individualista? 

Essa não é, definitivamente, uma pergunta simples. Entretanto, acreditamos que é possível aprender a canalizar de maneira benéfica toda tecnologia voltada para a comunicação. Para tanto, vamos precisar utilizar uma rede social tão antiga quanto o próprio homem, mas que nunca sai de moda: o olhar nos olhos do outro.

Não se trata de apenas olhar, mas sentir o outro verdadeiramente. Quando estamos diante de uma máquina e a utilizamos para conversar, existem aspectos da comunicação que se perdem. Os sentimentos, as emoções, o toque e toda transmissão de energia que ocorre em uma conversa “cara a cara” são difíceis de serem reproduzidas do mesmo modo. Por isso que essa é uma rede social, chamemos assim,  em que busca-se compartilhar Virtudes como a Empatia, a Generosidade, a Gentileza, a Doçura e a Cortesia. Além disso, olhar nos olhos nada mais é do que procurar conectar-se profundamente com a Verdade de outra pessoa, o que busca fortalecer os laços e criar uma saudável relação entre as pessoas.

Como bem sabemos, essa não é uma rede social simples de “operar”. Também requer paciência, afinal, não somos seres perfeitos. Iremos errar, muitas vezes, vale ressaltar. Porém, ao estabelecermos uma comunicação real, ou seja, aquela em que há uma troca de ideias, podemos enxergar a vida a partir do ponto de vista alheio. Sendo assim, a ferramenta mais útil para conseguirmos navegar com eficiência nessa rede social é o diálogo, algo tão raro nos dias atuais.

A palavra diálogo é a junção de duas palavras: “dia”, que significa “por intermédio de” e “logos” que significa “inteligência” ou “palavra”. Assim, diálogo nada mais é do que chegar a uma ideia através da razão. Atualmente, como facilmente podemos observar em nosso cotidiano, a grande parte das pessoas não está preocupada em criar um diálogo, ou seja, conversar para chegar até uma ideia. Ao contrário disso, acabamos nos envolvendo em discussões e brigas, e defendemos ferrenhamente nosso ponto de vista que, por sua vez, pode estar completamente errado em muitas ocasiões. Por querermos provar a fogo e ferro nossas opiniões, acabamos fechando o caminho para dialogar e, consequentemente, não conseguimos criar uma boa conexão.

Talvez esse seja um dos principais motivos para algumas pessoas não desejarem conviver com outras. Dentro desse cenário, isolar-se do mundo e conviver apenas virtualmente se torna um meio simples e objetivo de fingir que a vida segue “bem”. No fundo, porém, todos nós sabemos como esse estilo de vida prejudica nossa psique, nos tornando mais rudes e menos tolerantes com quem pensa, sente ou age diferente de nós. 

Por isso a Empatia é fundamental para conseguirmos acessar a nobre e antiga rede social de olhar nos olhos. Quando tentamos enxergar o mundo a partir do ponto de vista do outro, é possível compreender aspectos da vida que não havíamos considerado antes. Além disso, o fato de fazermos esse exercício nos ajuda a entender como a outra pessoa pensa, o que por si só já nos ajuda a estabelecer uma boa relação. 

Para tudo isso ocorrer, como já devem ter percebido, é necessário que estejamos dispostos a viver estas ideias. Colocar-se a frente e buscar quebrar nossa zona de conforto é o primeiro e mais fundamental passo nessa jornada. O mundo, e todos nós, precisamos reviver a Magia e a Arte da Convivência, pois o mundo real não pode ser submergido pelo virtual. Somos mais do que rostos em aparelhos celulares ou fotos em postagens, e desejamos viver muito além dos limites da internet. 

Por fim, considerando essa perspectiva, urge vivermos mais uma vez essa antiga e tão nobre rede social. Ela não precisa de internet, muito menos de aparelhos eletrônicos, apenas que sejamos Humanos.

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