É fato que ao longo do dia temos que tomar várias decisões, desde a escolha de qual roupa vamos usar, o que vamos comer, qual o melhor caminho para chegar ao trabalho, por onde começamos a responder os e-mails importantes, as ligações e mensagens sociais etc. A tomada dessas e de outras decisões passam por uma série de fatores internos e externos que estão ligados diretamente aos aspectos emocionais, às expectativas e ao nível cultural que geralmente vão inclinar nossas decisões para um lado ou para o outro.

Gatilhos mentais são as decisões que o nosso cérebro toma, muitas vezes de forma inconsciente, quando está “no piloto automático” para evitar o nosso esgotamento diante de tantas escolhas. Assim, realiza uma filtragem diante das decisões que realmente precisam de uma atenção especial e, com as demais, o cérebro simplesmente realiza aquilo que já foi “programado” a fazer. Daí se origina aquelas ações que passam a acontecer de maneira automática e você sequer estava dando atenção a elas, ou mesmo nem percebeu do que se tratava. Como não passa pela consciência, essas várias decisões mentais, emocionais ou ações do cotidiano vão adquirindo uma autonomia própria, podendo fragilizar a psique do indivíduo.

Por outro lado, vivemos em uma sociedade de mercado, que desde muito cedo utiliza a experiência da psicologia e as suas pesquisas para estudar e conhecer em profundidade o perfil de cada grupo de consumidor, e com isso produz cada vez mais produtos que despertam o desejo desses indivíduos. Basta prestarmos atenção nas mensagens subliminares dos outdoors que cobrem a nossa cidade, as propagandas distribuídas em horários específicos, por categoria e grupos diferentes. Podemos citar como exemplo, as propagandas de carros que geralmente são anunciadas na TV em horário nobre (a partir das 20h30), pois se percebeu que é o horário que o perfil consumidor em potencial pode ter mais chances de vê-las. Um outro exemplo também é a organização e exposição de produtos dentro de um supermercado. Os produtos a altura dos olhos e das mãos são os que estão na lista dos que precisam vender rápido.

O marketing, como um braço que se estende sobre um mercado consumidor cada vez mais complexo, vai se consolidando na relação que faz ponte entre produtos e consumidores, através do uso de gatilhos emocionais. Com suas estratégias baseadas em pesquisas do comportamento humano, as empresas cada vez mais não só divulgam o seu produto, mas buscam informar e formar a opinião do consumidor na tentativa de torná-lo fiel à sua cartela de ofertas. Essa é a forma encontrada para se firmar dentro do mercado cada vez mais competitivo. Em um mundo onde o mercado dita quais são as regras de modelos bem-sucedidos, ou seja, onde as fórmulas de sucesso estão etiquetadas nas prateleiras, dentro de shoppings que são verdadeiros templo de consumo, os indivíduos precisam urgentemente desenvolver uma inteligência emocional para não ficarem a mercê dos seus gatilhos mentais, ou emocionais, manipuláveis pela indústria da propaganda

É um grande desafio, mas é necessário saber lidar e se relacionar com todas as demandas pessoais e sociais, sem perder a própria identidade, e sem se isolar socialmente. Mas, como desenvolver uma inteligência emocional num mundo que cada vez mais nos cobra e nos oferece tão pouco? O problema não está nas propagandas, nas estratégias de marketing, no consumo exagerado de produtos quase sempre desnecessários ou mesmo no número de decisões que o nosso cérebro precisa fazer diariamente. A questão principal é a inconsciência que nos possibilita navegar por mares desconhecidos, e acionam os nossos gatilhos mentais e emocionais, nos tornando previsíveis e dependentes dos produtos, serviços e padrões de vida que nos apresentam.

Quanto menos autonomia tenho sobre mim, mas passível e suscetível estou quanto a instabilidade do outro. Precisamos estar presentes, ou pelo menos estar conscientes em tudo o que pensamos, sentimos ou fazemos. É necessário saber reconhecer o efeito de uma mente tranquila, emoções harmônicas e uma psique robusta para enfrentar as nossas debilidades emocionais e adversidades externas. Mas o mais importante é lembrar que não há consciência sem autoconhecimento, ele é o primeiro passo para que, possamos organizar nossa casa interna. “Conhece-te a ti mesmo e domina-te a ti mesmo e conhecerás as leis do Universo…” Este é um ensinamento muito antigo, mas que ainda vale muito para os nossos dias.

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