Todo Ser Humano busca conhecimento. Seja por meio de livros, de experiências pessoais ou mesmo na simples observação do mundo que nos rodeia, buscamos compreender e explicar aquilo que está ao nosso alcance. Quando viajamos para outros países, por exemplo, entramos em contato com outras culturas e, na maioria dos casos, as diferenças acabam por nos impactar. Isso ocorre, em grande parte, por descobrirmos um novo modo de vida que, em alguma medida, não se assemelha com o nosso. Porém, do mesmo modo que esse contraste pode nos causar espanto é também motivo de nos maravilharmos com as formas e possibilidades de vida que existem no mundo. 

Nosso fascínio pela busca de compreender a vida nos levou a desenvolver teorias e métodos que nos ajudam a enxergar as Leis do Universo e a desvendar seus mecanismos. Porém, apesar dessa busca nos parecer natural, há um local que raramente pensamos em investigar: dentro de nós. Infelizmente, nos parece que à medida que nossos conhecimentos sobre o mundo crescem, o Ser Humano deixa de voltar-se para si e, como uma criança frente a um brinquedo novo, tem olhos apenas para o exterior. Como resolver essa questão?

Certamente uma das principais chaves trata de passarmos a nos conhecermos, ou seja, dedicarmos mais tempo e esforço para entendermos as motivações que nos levam a pensar, sentir e agir. Apesar de parecer óbvio e, até certo ponto, acharmos que já sabemos realmente quem somos, se fizermos uma investigação sincera perceberemos que há pontos em nossa vida que não estão bem resolvidos. Esses pontos nebulosos geralmente habitam em nosso inconsciente, ou seja, não estão no nosso campo de visão e, apesar de não percebê-los facilmente, eles determinam nossas emoções e modos de agir na maioria das situações.

Não por acaso estava escrito no antigo templo de Delfos, os seguintes dizeres: “Conhece-te a ti mesmo e conhecerás os Deuses e o Universo.” Talvez haja em nós algo que ainda não temos um domínio pleno e, por isso, ainda não conhecemos tudo que há acerca do Universo e muito menos dos Deuses. Partindo desse ponto de vista, podemos enxergar o Ser Humano como um composto, ou seja, uma junção de diferentes partes que, em Harmonia, acabam construindo um Indivíduo. A pergunta que nos cabe fazer, portanto, é: “Quais partes me compõem?”

De maneira sintética, podemos responder que, basicamente, o Ser Humano possui quatro partes às quais são as mais visíveis: uma parte física, energética, emocional e mental. Porém, será que paramos por aí? Ou será que há em nós algo acima da mente, que pouco conhecemos e que, de maneira geral, se mantém oculta em nosso interior? Antes de respondermos essas perguntas se faz necessário esclarecer um pouco mais acerca dessas quatro partes já citadas, fazendo relações de maneira mais objetiva. 

A primeira delas e talvez a mais óbvia é o nosso corpo físico. Ele em si é feito de várias partes como mãos, pés, tronco, cabeça e assim por diante. Ao mesmo tempo, o que acontece quando não conhecemos, por exemplo, o limite do nosso corpo físico? Tendemos a exagerar e acabamos machucando-o, seja num esforço durante uma atividade física, ou ingerindo alimentos estragados ou abusando de substâncias químicas. De todo modo, quando não conhecemos o que faz bem para o nosso corpo tendemos a deteriorá-lo. Logo, sempre que passamos do limite, seja em que contexto for, é sinal de que ainda não conhecemos por completo o nosso corpo e o que lhe faz bem ou não. 

Do mesmo modo, nosso corpo físico precisa de vitalidade, ou seja, energia. Ela é a responsável por gerar as condições para que o nosso corpo se movimente no mundo, realizando ações. Há dias, convenhamos, que não estamos com energia. Simplesmente queremos ficar deitados em nossa cama, aproveitando o repouso por horas a fio. Outros momentos, entretanto, nos sentimos prontos para conquistar o mundo e sermos capazes de virar noites trabalhando. Como sabemos o que nos dá energia e o que nos rouba energia? Há, certamente, uma série de fatores que contribuem para isso, como uma boa noite de sono ou alimentação saudável. Entretanto, há momentos que mesmo com “tudo em dia” ainda assim não nos sentimos com energia suficiente. O que ocorre então?  Essa é uma pergunta profunda e cabe a cada um de nós investigar o que ocorre conosco, mas podemos apontar, com certa segurança, que esse aspecto energético está intimamente relacionado com um outro campo do Ser Humano: as emoções. 

Nosso campo emocional é, provavelmente, o que mais nos afeta, direta ou indiretamente. Ele é responsável pela nossa motivação ou desânimo, assim como influencia diretamente em nossos pensamentos e ações. Basta observarmos os dias em que estamos alegres e compararmos aos momentos em que nos sentimos tristes. Agimos da mesma maneira em ambas as situações? Geralmente nossas emoções definem o modo como agimos. Se, por exemplo, estamos perto de alguém que gostamos e admiramos, tendemos a agir positivamente. De igual modo, ao sentarmos perto de alguém que nos desagrada, tendemos a ter reações negativas. É inegável o poder das emoções sobre nós, mas já nos perguntamos o que nos faz agir assim? Ou será que somos reféns das nossas emoções? Quando não conhecemos as causas que ativam esses “gatilhos” emocionais sempre seremos escravos de suas vontades, ficando assim à mercê das circunstâncias. 

Do mesmo modo, não são raras as vezes que nos encontramos em dilemas morais ou perdidos em nossos pensamentos, sem saber quais são nossas convicções em um mar de dúvidas. Os questionamentos, quando não são revertidos em uma busca sincera por uma resposta, podem se transformar em um fluxo de pensamentos desordenados e que, em resumo, não nos fazem chegar a lugar nenhum. Passamos, assim, uma vida a pensar e nada fazemos. A falta de autoconhecimento, nesse veículo, se assemelha a um barco em alto mar que, por não ter claro qual o seu destino, deixa-se levar pelas ondas sem determinar sua direção. 

É possível perceber que há, literalmente, um mundo a ser descoberto dentro de nós. Entretanto, para que serve o autoconhecimento? Uma antiga frase de um artista marcial dizia que devemos “conhecer-se para dominar-se”. Se não soubermos o que há em nós, jamais poderemos nos sentir donos de nós mesmos. Além disso, quando passamos a nos conhecer entendemos claramente quais são nossas debilidades. Uma vez conhecidas, temos a chance de melhorarmos, afinal, não se pode combater um inimigo que não se vê. 

Do mesmo modo, ao nos debruçarmos sobre nosso interior, reconhecemos nossas qualidades, aquilo que vibra em nosso coração e podemos expandir essa potência que há em nós para ajudarmos os demais. Essa é, certamente, a razão mais nobre e profunda acerca do autoconhecimento: ofertar aos outros aquilo que temos de melhor. Muitas vezes, com as pessoas que convivemos, acabamos mostrando nosso pior lado. Isso ocorre por não sabermos lidar com nossas emoções e pensamentos, como falamos acima. Portanto, quando passamos a explorar o Universo que existe dentro de nós, somos capazes de dar às pessoas ao nosso redor o nosso melhor lado, aquilo que mais nos orgulhamos e que nos apresenta como verdadeiramente Humanos.

E é sobre isso que trata a segunda parte da frase escrita no Oráculo de Delfos. Ao buscarmos em nosso interior encontraremos uma parte Divina, que está para além do nosso corpo, das nossas emoções e da nossa mente. É algo próprio do Ser Humano que guarda semelhança com a Natureza e com os Deuses. Muitas culturas a chamam por diversos nomes: os gregos a denominaram de Nous, já os hindus a chamam de Atma; o cristianismo a relaciona com a nossa Alma. Deixando a forma de lado, o que constata-se é que essa nossa parte, que nos liga aos Céus, só pode ser descoberta quando refletirmos acerca de quem somos e passamos a procurar, verdadeiramente, por respostas. 

Não é uma tarefa fácil, ou rápida, encontrar quem somos. Nem basta, muito menos, achá-la, mas sim colocar-se em movimento. Se conduzirmos nossa vida, de maneira tal que possamos ofertar o nosso lado mais Humano, que está mais próximo do Divino, provavelmente seremos capazes de enxergar Deus em nossas ações, afinal, os semelhantes se reconhecem. Em síntese, autoconhecer-se é, acima de tudo, um compromisso que fazemos com a nossa Alma, de encontrá-la no meio do turbilhão de emoções e pensamentos e colocá-la em seu lugar de direito.

 O Ser Humano que se conhece, por fim, domina-se e, inevitavelmente, supera-se. Deixa de estar refém do tempo e das circunstâncias e passa a viver para que cada ação sua se transforme em uma expressão do Bom, do Belo e do Justo. Quão bonito é sonhar com esse dia em que poderemos nos encontrar com o nosso verdadeiro EU, abraçar-lhe como se abraça um amigo que há muito tempo não se vê e reconhecer-se como parte do Mistério da Natureza. Enquanto não chegamos lá, cabe a nós caminhar nessa jornada.

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