Se você pudesse escolher qualquer pessoa do mundo para jantar hoje, com quem você jantaria? Um artista dos cinemas, um cantor, um célebre escritor? São tantas opções que é difícil escolher só uma pessoa! Dentre todas essas opções, quase nunca alguém pensa em jantar com seus filhos, pais ou irmãos. Afinal de contas, porque os escolheríamos, podendo escolher qualquer pessoa do mundo? Essa é a sacada genial que o vídeo abaixo nos mostra: se podemos escolher qualquer pessoa, porque não escolhemos aquelas que mais amamos?

Este vídeo é muito mais do que uma propaganda comovente, é um convite a refletir sobre o amor e a importância de estarmos com quem amamos. A pureza e sinceridade das crianças nos fazem refletir sobre como, ao longo do tempo e das experiências que vivemos, acabamos nos desconectando desse conceito tão simples, mas tão difícil de ser vivido: o amor. Responder a pergunta proposta, um tanto quanto simples, nos faz, na verdade, usar diversos filtros e critérios para escolher com quem passaríamos o nosso tempo. 

O primeiro deles está ligado com a disponibilidade, afinal, não é todos os dias que podemos dividir a mesa com um artista que admiramos, um escritor famoso ou mesmo um político que estimamos. Quando observamos a opção que os adultos escolheram, percebemos o quanto esse critério foi levado em consideração. Porém, ele não pode ser um parâmetro, apesar de parecer, em um primeiro momento, um argumento válido. Para entendermos isso, é fundamental compreender que o nosso tempo é o maior e mais valioso recurso que nós temos, mais valioso do qualquer conta bancária, tesouros guardados em cofres e segredos. 

O tempo não volta e por mais que não queiramos pensar nisso, essa é uma verdade irrefutável. Visto esse grande valor, seria válido depositarmos tanto tempo com uma pessoa que admiramos apenas por causa de seus talentos? É evidente que não. Precisamos dividir nosso bem mais valioso com aqueles que possuem o nosso coração, o nosso verdadeiro amor, pois esse é o grande investimento de nossas existências: o de cultivarmos o amor entre nós.

Além de refletirmos sobre o amor e como devemos gastar nosso tempo com as pessoas que detêm esse sentimento em nós, outra reflexão fundamental é sobre a felicidade. Ficar pensando em quem escolheríamos do outro lado do mundo para jantar, ao invés de pensarmos em quem está ao nosso lado, mostra como tendemos sempre a buscar a felicidade no que está mais distante da nossa realidade. Desvalorizamos as pequenas alegrias do simples e rotineiro, e passamos para as fantasias de que “se eu ganhasse na loteria” ou “se minha vida tomasse rumo” seríamos mais felizes. Dessa forma, o aqui e agora perdem seu valor, e vivemos o presente com o pensamento num futuro quase impossível. Quais as consequências disso? Pessoas cada vez mais tristes, insatisfeitas com suas vidas, buscando preencher a rotina com mais e mais atividades para ver se encontram alegria em algo. Cada vez mais, aumentam os casos de jovens com depressão, com o sentimento de um vazio por dentro, que não sabem como solucionar. 

Outro ponto que devemos levar em consideração em nossa reflexão é que muitas vezes desperdiçamos a oportunidade de cultivar o companheirismo, cumplicidade e a alegria com quem está diariamente do nosso lado por criarmos fantasias. Divagamos sobre como seríamos mais felizes se vivêssemos em outro país, se conhecêssemos determinadas pessoas ou ainda se pudéssemos comprar determinados bens materiais. Entretanto, será que realmente alcançaríamos a felicidade se vivêssemos uma vida completamente diferente? Saber aproveitar a vida que levamos com as pessoas que nos cercam e com as possibilidades que temos não é conformismo, mas sim uma aceitação da vida ao ponto de conseguirmos extrair nossa felicidade independente do cenário que nos for apresentado. 

No vídeo é nítido que as crianças percebem, mesmo de forma inconsciente, essa lição. Elas possuem uma virtude que vamos perdendo à medida que crescemos: a capacidade de viver o momento presente como se fosse o único. Quando uma criança brinca com os seus bonecos, joga com os amigos, toma um banho de piscina, para ela não existe mais nada à sua volta, a não ser a sua brincadeira. Por vezes, vemos os pais brigando e pedindo que elas parem de brincar, porque senão ficam até sem comer, empolgadas em seus jogos, ou em mundos imaginários. Quando a criança brinca, ela fica de corpo e alma presente no momento, porque para ela não existe o amanhã, não existe nada fora daquele contexto, apenas a felicidade. Assim, aproveitam a vida em sua fase tal como ela é, com seus prazeres e dores, sem se apegar demasiadamente aos acertos ou erros. Basta vermos o que ocorre quando duas crianças brigam: num momento estão tristes, chorando e colocando suas emoções para fora, chegando até mesmo, em alguns casos, a serem violentas. No instante seguinte, quase como um passe de mágica, já esquecem o conflito e voltam a brincar juntas, como se nada tivesse ocorrido. Essa “falta” de memória faz com que não se guarde ressentimentos e que assim possa aproveitar um novo momento tal como ele é: novo e único. 

Nós, adultos, infelizmente fazemos o oposto. Sentamos com uma pessoa à nossa frente, mas ao invés de nos concentrarmos na conversa, colocamos o pensamento em outro ponto, longe, totalmente desinteressado do momento atual. Fazemos isso no trabalho, nos compromissos e até mesmo no lazer, pois ao invés de relaxar, a mente vem com a preocupação de que precisa descansar antes da semana recomeçar. Ou seja, ficamos sempre infelizes, pois nunca vivemos o momento atual plenamente, de forma que nos satisfaça, e sempre ficamos presos numa sensação de “eu poderia estar fazendo outra coisa ao invés de estar aqui”. Somos regidos por uma frustração.

Nós não conseguimos ver a Felicidade por não vivermos o presente, e da mesma forma, fazemos com o Amor. Os nossos vínculos de coração, os laços sentimentais, se dão nesses momentos, no dia a dia, na convivência diária, por isso as crianças escolhem seus próprios pais para jantar, pois são seus pais que elas amam e que lhes trazem alegria, o que para elas é o mais importante, mesmo que seja no momento mais simples e rotineiro. E é isso que emociona os pais do vídeo: a pureza e a simplicidade das escolhas das crianças. Foi um grande choque de realidade, pois eles iriam escolher alguém de longe, distante do seu cotidiano, associando isso à ideia de felicidade. Parece que, à medida que crescemos, vamos nos contaminando de desejos, vaidades e apegos, e ignoramos o que mais importa. 

Que possamos ser limpos como as crianças, que enxergam o valor real de todos os momentos, e que não desejam mais nada, a não ser um jantar com aqueles que mais amam.

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