A medicina é a arte de curar. Atualmente costumamos dizer que temos uma medicina avançada, uma vez que avançamos na descoberta de tratamentos para combater as mais distintas enfermidades que assolaram – e ainda assolam – a humanidade. Se na Grécia Antiga uma criança nascer com algum defeito físico era praticamente uma sentença de morte, hoje podemos usar diferentes métodos e terapias, a depender do caso, para dar uma qualidade de vida significativa para esse recém-nascido. Assim, a cada avanço que logramos conseguimos desvendar e achar formas de recuperar a saúde dos corpos que possuem as mais diferentes enfermidades. 

A poliomielite é uma dessas doenças. A humanidade convive com a pólio, como é usualmente chamada, desde tempo imemoriais. Há vestígios em fontes escritas que apontam que pessoas no Egito Antigo e na Índia possuíam essa doença, uma vez que sofriam de uma paralisia até então inexplicável para os antigos. A pólio é uma doença viral que pode apresentar, basicamente, três estágios ou formas. Nos casos mais leves ela pode passar despercebida pelo nosso corpo, sem gerar sintomas. Entretanto, sua forma mais grave causa paralisia e danos fatais ao organismo. Por ser uma doença que surge, na maioria dos casos, até os cinco anos de idade, a poliomielite ficou popularizada como a “paralisia infantil”. 

Por ser uma doença viral, a Poliomielite tem um alto grau de contágio, conseguindo se espalhar rapidamente. Desse modo, em momentos de epidemias de Pólio, tornava-se difícil lidar com os casos graves e, em sua maioria, fatais. Nesses períodos era notável a alta taxa de mortalidade das crianças, que, com sistemas imunológicos ainda frágeis, não resistiam aos danos causados pela doença. Além disso, as sequelas da pólio poderiam ser inúmeras, como o desenvolvimento de outras doenças respiratórias e até mesmo a paralisia permanente de alguns músculos. 

É dentro desse contexto que surge o cientista responsável por desenvolver a solução para a Poliomielite. Estamos falando de Albert Bruce Sabin, um médico e pesquisador que dedicou grande parte de sua vida para curar a pólio e salvar milhões de crianças ao redor do mundo. A história de Sabin começa em 1906, na Polônia. Dedicado à medicina, Sabin foi para os Estados Unidos e lá desenvolveu estudos na área de virologia a partir da década de 1930. Sabin não foi o primeiro a se debruçar sobre a cura da Pólio, e seus estudos devem-se em grande parte a Jonas Salk, um contemporâneo de Sabin na busca pela cura. Salk havia desenvolvido na década de 1950 uma vacina contra a pólio, porém não tão eficaz.

Conhecendo os avanços e tentativas de Jonas Salk, Albert Sabin criou sua própria vacina a partir da manipulação do vírus enfraquecido da pólio, garantindo assim que o sistema imunológico do corpo humano tivesse tempo hábil para produzir anticorpos. Outro ponto fundamental na vacina de Sabin foi o fato de ser usada de maneira oral, através de gotas.

Se você foi uma criança nos anos 1990, certamente conhece a campanha contra a poliomielite, com o personagem “Zé Gotinha”, que ajudou a erradicar a doença em boa parte do mundo. É provável que você, meu caro leitor, tenha sido imunizado pela vacina de Sabin, assim como seus filhos, sobrinhos e demais crianças que tiveram acesso à saúde de qualidade em nosso país. Além desse grande feito, que por si só já renderia todas as honras e méritos para Albert Bruce Sabin, sua abnegação pela patente da vacina demonstrou seu caráter humano e verdadeira vocação para servir à humanidade, buscando sempre o bem. Podemos afirmar isso porque graças à decisão de Sabin foi possível que diversos laboratórios ao redor do mundo usassem sua fórmula, barateando assim o custo da vacina e a tornando popular em todo o mundo.

Qualquer pessoa comum pensaria nos retornos financeiros dessa descobertas, afinal, décadas de estudo e esforço deveriam – e com verdadeiro merecimento – ser recompensadas. Porém, o único mérito que Sabin buscava era o de salvar as vidas de milhares de crianças, além de dar uma maior qualidade de vida para outros milhões de jovens. O sucesso para a erradicação da Poliomielite, que até hoje é real em praticamente todos os países, foi graças à virtude investigativa e generosa desse grande médico.

Diante disso, é impossível não pensarmos sobre o valor humano e sua necessidade no mundo atual. Pensemos, mesmo que por um instante, sobre como o mundo seria se cada um de nós fosse um pouco mais virtuoso, tal qual Sabin e sua descoberta. Se pensarmos nos benefícios que outras pessoas terão quando fazemos o nosso trabalho mais bem feito, ou em como podemos mudar o dia de outras pessoas ao darmos à nossa melhor versão para elas, sem deixar evidente nossos defeitos e atitudes grosseiras; se, por pelo menos alguns momentos, fôssemos guiados pela bondade, pela justiça e pela harmonia e não pelos nossos próprios desejos e anseios, será que o mundo em que vivemos não seria um pouco melhor? Nós temos certeza que sim.

Atualmente vivemos em um mundo cada vez mais dominado pelo pensamento egoísta. A cada dia, tornam-se mais comum alguns pensamentos como “cada um com os seus problemas” ou “farei apenas a minha parte”, como se os problemas de toda sociedade também não fossem os nossos. Essa forma de viver nos torna pequenos e esconde nossa verdadeira vocação humana, a capacidade de nos realizarmos através da nossa natureza altruísta e virtuosa. Quase como uma ironia do cosmos, em um mundo com excesso de informações, mostramos que somos cada vez mais ignorantes sobre o nosso papel, seja como indivíduo ou como sociedade. 

A postura de Albert Sabin é, sem dúvida, digna de um Grande Homem, que pensa para além dos seus próprios benefícios. Sabemos o quão importante são as descobertas para os pesquisadores, mas, mesmo tendo o direito de receber todas recompensas financeiras pela sua dedicação, seu impulso não estava nos louros – nem muito menos em ser reconhecido –, mas sim em fazer o bem. O que o movia era o desejo de aliviar a dor humana. E por esse gesto, genuinamente humano, que sua obra se torna ainda mais bela e inspiradora. Que possamos ser, cada vez mais, dignos de representar a humanidade em busca desse ideal de bondade, pois somente assim poderemos aspirar por uma sociedade justa, harmônica e que cumpre com sua finalidade última: a de eduzir do ser humano suas virtudes!

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