A história da humanidade é cercada de personagens notáveis. Por mais que, haja quem considere que essa seja uma ideia inadequada, é inegável que alguns seres humanos se mostram extremamente habilidosos em algumas áreas do conhecimento. Normalmente, chamamos esses talentosos homens e mulheres de gênios, que, a rigor, são pessoas capazes de conhecer profundamente as ideias que regem as suas artes. A nível de exemplo, imaginemos um Mozart, que, segundo a sua biografia, era capaz de acessar a música de forma pura, sem precisar de técnica para suas composições. O próprio músico também se destacava desde muito cedo, com apenas seis anos de idade, sendo capaz de executar as sinfonias mais difíceis de seu tempo.

De igual modo, no campo da Ciência, temos personagens notáveis como Einstein, Isaac Newton e Hipátia. Seus nomes ecoam pela história sem perder a força das suas descobertas, pois foram capazes de enxergar leis fundamentais da natureza a partir de suas teorias. Assim, não é possível acreditarmos que não haja, de forma direta ou indireta, talentos e vocações em todas as pessoas, cada um com suas capacidades e dons. Os gênios, nessa perspectiva, são aqueles que conseguem não apenas acessar essas faculdades inatas, mas também torná-las visíveis através de suas obras, sejam de cunho Político, Religioso, Científico ou Artístico.

Dito isso, hoje conheceremos um dos maiores artistas que a humanidade já presenciou, capaz de marcar uma geração da música erudita e fazer com que suas sinfonias fossem tocadas em diversos concertos. Estamos falando de Ludwig Van Beethoven, um dos pilares da música ocidental.

Antes de conhecermos um pouco da sua extensa obra, é fundamental partimos do princípio de sua biografia. Assim, voltaremos até a Alemanha do século XVIII, na cidade de Bonn. No ano de 1770, nascia Beethoven, filho e neto de músicos. Logo cedo, mostrou-se inclinado para o exercício dessa arte. Influenciado por seus pais, aos cinco anos, ele já estava em contato com o seu primeiro instrumento musical, o violino. O incentivo de sua família para o desenvolvimento musical do jovem Ludwig foi notável e, muito provavelmente, foi graças a isso que seu talento tenha aflorado tão rapidamente. Neste sentido, uma primeira reflexão que podemos obter com a biografia de Beethoven é em relação ao valor que o meio, no qual estamos inseridos, tem em nossa formação, principalmente, nos nossos primeiros anos de Vida. Por não estarmos completamente formados e em fase de construção de nós mesmos – socialmente falando -, somos bastante vulneráveis ao que nos circunda. Assim, a influência da arte no cotidiano de Beethoven foi essencial para fazer despertar o dom que já existia nele.

Ressaltamos esse fato – de que, em algum grau, já existia esse talento no jovem músico – porque não somos formados apenas pelo meio em que estamos. Se assim o fosse, qualquer um, criado da maneira que Beethoven foi, poderia se tornar tão genial quanto ele, mas sabemos que isso não ocorre. Portanto, é aceitável o fato de que existe uma parte individual neste processo que faz com que uma pessoa faça desabrochar suas habilidades rapidamente, enquanto outros precisarão, necessariamente, aprender suas técnicas por meio do esforço e repetição.

É nesse meio em que podemos detectar os gênios, que, rapidamente, conhecem os caminhos para captar e reproduzir, em suas técnicas, as ideias que lhe são transmitidas. Mesmo assim, como poderemos ver, ao atentar para a história de Vida de Beethoven, o fato de ser considerado um gênio não o impediu de ser problemático nas demais áreas da Vida. Essa é, em síntese, a grande diferença entre um gênio e um sábio: enquanto o gênio é capaz de crescer a partir de um aspecto da sua Vida, na qual notadamente expressa seus talentos; o sábio cresce de forma una, conjugando todos os seus aspectos para um só ponto de convergência. Neste sentido, o equilíbrio e a capacidade de harmonização das demais esferas da Vida é o seu diferencial. Enquanto isso, o desequilíbrio acompanha o gênio em quase todos os casos.

No que se refere a Beethoven, é perceptível, por exemplo, a sua dificuldade em se relacionar com outras pessoas e em gerir a sua Vida financeira. Por mais talentoso e com prestígio, sua falta de organização lhe custava caro, tanto na questão econômica quanto social. Seus mestres, por exemplo, passaram pouco tempo com ele. Haydn, um dos principais nomes da música Austríaca, foi um deles. Apesar de ser reconhecido como “o novo Mozart”, Beethoven não teve paciência para as lições do seu mestre, rompendo com as suas aulas pouco tempo depois de passar a acompanhá-lo. Assim, de forma autodidata, Beethoven passou a fazer suas composições, sendo um protegido da nobreza Alemã. Recebia uma pensão para custear seu estilo de Vida e tocava em salões privados para a corte de Viena, local no qual passou a chamar de lar, desde os 21 anos de idade.

Além disso, o jovem gênio da música tinha em seu currículo feitos impressionantes: aos 10 anos de idade, já era capaz de tocar qualquer música de Bach; aos 11, fez suas primeiras composições; e com 17, já ensinava e era um dos principais músicos da orquestra de Bonn. É perceptível, portanto, que o talento de Beethoven deixava claro que não era somente fruto do esforço, mas sim de uma habilidade que nascera com o músico.

Quanto à sua obra, que é o verdadeiro legado deixado pelo músico, é incontestável o seu valor para a história da música erudita. Situado em um momento de transição entre o Classicismo e o Romantismo, Beethoven tem, em suas músicas, um pouco da rigidez nas melodias do Clássico, mas também não abre mão de colocar suas emoções na composição, o que será a base para o Movimento Romântico do século XIX. Neste sentido, sua importância está justamente na ligação entre essas duas correntes da música, sendo um marco importante dessas mudanças. 

Basta escutarmos algumas de suas sinfonias para notarmos essas distinções. A 3º sinfonia, por exemplo, de nome “Eroica” e dedicada a Napoleão Bonaparte, é reconhecida como o marco do fim da era clássica.  Nela, expressa-se toda a tensão do combate militar, fazendo com que mergulhemos num campo de batalha e percebamos as nuances da guerra, um fato que o general e imperador francês conhecia muito bem.

Já sua 6º sinfonia, uma das mais conhecidas e tida pelo nome de “Pastoral”, é uma ode à vida rural, na qual o próprio Beethoven falava que era para ser escutada com o sentimento, não com a teoria musical. Assim, dava-se lugar ao sentir e não ao pensar, uma das principais características do Classicismo. Mas, como bem sabemos, a vida desse grande compositor não era nada simples.

Um problema de saúde o afligiu por mais de 20 anos, tendo um desfecho dramático. Aos 27 anos, o jovem Beethoven começou a ter seus primeiros sinais de surdez, tornando-se completamente surdo aos 48 anos. Para qualquer músico, que depende da audição para construção do seu ofício, esse deveria ser o fim. Porém, não estamos falando de um músico comum, mas sim de um gênio. Mesmo sem poder escutar, Beethoven criou sua obra-prima, a sinfonia pela qual até hoje ele é lembrado: a 9º sinfonia.

Conhecida como “Coral”, a obra de Beethoven evoca um poderoso sentimento de unidade. Sua grande composição, porém, é tão incrível quanto o modo que a compôs. Devido a sua experiência e talento, o músico já não precisava escutar as melodias e notas musicais com seus ouvidos, pois em sua mente já sabia como todas soavam. Essa capacidade de se aprofundar em sua música é motivo não apenas de reconhecimento de sua grandiosidade, mas também de inspiração sobre como não podemos nos “render” aos problemas externos.

A 9º sinfonia foi a última desse tipo composta por Beethoven, que faleceria em 1827, três anos após a finalização dessa obra. Cerca de 20 mil pessoas acompanharam seu cortejo fúnebre em Viena, local onde foi sepultado. Apesar de sua morte física, há mais de 195 anos, Ludwig van Beethoven continua na memória cultural do Ocidente, sendo um dos músicos mais respeitados e reproduzidos dos nossos tempos. Suas melodias ecoarão ainda pelas nossas casas e cidades, pois agora já não fazem parte de apenas de um tempo que já passou, mas nos revela a beleza que há em captar os sentimentos humanos e traduzi-los a partir da música.

Visto isso, não poderíamos deixar de reconhecer sua genialidade e prestar essa singela homenagem ao grande músico. Que possamos sempre escutar suas sinfonias e lembrar da capacidade humana de superar a si mesmo e captar a beleza em seu modo mais sublime.

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