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Em tempos em que só se fala de coach, discursos motivacionais, empreendedorismo e surgimento de tantas pessoas mostrando o seu “sucesso” nas redes sociais, isso transmite a ideia de que basta ajustar o “mindset”, que todos os planos vão dar certo. Essa aura artificial de sucesso absoluto, geralmente criada para vender algum produto, curso ou consultoria, acaba escondendo um elemento muito importante em qualquer caminhada: o erro.

(Créditos: Exame)

Em meio a tudo isso, numa sociedade em que parece que todos estão sempre felizes e realizando os seus sonhos, as pessoas, em suas vidas reais, sentem muito medo de se arriscarem em qualquer empreendimento. Seja num projeto profissional, na busca de conquistar hábitos mais saudáveis, ou mesmo na busca de se tornar uma pessoa melhor, existe um grande medo de falhar, um medo de não ser capaz de realizar aquilo que deseja. Isso leva, muitas vezes, a desistirmos antes mesmo de começarmos. Todo mundo deve ter aquele projeto que há anos vem deixando para depois, e nessa procrastinação diária, sempre com uma desculpa do tipo “hoje não”, temos a sensação de estarmos avançando nos planos, quando, na verdade, estamos desistindo todos os dias.

(Créditos: Uol)

Claro que ninguém gosta de falhar; quando iniciamos algo, queremos atingir nossos objetivos. Ninguém inicia a leitura de um livro pensando em parar na metade, ninguém abre uma empresa esperando falir, ninguém entra num jogo pensando em perder. Ninguém deseja a derrota, mas ela acontece. E a pior coisa que podemos fazer é ignorar a falha. No entanto, deveríamos lidar com os erros com mais naturalidade, saber que eles fazem parte da vida, inclusive nos aproximam do sucesso. Então, ao invés de temer o erro, ou fingir que o “pensamento positivo” irá afastá-lo, deveríamos pensar no que fazer quando erramos, porque, pode ter certeza, não importa o que você escolha fazer, cedo ou tarde, você vai errar em alguma coisa.

Pode parecer pessimismo ou ironia, mas a realidade é que essa visão realista nos traz mais segurança, pois nos afasta da fantasia. Saber que iremos falhar é o que vai nos ajudar a enfrentar o medo de falhar.

(Créditos: Proaluno.com.br)

Para deixar mais clara essa ideia, vamos dar um exemplo. Certa vez um professor perguntou a seus alunos: “O que fazer quando estivermos na dúvida se estamos no caminho certo?”. Muitos pensaram que o correto seria parar a caminhada para analisá-la, mas a resposta dada foi: “Ande mais rápido, pois se realmente o caminho for o errado, você poderá corrigir o percurso com mais agilidade”. E é justamente nesta mentalidade que muitas empresas fundamentam a sua atuação. No livro “Lean Startup” (“A Startup Enxuta”, versão em português), o empreendedor Eric Ries fala da filosofia “Fail Fast” (Falhe Rápido). A ideia é fazer sucessivos testes com um produto protótipo (o mínimo produto viável), para verificar de forma empírica o que funciona e o que não funciona no seu negócio. Ou seja, cometa vários erros, de forma barata, pois são esses erros que irão te dar o maior capital da sua empresa: a experiência do negócio.

Dizem que o grande inventor Thomas Edison, na tentativa de criar a primeira lâmpada, fez mais de 700 experimentos falhos durante longos anos. Um dia, um dos seus auxiliares, desanimado com tantos fracassos, sugeriu a Edison que desistisse e não tentasse mais, porque, depois de 700 tentativas, não havia avançado nem um passo. O gênio lhe respondeu:

“O quê? Não avançamos um só passo? Avançamos 700 passos rumo ao êxito final! Sabemos de 700 coisas que não deram certo! Estamos para além de 700 ilusões que mantínhamos anos atrás e que hoje não nos iludem mais. E a isso você chama perda de tempo?”.

Para dizer a verdade, não devemos colocar o foco nos erros que cometemos ou que poderíamos cometer, mas sim compreendermos que para crescermos, como seres humanos, para realizarmos nossos sonhos, para sairmos do lugar em que estamos e conquistarmos novos patamares internos, de consciência, e externos de realização daquilo que mais almejamos, precisamos fazer escolhas.

Somos constantemente confrontados com a necessidade de fazer escolhas, diante das muitas possibilidades que se apresentam. Nossa natureza humana é dual, marcada por virtudes e defeitos, e é à medida que avançamos em direção aos nossos objetivos que conseguimos enxergar com mais clareza o caminho que estamos traçando. Reconhecendo nossa imperfeição e aceitando que somos seres em constante construção, entendemos que o erro é uma parte natural desse processo. Pois são as escolhas que fazemos que nos moldam, nos permitindo crescer e avançar em direção à nossa visão de um futuro melhor.

A experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido. (Confúcio)

Se olharmos para trás em nossa jornada, perceberemos que cada experiência, seja um erro ou um acerto, nos trouxe até o momento presente. Somos, em grande parte, o resultado das escolhas que fizemos ao longo da vida. Mesmo os erros que cometemos no passado, que por vezes nos causaram sofrimento e arrependimento, podem se revelar como fontes significativas de aprendizado. Eles contribuíram para a formação de nossas convicções e nos proporcionaram um maior discernimento ao tomar decisões no presente, e continuarão sendo importantes no futuro. O cerne desse entendimento reside no valor do aprendizado que extraímos de cada experiência, independente de ter sido um erro ou um acerto. Não se trata, portanto, de rotular as experiências que vivemos, mas de reconhecer o quanto crescemos com elas e como continuamos a construir a nós mesmos através delas.

Essa mensagem pode parecer familiar, mas não podemos subestimar sua verdade profunda: nossos erros são mestres que têm muito a nos ensinar. Não importa o que empreendamos na vida, devemos estar prontos para colher as recompensas do sucesso quando acertamos, mas também para enriquecer nossas almas com as lições que os erros nos proporcionam.

Pense em todas as histórias inspiradoras ao longo da humanidade: grandes seres humanos como Thomas Edison, que enfrentou centenas de experimentos fracassados antes de criar a lâmpada e tantos outros exemplos ao longo da história. Em cada falha, encontramos oportunidades de crescimento. 

Portanto, independente de seu propósito, esteja aberto para receber lições de cada desafio que a vida lhe apresentar. Mantenha viva em seu coração a sabedoria de Fernando Pessoa: ‘Tudo vale a pena, se a alma não é pequena’. Afinal, a jornada da vida é mais significativa quando nos esforçamos para crescer e aprender, transformando cada erro em um degrau rumo ao enriquecimento de nossa essência.

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