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Buda, um dos grandes Mestres de Sabedoria da Humanidade, ensinou que a dor é inevitável. Se estamos no mundo, naturalmente sentiremos diversos tipos de dores. Seja física, emocional ou mesmo mental, faz parte da vida de todos os seres e nós, na condição de seres humanos, precisamos lidar com ela à nossa maneira. Se um animal, por exemplo, reage às suas dores de modo instintivo, é perfeitamente aceitável, uma vez que ele só possui esse mecanismo. Já nós, que possuímos a razão e nossa autoconsciência, podemos optar pela maneira como vamos reagir às dores que sofremos.

Nessa perspectiva, há diversos momentos em que conseguimos controlar os efeitos das nossas dores. Se estamos, por exemplo, em uma reunião em família e machucamos o dedo da mão, normalmente engolimos nossa raiva e sofrimento para não constranger os demais que estão à mesa. Porém, nem todas as dores são fáceis de contornar, muito menos tão passageiras quanto essa que usamos como exemplo. Em geral, nossas dores mais profundas não são físicas, mas emocionais. Rancores, traumas e sofrimento advindos de uma perda são duros combatentes que, gostemos ou não, todos nós precisaremos enfrentar. Como lidar com esses momentos, já que são inevitáveis? 

Hoje indicamos um filme que nos mostra um pouco sobre o processo de aceitação de uma das piores dores que podemos sentir: a perda de um ente querido. Mesmo sabendo que a morte é algo natural e que todos nós passaremos por ela, é quase impossível para o Ser Humano passar por esta situação sem sentir-se abalado ou em alguma intensidade fora do controle de si mesmo. 

“Um ninho para dois” (“The Starling”, no original) foi lançado em 2021 pela plataforma de streaming Netflix e nos conta a história de Lily, interpretada por Melissa McCarthy, e Jack, interpretado por Chris O’Dowd. A vida do jovem casal seguia o seu fluxo normal quando, de maneira inesperada, sua filha recém-nascida morre. A dor que ambos sentem com esse trágico evento é um duro golpe a ser assimilado, porém cada um reage de maneira distinta. Jack, não suportando conviver com a dor, é internado em um hospital psiquiátrico para receber auxílio psicológico, já Lily vive seu luto tentando manter a rotina e seus afazeres, apesar da dor.

Apesar do que possa parecer inicialmente, o filme não busca mostrar que há um jeito melhor de passar pela experiência do luto. Ambos sofrem com a perda da filha e usam os meios que acham mais corretos para sobreviver a essa fatalidade. Se Jack passa os dias internado e tentando processar tudo que aconteceu, Lily tenta voltar rapidamente para a sua rotina, porém, nos dois casos, é notável que falta algo. Refletindo sobre isso, podemos compreender que a dor de perder alguém, assim como outras dores, tem um tempo a ser processada e que não existe uma “receita” para isso. Há pessoas que a superam mais rápido e outras não. Há quem precise manter-se ativo e vivendo “a mil” para não pensar no que aconteceu e outras que param a vida, recolhem-se para processar e sentir tudo antes de voltar ao normal.

Considerando isso, voltemos um pouco ao Budismo e suas lições. Segundo Buda, a dor tem um propósito em nossas vidas. Em linhas gerais, é uma maneira de adquirirmos Consciência. Fisicamente, por exemplo, a dor nos avisa que há algo de errado em nosso organismo e que precisamos corrigi-lo. De igual modo, no campo psicológico a dor também seria um alerta de que precisamos modificar uma postura, mentalidade ou mesmo ressignificar uma experiência. Assim, o luto faz parte desse processo de Cura e Aprendizado ao lidar com a morte.

Dentro dessa perspectiva, é fundamental passarmos por essa experiência de modo consciente, ou seja, entendendo suas fases e vivenciando ao seu tempo cada um dos processos. Como dissemos, cada pessoa reage inicialmente à dor de uma maneira, mas o avanço e superação dessa fase caminha de mãos dadas com o entendimento dessa dura experiência. 

No filme, Lily começa seu processo de superação de maneira externa. Assim, antes de olhar para dentro e sentir a dor da perda, ela passa a arrumar o seu quintal, se desfaz da mobília e do quarto da tão esperada filha. Já Jack não consegue ter as mesmas atitudes, fechando-se em seu próprio mundo e combatendo a dor de dentro da clínica psiquiátrica. Porém, com o tempo, tanto Jack como Lily mudam de postura: ela passa  a refletir e tentar internalizar algumas ideias enquanto ele começa a se abrir para novas experiências dentro da clínica. Apesar disso, os momentos de dor e sofrimento são quase constantes.

A grande chave, porém, está não apenas na ajuda que ambos recebem de profissionais de saúde, mas também na capacidade de recomeçar suas vidas. O trauma de uma família interrompida passa a ser superado quando o casal relembra o quanto se ama e que, apesar do duro golpe que sofreram, ainda podem viver esse mesmo Amor e criar um “ninho para dois”. Assim, o filme nos traz uma lição muito importante e que diversos Mestres de Sabedoria já ensinaram ao longo da história: “o Amor como chave para superação da dor”. 

Todos que amam entendem bem essa ideia. Quando amamos, não há mais espaço para o sofrimento, pois o Amor integra todas as experiências, tanto boas como ruins, e as ilumina com o melhor que temos a oferecer. É graças ao Amor que Jack consegue superar sua depressão e voltar a ser quem era, tanto para cuidar da sua esposa quanto da sua casa. Do mesmo modo, Lily encontra no Amor ao seu marido a força necessária para continuar lutando pelo seu casamento e criando um novo Lar.

Assim, o filme nos leva a refletir sobre como podemos superar nossos limites e barreiras. Mesmo nos momentos mais difíceis, em que a dor parece ser um gigante a ser enfrentado, somos capazes de nos renovar e ressignificar nossas experiências. Por essas reflexões e inspirações, recomendamos “Um ninho para dois”.

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