Sabemos que o ser humano é um ser social, mas saber qual o limite dessa interação com o outro é a grande questão. Pois a convivência em demasia pode trazer vários problemas, porém o isolamento também não faz bem e pode resultar numa solidão, em medo e em angústias. A convivência nos ajuda a partilhar a vida, interesses, gostos, conquistas, dores e fracassos. Ela nos permite o autoconhecimento, a formação da identidade, além de nos fortalecer diante das adversidades. Dizem que a vida é um espelho, reflete fora as imagens que contém dentro de nós mesmos, quando não gostamos das imagens que vemos, não adianta trocar de espelho, é mais inteligente trocar a imagem, posicioná-la ou adequar-se ao melhor ângulo.

Neste sentido, a convivência é o grande palco onde se projeta todas as nossas manifestações do consciente e inconsciente. É na interação com o outro que despertamos para a importância de nos constituir enquanto indivíduos conscientes, o tão famoso “Self Mad Men”. Nesse campo, o processo contínuo da formação da identidade versus as experiências aprendidas na alteridade não se excluem, mas se complementam, isso se cada indivíduo reconhecer e cumprir qual o seu papel nesta construção pessoal e social. Quanto mais ciência desse processo, mais sentido a vida ganha, bem como e mais clareza quanto aos desafios a serem superados.

Mas, por que temos tanta dificuldade de conviver com os demais? Por que o “outro” nos afeta tanto? Por que os aceitamos cada vez menos? Por que a nossa tolerância está cada vez menor, quando se trata de apreender e reconhecer o valor dos demais como elemento importante da nossa formação? Dentre as várias causas, três são extremamente importantes para que reflitamos sobre o tema.

A primeira delas é a nossa ignorância diante da vida e diante de nós mesmos. Quantas vezes já não nos perguntamos o porquê de gostarmos de tais coisas e não de outras? Em geral, apenas não gostamos e pronto. Nesse quesito, nos assemelhamos a uma criança que não tem argumentos plausíveis para explicar o porquê brócolis é ruim sem nunca ter provado, No entanto, há o diferencial de que a criança está iniciando a sua formação e nós não. Então, sem discernimento vamos desperdiçando a nossa energia nas coisas que não nos são necessárias em vez de canalizá-las para o essencial.

A segunda causa, o materialismo, é uma consequência da primeira citada acima. Pois, sem discernimento, limitamos nossa vida apenas às nossas necessidades materiais, como se a humanidade não necessitasse de princípios, valores e virtudes, por exemplo. Infelizmente, somos uma sociedade que rompeu com Deus, com a unicidade da vida, com a natureza, com a pátria e com os heróis. E o que nos restaram foram as necessidades mais instintivas e primitivas. Assim, invertemos o fluxo da vida. Uma vida puramente voltada para a sobrevivência não tem espaço para conhecer os demais e partilhar as coisas boas que ela nos oferece. Por isso que a convivência se torna insuportável, tendo em vista que passamos a projetar no outro as nossas formas de pensar e os nossos desenganos, uma vez que só transmitimos o que possuímos.

Por fim, a terceira e última causa está estritamente relacionada ao nosso poder de viver a vida na sua completitude e não ficar teorizando sobre ela. Para conviver com o outro é imprescindível viver consigo mesmo. Mas para isso, cada pessoa precisará encontrar dentro de si qual é o real sentido de sua vida. Também necessitará viver suas próprias experiências, reconhecer os seus medos, as suas limitações e, na medida do possível, superá-las. Viver exige consciência, fazer as suas escolhas e se responsabilizar por elas sem culpar os outros pelas consequências. É construir a si mesmo e trilhar a sua saga comprometido em ser um ser humano maior em estatura moral e melhor em bondade, no entanto, não só para si ou para os seus, mas para toda a sociedade.

Como explanado acima, a nossa falta de autoconhecimento nos conduz a uma vida focada na sobrevivência, e por não termos experiência em viver, não nos desenvolvemos e amadurecemos enquanto indivíduos. A consequência de tudo isso são os sérios problemas de convivência que colecionamos e que nos arrastam para os diversos estados emocionais que nos angustiam. Entretanto, a convivência é um termômetro de como lidamos conosco. Há, por exemplo, uma máxima que diz “quando estamos brigando fora é porque as discordâncias internas já saturaram”.

Então, se a vida é o nosso espelho, a convivência é a chave que nos ajuda a abrir a porta que dá acesso às nossas melhores imagens. Porque é através dela que aprendemos a nos conhecer, bem como reconhecemos os nossos limites e potenciais e assim, despertamos, principalmente, para a importância de construirmos a nós mesmos. Missão que, por si só, já não é tarefa fácil, porém é vitalmente necessária para um indivíduo que sonha em viver além da sobrevivência biológica. 

É na convivência que passamos a enxergar o outro não como mero expectador de nossa história, mas como elemento importante de reflexão e aprendizado, como espelho e mais que isso, como parceiro(a), amigo(a), irmão(ã) de caminhada. Aprendemos o valor da Compaixão, da Empatia e da Cooperação, virtudes que nos servem como passaporte e que nos dão a condição de entrar no fluxo da vida e conhecer as suas leis e seus códigos.  E nesse mergulhar no outro e em nós mesmos que vamos conquistando uma ampliação de consciência e refletindo as nossas melhores imagens humanas.

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