Existe uma grande Beleza na diversidade, que é o fato de diferentes formas poderem existir e se relacionarem no Mundo. São por nossas diferenças que aprendemos sobre o Respeito, a Tolerância e tantas outras qualidades que todos os Seres Humanos devem desenvolver. Dessa maneira, quando estamos abertos a enxergar o Belo em todos os elementos, ao nosso redor, podemos entender que, por trás de todas as formas, há uma ideia ainda mais misteriosa e bela: a de que todos nós fazemos parte de uma só realidade. 

Podemos levar esse ensinamento para melhorar nossa convivência com quem não temos tanta afinidade. Isso é verdadeiro e necessário, porém, a lição estaria incompleta se usássemos tal ideia apenas para melhorar as relações Humanas, afinal, por mais diferentes que sejamos uns dos outros, ainda compartilhamos muitos aspectos em comum. Sendo assim, será possível encontrarmos um ponto de União com todos os seres que habitam em nosso planeta? Essa não é uma tarefa simples, como bem sabemos, pois, se há uma grande dificuldade em nos ligarmos aos nossos semelhantes, imagine com aqueles que quase nada se parecem conosco. 

Considerando essa perspectiva, muitas pessoas podem achar impossível tamanha ligação entre espécies tão distintas e que, no fundo, o que deveríamos nos importar era apenas em nos mantermos no “nosso lugar”. Assim, por não conseguirmos enxergar essa Beleza em tantas formas diferentes, o ideal seria ficar cada um em seu território, sem interação e com uma integração altamente limitada com os outros seres da Terra. Esse raciocínio está parcialmente correto, pois do mesmo modo que não podemos tirar um tubarão, por exemplo, do seu habitat para conviver entre os seres Humanos, também não podemos invadir os mares e passar a viver somente ao redor dos peixes. Desse modo, quando falamos em integração com essa diversidade, seja humana, animal, vegetal ou mineral, não estamos dizendo que deveríamos viver rodeados de todos esses elementos, pois isso seria impossível e, em algum grau, prejudicial, tanto para nós como para os outros seres. O que queremos apontar é que, apesar dessa limitação, não devemos excluir o fato de sentirmos e aprendermos com todas as espécies que vivem ao nosso redor.

Por vezes, achamos que, pelo fato de sermos seres autoconscientes e conseguirmos utilizar nossa racionalidade de maneira eficaz, somos necessariamente melhores que os demais seres da natureza. Por mais comum que seja esse tipo de pensamento, ele não está correto em sua totalidade, pois, ao analisarmos nossa Vida cotidiana e os eventos históricos que a Humanidade já enfrentou, percebemos que, em muitos momentos, acabamos destruindo o meio ambiente e usufruindo de maneira desleal dos frutos que a natureza nos dá, baseando-nos em uma falsa ideia de que toda a Vida natural está para nos servir quando, na verdade, o que ocorre é o contrário: nós que deveríamos estar servindo e participando da Vida natural. Essa inversão de valores, infelizmente, tem levado a Humanidade a cometer grandes deslizes com o planeta, como bem sabemos. 

E como podemos mudar essa situação? Hoje, indicamos um documentário que mostra, de maneira simples e bela, como o Ser Humano pode retirar valiosas lições do mundo natural se estiver atento e aberto às experiências. Desse modo, falaremos do “Professor Polvo”, um documentário lançado pela Netflix, em 2020, e que nos conta a história de Craig Foster, um cineasta que criou uma singela Amizade com um polvo e, todos os dias, mergulhava para encontrar o seu Amigo. 

Produzido por Pippa Ehrlich e James Reed, “Professor Polvo” foi o vencedor de melhor documentário, no Oscar de 2021, por tocar em um tema tão profundo e nos levar a refletir sobre o valor da observação natural da Vida e seus aprendizados. As filmagens, em grande parte feitas pelo próprio Craig, durante seus mergulhos, foram feitas em 2010, e o filme levou, ao todo, dez anos para ser finalizado. Filmado em False Bay, na África do Sul, a beleza das imagens, que são um espetáculo à parte, ainda não são capazes de revelar o que é verdadeiramente belo no documentário: a Amizade entre Craig e um polvo.

Tudo começa quando Craig decide praticar mergulho livre na costa sul-africana. A vida marinha passa a encantá-lo, mas o que lhe chama atenção é um pequeno polvo que se esconde do estranho invasor do seu território. No começo, assim como toda aproximação, há uma certa relutância do animal, ao entrar em contato com o humano. Assim, Craig decide mergulhar todos os dias para procurar o polvo, a fim de se aproximar do animal. Porém, sabendo que é um visitante nesse novo ambiente e que a natureza dos animais são absolutas em seu ambiente, ele impõe uma regra para si mesmo: de jamais interferir no curso da vida do animal. Isso significava, em síntese, não protegê-lo dos predadores, nem retirá-lo daquele ambiente para viver em um aquário. Em resumo, Craig seria um obediente observador da vida daquele singelo ser.

A relação dos dois seres, ao longo de quase um ano em que Craig ficou acompanhando o animal marinho, cresceu de tal modo que o cineasta passou a compreender como o polvo, um ser até então tido como “inferior”, seguia o fluxo da vida natural de maneira tão bela e integrado às suas leis. Frente a essa constatação, Craig passa a ter o polvo como um Professor, não pelo animal explicar para ele as diferentes teorias sobre Felicidade e realização, mas por mostrar como vive em Harmonia com tudo ao seu redor.

Trazendo essa percepção para a vida cotidiana, Craig começou a buscar se integrar na natureza, não apenas vivenciando momentos no mar, mas melhorando seu comportamento e convivência, algo que, para o cineasta, mostrava-se uma barreira. Desse modo, a relação e convivência com o animal o ensinou como viver em harmonia com ele mesmo, como também a melhorar suas relações, pois tudo está integrado. Se considerarmos esta ideia, poderemos avaliar se estamos nos unindo mais às pessoas e à natureza ou não. Certamente, quando olhamos o cenário social em que estamos inseridos, podemos notar como o individualismo e a competição são altamente estimulados nas pessoas, o que nos leva a uma separação uns dos outros. Não enxergamos nos demais uma parte da natureza, mas um competidor. De igual modo, passamos a pensar somente no nosso benefício e jamais seríamos capazes de nos sacrificarmos pelas outras pessoas.

Nesse sentido, as lições que a natureza nos dá, constantemente, é de que podemos sim viver em Harmonia, sendo participantes ativos de suas dinâmicas. Junto a essa ideia, nota-se que participar da natureza é contribuir para o seu bem-estar, sendo um ponto positivo neste equilíbrio. Nas relações Humanas ocorre o mesmo, pois podemos, a todo momento, ser um fator de soma na Vida das pessoas, ajudando-as ao invés de criticá-las, colocando-as em nosso Coração, servindo com Justiça e Amor a todos.

E, ao falarmos de Amor, não há como não estabelecer esse divino sentimento à relação entre Craig e o seu Professor. Dentre os milhares de seres marinhos que o cineasta enxergou, em seus mergulhos, foi o polvo que o cativou e, tal qual ocorre com a raposa do “Pequeno Príncipe”, ele se tornou responsável por aquilo que o cativou. A famosa frase da obra de Antoine de Saint-Exupéry revela-nos a importância do Amor e seu modo de funcionamento, pois é nele que reside essa força de se sacrificar por aquilo que se ama. Cativar, no fundo, nada mais é do que se importar, admirar – atributos inerentes ao Amor.

Desse modo, Craig é levado a fortes emoções, ao longo da jornada com o polvo, e nos convida a refletir sobre como nos portamos diante da Vida e como essas diferentes formas, tão distintas dos seres Humanos, podem nos ensinar tanto sobre a natureza. No fim, o documentário não conta apenas a história de um homem e um animal que o cativou, mas versa principalmente sobre a necessidade Humana por respostas, e que estas estão na vida natural, seguindo suas leis e o seu curso. Precisamos, portanto, de atenção para perceber os constantes ensinamentos que a Vida insiste em nos dar, seja nas situações mais comuns do nosso dia a dia, seja em momentos impactantes e experiências intensas. 

Por isso recomendamos a todos o documentário “Professor Polvo”. E desejamos que todos tenham Boas Reflexões!  

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