O ser humano é um ser social. Não há novidade nessa frase, afinal, para sobrevivermos individualmente, dependemos de outros seres humanos. Mesmo as pessoas que não gostam de socializar e que preferem viver em reclusão não podem escapar dessa realidade. Gostemos ou não, viemos ao mundo graças aos nossos pais e aprendemos com eles e demais familiares, em nossos primeiros anos de vida, a falar, a andar, e a entender as primeiras normas de conduta, e hoje vivemos inseridos no meio social como cidadãos exercendo direitos e deveres. Podemos refletir, evidentemente, se o modelo de sociedade que vivemos é o mais adequado, mas nunca poderemos fugir dessa perspectiva social que é indelével ao ser humano.

Frente a isso, um dos grandes desafios como seres humanos é o de aprender a conviver em sociedade. Sabemos que para isso devemos construir valores e princípios que levem a uma relação harmônica, porém, nem sempre isso ocorre. Ainda mais quando nos deparamos com situações extremas, e que requerem um esforço ainda maior para desenvolver empatia pelas pessoas. Além disso, nos parece que, à medida que vamos crescendo, se estabelece em nós uma forma rígida e pouco acessível aos demais. Vamos criando uma “casca” imposta por um estilo de vida, crenças e formas de atuar no mundo que muitas vezes nos impedem de mostrar o nosso lado mais virtuoso. Nesse aspecto, uma criança pode demonstrar muito mais virtudes ao agir do que os adultos, pois ainda não construiu em sua vida essa carapaça que aparentemente nos protege das desilusões do mundo, mas que, na verdade, apenas nos afasta uns dos outros.

Dito isso, hoje temos como missão recomendar um belíssimo filme que nos faz pensar sobre a empatia e a construção de valores, mesmo nos cenários mais difíceis. Estamos falando de “Milagre na cela 7”, uma trama cinematográfica ambientalizada na Turquia e que conta a história de Memo (Aras Bulut Iynemli) – um pastor de ovelhas com uma deficiência mental que o faz ter o comportamento de uma verdadeira criança – e de sua pequena filha Ova (Nisa Sofiya Aksongur).

Certo dia, Memo acaba envolvido em um acidente que tira a vida de uma menina. O pastor de ovelhas é preso e condenado à morte devido ao crime, porém, enquanto espera a execução de sua pena, ele passa a conviver com os mais diversos tipos de criminosos. O que o espectador espera do filme a partir daí? Em geral, podemos pensar que o meio irá influenciar Memo, tornando-o uma pessoa violenta e amargurada, porém, não é isso que acontece. 

À medida em que vão se conhecendo, os presos passam a reconhecer a inocência do pastor perante o crime pelo qual está sendo julgado e começam a protegê-lo do cotidiano violento da prisão. Nesse momento, os maus sentimentos, rancores e sofrimentos vividos por esses homens condenados por seus crimes vão, pouco a pouco, sendo transmutados pela convivência com a Pureza e a Inocência de um homem que vive e vê o mundo através dos olhos e da Pureza de uma criança. Podemos pensar que essa é uma história fantasiosa, pois na vida real isso jamais ocorreria, não é verdade? 

Apesar de nossa descrença, podemos apontar como em várias ocasiões exercitamos nossa virtude a partir da influência de outras pessoas. Quando, por exemplo, encontramos uma pessoa verdadeiramente bondosa atuando, o que sentimos? Em nosso íntimo desejamos fazer o mesmo – e, em algumas situações, até mesmo passamos a ajudar e atuar dessa maneira, pois a Bondade é contagiante. Isso porque as virtudes são contagiantes, elas nos fazem lembrar do valores que recebemos em família e na escola, e de como, em última instância, deve ser a natureza humana. Assim, apesar da história de Memo ser apenas uma narrativa cinematográfica, ela é possível de ocorrer – e ocorre – nos mais variados ambientes, pois a alma humana clama pelo exercício da Bondade, Justiça, Honestidade e tantos outros valores que habitam em nós.

Se quiser ter uma ideia melhor do que é o filme, basta ver o trailer abaixo:

Dentro da prisão, a vida de Memo é salva por um mirabolante plano arquitetado por seus companheiros de cela e por todas as pessoas que com ele conviveram e, inevitavelmente, desenvolveram o mínimo de sensibilidade e de bom senso para ajudá-lo.     

Muitas vezes sofremos em situações das quais não temos ideia de como nos envolvemos nelas, e isso com certeza amplia nossa cota de dor. Talvez surjam perguntas como “O que foi que eu fiz para merecer isso?”, ou “ Até quando viverei esse tormento?” Essas e tantas outras questões nos torturam, principalmente quando somos, de fato, inocentes e não temos dúvidas sobre isso. Por outro lado, podemos partir do pensamento de que a Vida nos conduz por caminhos muitas vezes incompreensíveis para nós, mas que, de alguma maneira, servem para fortalecer os nossos laços com a Verdade, principalmente quando não há maldade em nossas intenções, em nossa maneira de ver o mundo e de como encaramos as nossas relações, e em todas as nossas posturas diante do que não nos pertence. Tenha em mente que, quando a maldade, a desconfiança e o preconceito pertencem ao outro, não é nossa responsabilidade termos que nos justificar por algo que vem contra nós com a intenção de nos prejudicar.

Talvez não devamos aceitar incondicionalmente tudo que a Vida nos oferece, principalmente quando o cenário apresentado nos é colocado de maneira injusta. De fato, temos que lutar para mudarmos a realidade em que nos encontramos. Provavelmente, até mesmo tenhamos que “penar” e sofrer muito para mudarmos nossa condição, afinal, não há ganhos sem esforço. Apesar de um caminho duro, as situações da Vida, quando bem sintetizadas, certamente nos fortalecem e nos preparam ainda mais para vencermos as nossas batalhas.

Dito isso, devemos saber que a Alegria e a Pureza de viver em paz dependem apenas de uma condição interna, e não deve ser contaminada por preconceitos ou paradigmas do mundo ao nosso redor, pois esses fatores externos não podem afetar a nossa essência Divina. Portanto,  assim como o nosso amigo Memo, podemos sempre ser, de fato, felizes quando passamos a enxergar “O AMOR PELO OLHAR DE UMA CRIANÇA”.

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