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Jesus Cristo é um dos seres humanos mais importantes da história. Ao lado de Confúcio, Krishna e tantos outros mestres de sabedoria, Jesus inspira ainda hoje milhões de seguidores através da religião fundada por seus discípulos. Geralmente associamos o seu nome ao Cristianismo e a toda doutrina das igrejas que carregam seus ensinamentos, e isto é correto, porém, por vezes esquecemos do homem que ele foi e focamos apenas no legado que outros discípulos deixaram em seu nome. Assim, por mais que todos nós tenhamos ouvido falar de Jesus e até saibamos um pouco de seus feitos, é cada vez mais escasso o conhecimento sobre a sua vida. Esse fenômeno, por mais estranho que possa parecer, é real, uma vez que a grande fonte dessas informações encontra-se nas igrejas e, naturalmente, na Bíblia.  Além disso, observa-se que apesar de muito presente na vida de milhões de cristãos, o número de praticantes ativos da religião têm diminuído. Isso significa, na prática, que por mais que haja uma presença significativa da religião cristã no mundo, poucos religiosos de fato conhecem a fundo a história de Jesus Cristo e as novas gerações tendem a conhecer ainda menos.

Visto isso, um dos grandes esforços do Cristianismo, de forma direta ou indireta, é tentar levar a vida e os ensinamentos de Jesus através dos mais diversos meios possíveis. Provavelmente, você já assistiu a algum filme que retrata momentos bíblicos, ou mesmo conhece alguém que assiste diariamente programas religiosos na TV, que escuta podcast sobre o assunto etc. Todas essas são formas de levar não somente a palavra de Deus, mas também de apresentar a vida de Cristo são válidas e bem exploradas pelas religiões cristãs. Ainda assim, talvez poucas estejam tendo tanta eficácia quanto a série “The Chosen”, lançada em 2019. A série, que conta com financiamento coletivo e que é produzida pela VidAngel Studios, abrange o contexto histórico em que Jesus e seus apóstolos estavam inseridos, apresentando outros aspectos que vão além do já conhecido sobre Jesus. Mostram-se, evidentemente, os milagres e todas as passagens relevantes desse mestre de sabedoria, mas, além disso, de forma muito bem trabalhada, apresenta-se a vida dos seus apóstolos, os dilemas enfrentados por eles e como Cristo iluminou a vida de cada um.

Com uma linguagem acessível, o sucesso de “The Chosen” pode ser explicado por diversos motivos. Um deles, certamente, é o formato em que a história é apresentada. Enquanto o filme tende a ter uma narrativa rápida, uma vez que tem um tempo de duração fixo e com pouca maleabilidade, a série produz capítulos e isso favorece os detalhes que são necessários para aprofundar-se na história. Geralmente os filmes acabam por escolher recortes e momentos específicos da vida de Jesus, como, por exemplo, a Paixão de Cristo, filme que retrata o calvário de Jesus e o milagre da sua ressurreição. A série, por outro lado, começa desde antes do surgimento de Jesus como um messias e explora outras nuances que tornam a narrativa atrativa para os espectadores.

Além desse formato dinâmico e atual, “The Chosen” consegue transmitir os ensinamentos de Jesus Cristo de forma tão inspiradora que o espectador prende-se na narrativa tanto pela curiosidade de conhecer mais sobre a história de Jesus como pelos ensinamentos do mestre. Até o momento a série possui três temporadas, o que para uma dinâmica de financiamento coletivo se apresenta como um verdadeiro sucesso. 

Para além das questões técnicas, cabe refletirmos sobre como uma mensagem tão antiga segue tão poderosa em nossos tempos modernos. Muitos podem questionar que o sucesso do Cristianismo se deu ao domínio da Igreja ao longo dos mil anos de Idade Média, ou mesmo que a sustentação da hegemonia cristã no Ocidente é devido um projeto de poder, associado à nobreza ao longo dos séculos XIII ao XIX. Porém, essas são explicações materiais para uma doutrina que tem, por excelência, a busca por respostas metafísicas. Mesmo os mais céticos, ao se depararem com as mensagens de Cristo, entendem que esse mestre de sabedoria buscou uma integração da vida em seus mais distintos aspectos. Jesus não escolhia eleitos, mas acatava todos que estavam dispostos a viver uma vida em prol do amor e da bondade. Quando observamos a vida dos seus apóstolos, distintos em praticamente tudo, mas unidos pela fé e crença na mensagem de Jesus, nota-se o quão diverso e belo foi o ministério erguido pelo filho de Deus.

Para além dos milagres físicos, como transformar água em vinho e andar sobre as águas, talvez o maior milagre realizado por Jesus tenha sido o de conseguir reunir ao seu redor doze pessoas tão diferentes e, ao mesmo tempo, gerar uma união tão poderosa que nem mesmo o tempo foi capaz de separar. São nesses detalhes que a série apresenta a beleza da doutrina de Cristo: o amor à humanidade, independente de profissões, localidades e estilos de vida. Nesse aspecto, Jesus é demasiadamente humano, no melhor sentido da palavra. Costumamos pensar no ser humano como um ser falho, cheio de defeitos e debilidades, entretanto, esquecemos constantemente que somos os únicos a conseguir buscar transcender os aspectos físicos que estão ao nosso redor. Somos uma verdadeira ponte entre o mundo material e o divino, que somos capazes não apenas de desenvolver tecnologia, lógica e outras ciências que nos levam até outros planetas, mas também somos capazes de viver conscientemente o amor, a generosidade, a bondade, a cooperação e todas as virtudes que cabem em nosso peito.

O milagre mais profundo de Jesus está justamente em transformar essa percepção humana. Seus apóstolos são a prova viva disso, uma vez que em sua maioria eram homens de pouca fé, até que entram em contato com o mestre. Esse despertar da alma humana é singular e certamente mais difícil de ser realizado do que multiplicar pães e peixes. 

Frente a essa perspectiva, “The Chosen” vai muito além de uma série comum. Sua intenção não é a de converter pessoas à doutrina cristã, mas apresentar as mensagens de Jesus de uma maneira atual e contar de forma didática a trajetória deste grande mestre. Sabemos que a biografia de Jesus possui diversas lacunas, uma vez que grande parte da sua jornada só passou a ser notada quando sua popularidade cresceu, logo, a série esforça-se para contar de maneira fidedigna o que se sabe sobre o mestre, mas ainda nos resta dúvidas quanto a aspectos mais próximos da história real de Jesus. Sobre esse tema, recomendamos o texto em nosso portal sobre Jesus Cristo que você pode acessar clicando aqui.

Por fim, se faz necessário refletir sobre a atualidade do pensamento de Cristo para o nosso tempo. Vivemos em um mundo que caminha a passos largos em direção a separatividade. Confrontos mundiais, crises humanitárias e até mesmo em nosso cotidiano sentimos que vivemos em um mundo em que são “todos contra todos”. Enxergamos as outras pessoas como inimigas e aumenta em nosso peito a sensação de que devemos nos proteger. Ditados como “o mundo é dos espertos” reforça a ideia de que alguém estará sempre buscando tirar vantagem de você, o que nos faz cada vez mais desconfiados uns com os outros. Essa situação nos leva a enxergar tudo que é distinto de nós como um rival, alguém que precisa ser combatido. É essa mentalidade que gera, consequentemente, os diferentes tipos de racismo e preconceitos, como um mecanismo de autoproteção. Nesse cenário é praticamente impossível fazer com que a semente do amor floresça, pois nos colocamos na defensiva e na busca de preservar alguma identidade partidária que não nos permite viver de forma a amar o próximo.

O mundo em que Jesus viveu não era, nesse quesito, tão distinto do nosso. Dominados por uma cultura hegemônica como a romana, os judeus e outros povos que estavam sob o domínio da águia romana precisavam adaptar seus costumes e aceitar regras que, a priori, não lhe ajudavam em nada. Em um mundo de separatividade, falar na união da humanidade não é simples, nem aceito facilmente. Se hoje sentimos essa mesma dificuldade, não achemos que há dois milênios isso foi bem aceito. Essa é a verdadeira intenção de “The Chosen”: mostrar como a mensagem de amor trazida por Jesus é necessária no mundo em que vivemos. Urge, portanto, uma nova forma de reviver a mensagem de Cristo que, no fundo, é a mesma mensagem dita por tantos mestres de sabedoria: amar, amar e amar. Eis a lei universal. Que possamos estar mais próximos dessa verdade.  

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