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Filme “Mulan”: A Nossa Batalha Cotidiana

Tempo de leitura: aproximadamente 5 minutos

Nas montanhas geladas da China, há 1600 anos, quando os exércitos ainda se enfrentavam a cavalos, com armaduras, espadas, arcos e flechas, nasceu a lendária guerreira Mulan, que disfarçou-se de homem para lutar como soldado na guerra contra os invasores. A certa altura na batalha, entretanto, seu disfarce é revelado, levando o comandante do exército imperial a um dilema: condená-la ou condecorá-la, já que sem ela o exército teria sido despedaçado pelo inimigo?

Essa história vem sendo contada desde o Século VI d.C por meio de poesias, músicas, peças teatrais e livros. Em 1998, baseada nessas obras, a Disney produziu uma animação e levou a saga de Mulan para salas de cinema em todo o planeta, atingindo a segunda maior bilheteria daquele ano. Em 2020, a história foi adaptada para filme do tipo live action, ou seja, em um formato em que os atores são reais, ao contrário da animação. Ambas as produções são muito boas, mas na segunda há algumas supressões de personagens em relação à primeira que desagradou um pouco ao público, como o grilo e o dragão, que roubam a cena na animação, mas não aparecem no filme como atores reais. Um outro personagem que foi “esquecido” é a avó de Mulan, que na animação despertava muito afeto e que também desapareceu no filme. Apesar dessas supressões, tanto o filme quanto a animação não deixaram de passar as principais lições de vida do mito original.

Ao assistirmos ao filme somos levados à sensação da guerra: acompanhamos o preparo físico duro e a pressão psíquica necessários a um guerreiro; percebemos a importância das Virtudes da Coragem, da Lealdade e da Verdade nesses momentos extremos. O filme nos causa a sensação de que devemos agir e nos faz sentirmos prontos para enfrentar qualquer desafio. Porém, quando termina o filme voltamos para o nosso mundo “real” de estudos, trabalhos, afazeres domésticos, cuidados com a saúde, relacionamentos, amizades, etc., e dificilmente percebemos que aquele campo de batalha cinematográfico de guerreiros com armaduras, montados a cavalos velozes e lutando até à morte é similar à nossa Vida, apenas mudando o cenário.

A guerra é uma realidade na nossa vida. Tudo em nós está em guerra, desde o sistema imunológico, que protege nosso corpo de organismos invasores, até a nossa psique, dividida entre razão e emoção, que precisa achar o justo caminho entre os dois. Se pararmos para analisar, desde o momento que acordamos estamos em uma batalha: seja para vencer a preguiça e levantar no horário estabelecido ou para fazer atividades que não gostamos, mas que são necessárias. Diariamente, portanto, convivemos com conflitos internos e estamos buscando as melhores soluções para eles. Muitas vezes, inclusive, temos a sensação de que perdemos o dia, tal qual perde-se uma batalha.

Olhando por esse ponto de vista, a lenda de Mulan é um grande achado, pois está carregada de simbolismos. Ela teria tudo para ser uma vítima: uma jovem pobre, filha de um homem doente, em um país que está sendo invadido por um inimigo brutal. A cultura do seu tempo ainda ditava que as mulheres deveriam ser submissas ao marido, portanto, não faltavam motivos para passar o resto da Vida reclamando e se lamentando de sua condição. No entanto, ao contrário do que se espera, Mulan veste a armadura, empunha a espada e cavalga em direção ao inimigo, enfrentando todos os obstáculos possíveis.

Para além de uma postura guerreira, destaca-se também a motivação em salvar sua nação. Colocando seus interesses particulares de lado, ela busca sacrificar-se a fim de proteger a honra de sua família e a sobrevivência da China perante o inimigo. Desse modo, Mulan torna-se um símbolo de cidadã, no mais profundo sentido da palavra: ela pertence a sua nação e serve aos ideais que acredita. Esse aspecto de defender o Todo, mesmo sacrificando seus próprios interesses, é digno de menção por não encontrarmos, atualmente, exemplo semelhante. Se recorrermos, entretanto, à História seremos capazes de citar inúmeros personagens que deram a Vida por seus ideais: Giordano Bruno; Leônidas; Hipátia. Não nos faltam exemplos e Mulan, certamente, pode ser colocada ao lado desses nobres personagens da História.

Suas virtuosas ações permitiram-lhe ser honrada com a espada de Shan yu, o líder dos Hunos e invasores. Nas antigas tradições era comum um guerreiro, quando derrotado, ter suas armas tomadas pelos vencedores. O fato do imperador dar a espada do inimigo para Mulan simboliza o reconhecimento das ações da guerreira para a vitória da China. Sendo assim, Mulan finaliza sua jornada não como uma vítima do seu momento histórico, mas como uma heroína valorosa e digna das maiores honras. Ela ainda seria convidada a ser conselheira do Imperador, mas recusou o cargo para voltar à sua família.

Não estamos nas montanhas geladas da China Antiga. Não usamos armaduras, nem escudos, mas as circunstâncias do nosso tempo se assemelham muito, em essência, aos contornos da Guerra de Mulan. Observando nosso cenário atual, os especialistas prenunciam uma recessão econômica global sem precedentes. Além disso, passamos por um momento de pandemia na qual a COVID-19, esse inimigo invisível, pelo menos a olho nu, que causou milhares de mortes todos os dias e transformou os telejornais em um filme de terror, se espalhou e nos obrigou a tomar medidas restritivas por longos períodos. Vivemos, enfim, um contexto de muita adversidade. É nesse cenário que o simbolismo de Mulan vira um Manual de Sobrevivência.

Tem uma cena muito curiosa em que a bruxa, aliada dos invasores, diz algo para Mulan: “sua energia (chi) está enfraquecida pela falta da Verdade”, logo em seguida lhe dispara um golpe mortal e Mulan fica inconsciente por um bom tempo. Quando acorda, ela resolve revelar sua Identidade, o que a torna mais forte e capaz de vencer o inimigo. Isso é muito simbólico, pois a nossa força está associada às nossas Virtudes, sobretudo às Virtudes da Verdade e da Identidade, que tem a ver com o que de fato somos. Saber quem realmente somos, retirar as máscaras sociais, nos torna mais fortes.

Há outras dicas de fortalecimento no filme. Em outra cena, apresenta-se um exercício durante o preparo dos guerreiros que consiste em subir uma montanha muito alta carregando dois baldes d’água com os braços esticados. O objetivo dessa prática era fortalecer os músculos, desenvolver resistência e ativar a energia que os chineses chamam de “chi”. Isso nos indica que o esforço é um caminho de fortalecimento. Do mesmo modo, o excesso de conforto e de repouso enfraquece o guerreiro. Quem se dedica ao trabalho costuma desenvolver resistência física e psicológica, além de ativar forças em si que nem sabia que existiam antes.

Tem muitas outras lições de fortalecimento no filme, por isso indicamos como uma excelente opção para você acessar conteúdos de qualidade de forma leve e descontraída. Vale à pena assisti-lo com essa chave em mente: estamos em guerra constante e Mulan é um exemplo que nos ensina a como ativar nossa força, desenvolver resistência e enfrentar as batalhas da Vida.

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