Imagine, por um breve momento, que Você passou anos tentando realizar um Sonho. Ao longo do processo, seus amigos, familiares ou até companheiro (a) tentaram fazer com que Você desistisse do seu objetivo. Argumentaram, até com certa lógica, que o trabalho não estava dando certo, que o tempo estava “passando” e que Você ficaria para trás, pois todos ao seu redor cresciam, enquanto Você estava preso a uma ideia que nunca se realizaria.

Talvez, essa poderia ser (e, às vezes, até foi) a história de cada um de nós que, em algum momento, sofreu a pressão de outras pessoas ou mesmo sentiu o medo de estar correndo atrás de uma ilusão. É possível que essa identificação seja um dos fatores que fez com que o filme “Tick Tick… Boom”, representando a vida de Jonathan Larson, o famoso escritor de musicais, fizesse tanto sucesso, nos últimos tempos. O longa conta a trajetória do artista que passou quase uma década trabalhando como garçom em um restaurante e morando num sótão. Todos esses sacrifícios em nome do seu Sonho: lançar um musical na Broadway. 

Estreado em 2021, pela plataforma de streaming Netflix, “Tick, Tick..Boom” conta com um elenco de peso para dar vida a trajetória impressionante e inspiradora de Jonathan Larson. O próprio filme, porém, antes de ir para as telas, foi um musical escrito pelo próprio Larson como uma história autobiográfica. Nela, um jovem compositor busca escrever um musical de sucesso, mas precisa encarar a dura realidade de viver com poucos recursos. 

O exemplo de Jonathan Larson é didático para compreendermos como somos motivados pelos nossos Sonhos. Em síntese, o que chamamos de “sonho” são as aspirações que temos para a nossa vida, ou seja, é tudo aquilo que eu quero um dia poder viver. Dizemos, por exemplo, que temos um Sonho de conhecer Paris, ou Roma ou o Egito. Também sonhamos com o emprego perfeito, a casa perfeita, o relacionamento perfeito. Mas o que define a tênue linha entre o Sonho e a fantasia? Pois, se pararmos para pensar, apesar da maioria de nós “sonharmos” com tais objetivos, nem sempre os realizamos. Desse modo, é preciso compreender o que nos faz verdadeiramente sonhadores.

O primeiro elemento que devemos entender é sobre a motivação. Se nossos Sonhos são a estrela que perseguimos, a motivação será o motor que nos impulsionará até os nossos objetivos. Ela, na maioria das vezes, está diretamente relacionada com as nossas emoções, tanto as positivas quanto as negativas. Colocando em exemplos, pensemos na pessoa que sonha com um corpo ideal, forte e dentro dos padrões de beleza atual. Qual a motivação dela? É possível que seja uma causa física como a saúde do próprio corpo, mas também pode existir uma motivação emocional: ela querer suprir uma carência, desejar sentir-se bonito (a), ou mesmo querer alcançar esse Sonho como uma resposta a uma ofensa que tenha sofrido. As motivações que temos, portanto, podem vir de diferentes causas e é importante que saibamos diferenciá-las.

Frente a isso, o caso de Larson mostra uma motivação que não se baseava apenas em um desejo passageiro, mas sim numa verdadeira determinação de fazer com que seu Sonho se plasmasse no mundo. Por isso, ele foi capaz de enfrentar não apenas os seus próprios momentos de tristeza, medo e os eventuais fracassos na sua jornada, mas também toda a energia contrária vinda dos seus amigos e familiares que, preocupados com a sua situação, insistiam para que ele desistisse. Fazendo um paralelo com a nossa vida, muitas vezes, por estarmos dependendo de uma motivação de cunho meramente emocional, acabamos tendo “altos e baixos”, uma vez que as emoções podem (e vão) variar com o tempo. Assim, ainda utilizando o exemplo da academia, tem dias que estamos muito motivados e outros que somos vencidos pela preguiça. O que fazer, então, para não sermos reféns disso?

É preciso, naturalmente, transformar essa motivação em uma convicção. A diferença entre essas duas palavras é substancial: quando estamos convictos dos nossos Sonhos, não estamos dependentes das nossas emoções, dúvidas ou cansaço. Por acreditarmos fortemente em nossos objetivos, conseguimos nos dedicar diariamente e abrimos mão de confortos, prazeres e tudo que for necessário para chegar aonde queremos. Já a motivação, como podemos constatar, é volátil e a longo prazo não é capaz de sustentar todos os sacrifícios que faremos até ver nosso Sonho realizado.

Esses sacrifícios não são necessariamente, como imaginamos, apenas físicos. Afinal, ficar sem dormir para se trabalhar com algo que se gosta é “fácil”, quando comparado ao desafio das críticas e julgamentos. O maior de todos os sacrifícios, como podemos perceber na história de Jonathan Larson, não está somente dentro dele, mas principalmente em lidar com as pessoas ao seu redor. Quantas vezes já não fomos julgados por percorrer um Sonho que, na visão das outras pessoas, era algo desnecessário ou até mesmo bobo? Quantas vezes fomos dissuadidos de nossos objetivos por aquilo “não ter futuro” ou não oferecer um retorno financeiro?

Do mesmo modo, o tempo para a realização desses objetivos é outra grande pedra em nosso caminho. O tempo por si só, como bem sabemos, é um elemento que vive a nos assombrar. Quando olhamos para trás, sentimos que ele anda cada vez mais veloz e que já não temos mais nada dele “a perder”. A ilusão de que não temos mais tempo acaba por minar nossos Sonhos, pois nos achamos velhos demais para começar uma nova aventura, profissão ou mesmo fazer uma nova faculdade. Achamos que dedicar anos da nossa vida para perseguir um Sonho é deixar com que as areias da ampulheta, que chamamos de vida, escorra pelas nossas mãos. 

No caso de Larson, o cineasta dedicou uma década da sua vida até ver seu Sonho realizado. Podemos dizer que dez anos é muito tempo, mas será mesmo que todo esse esforço não é válido para chegarmos aonde sempre desejamos? A persistência, como podemos notar, é fundamental nesse processo e, por mais difícil que esteja a caminhada, desistir não é uma opção. Muitos projetos em nossa vida, sejam eles grandes ou pequenos, acabam morrendo pelo fato de não nos permitirmos persistir um pouco mais. 

De igual modo, um dos nossos maiores entraves é o medo. Ele se expressa de diferentes maneiras: seja no medo de fracassar, no medo de nossa obra não ser, de fato, tudo aquilo que achávamos que era ou mesmo no medo de como será a vida caso esse Sonho que, por vezes, parece tão distante, se realize. Sentimos medo a todo momento e sua principal característica está em nos paralisar. Podemos interromper nossos Sonhos devido a isso, pois não queremos continuar caminhando por este terreno inseguro que, talvez, se realize. Mais uma vez, as virtudes da persistência e convicção são fundamentais nesse processo, pois o medo, como reflexo do nosso instinto de sobrevivência, sempre buscará nos proteger do que não nos é conhecido. Assim, caminhar em direção ao nosso Sonho é assustador, pois não sabemos o que nos espera do “outro lado”. Neste momento, uma antiga frase nos ajuda a decidir como agir quando nos sentimos paralisados: “Na dúvida, dê um passo a frente”.

Enquanto não encararmos os nossos medos, que na grande maioria das vezes será fruto de uma fantasia, não chegaremos a um patamar mais alto. No caso de Jonathan Larson, o medo o atacou por diversos momentos, desde a construção da sua obra até apresentá-la para outros diretores e críticos. O medo irá nos acompanhar em todos os momentos, mas ele não poderá definir as nossas ações. Nesse sentido, não nos assustemos com o futuro incerto, pois o de todas as pessoas também o são. 

No fim, um dos ensinamentos mais interessante de “Tick Tick..Boom” está na capacidade humana de superar as adversidades quando estamos convictos dos nossos objetivos. O poder da vontade, neste sentido, é absoluto, pois nada pode parar um Ser Humano convicto de suas ideias. Mesmo que seja preciso sacrificar o seu tempo, sua energia, seu corpo, suas emoções e, até mesmo, sua mente, nada pode nos parar. Jonathan Larson foi capaz de abrir mão de uma década de sua vida e viver com o mínimo para poder ver seu musical tocar milhares de pessoas em diferentes teatros pelo mundo. Depois disso, ele se tornou um dos maiores compositores da sua geração, mesmo morrendo prematuramente em 1996. 

Seu legado, porém, está muito acima dos seus três grandes musicais. É provável, talvez, que a sua grande obra, no fim das contas, tenha sido a sua própria vida, como um exemplo digno de que podemos sempre superar nossos limites internos e alcançar o mais impossível dos Sonhos. Portanto, lembremos disto: não existem impossíveis, mas sim impossibilitados.

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