Quanto mais a conectividade do mundo atual nos aproxima, menores as distâncias parecem. Se hoje levamos alguns segundos para mandar uma mensagem para o outro lado do globo é graças, de fato, a nossa tecnologia. Porém, apesar das enormes vantagens do mundo moderno, nos parece que os problemas, em seus mais diferentes graus, também ganharam dimensões globais. Se, no final do século XVIII, por exemplo, a preocupação era a eventual falta de alimentos diante do crescimento populacional acelerado, hoje os maiores problemas são conter o desperdício, e descobrir o que fazer com todo o lixo que somos capazes de produzir diariamente.

Partindo dessa problemática, o filme Pequena Grande Vida (2017), disponível na Amazon Prime Video, traz como enredo cientistas visionários que desenvolvem um procedimento capaz de encolher pessoas em mais de 90% de seu tamanho original. Com o pretexto de que, dessa forma, se toda a população reduzisse sua estatura, naturalmente a quantidade de recursos necessários para sustentar a vida também seria reduzida. Assim, seria possível, literalmente, diminuir nosso impacto sobre o meio ambiente, gerando menos lixo, menos poluição, e garantindo melhores condições de preservação do planeta.

A excêntrica ideia ganha força ao longo da primeira década, principalmente por suas vantagens econômicas imediatas. Ao tornar-se um “liliputiano”, você poderia ver seu poder de compra ultrapassar todos os recordes, uma vez que os produtos custariam uma fração dos preços originais. Dessa maneira, rapidamente o novo “mini” estilo de vida ajuda a isolar ainda mais as classes ricas das seguintes, ampliando os abismos sociais e até emocionais, pois a decisão de encolher-se acaba afetando famílias, casais, e laços de amizade. 

A ideia, além de muito criativa e polêmica, e apesar de bem intencionada, acaba causando estranheza ao pensar filosófico, pois sugere que a solução para esse problema seja atuar na sua consequência e não em suas causas. A nível de comparação, seria similar a querer acabar com os acidentes de trânsito apenas alargando as vias e não melhorando a habilidade e a responsabilidade dos condutores. Sabemos que essa não é uma solução definitiva, pois uma hora, invariavelmente, os acidentes continuariam a acontecer como decorrência da imprudência dos motoristas.

Como idealistas, muitos de nós não se contentam com as soluções encontradas hoje que prometem poluir menos ou reciclar mais, dado que são ações paliativas e que, de maneira geral, não combatem o problema em sua raíz. Na prática, se compreendermos melhor o que faz o Ser Humano poluir e, consequentemente, destruir a Natureza, provavelmente acharíamos um modo de agir mais adequado e eficaz para o problema ambiental.

Atuar nas causas, afinal, é o dever de um Ser Humano que busca a Sabedoria. Tal qual os idealistas que realmente desejam saber como mudar o mundo, achar soluções que envolvam o cerne dos nossos problemas requer buscar a origem destes ao longo de toda a cadeia de causas e efeitos que os contém. Se o problema é que estamos consumindo demais os recursos de nosso planeta, e ao mesmo tempo gerando desperdício suficiente para se tornar uma catástrofe iminente, porque estamos consumindo tanto assim em primeiro lugar?

As consequências mais visíveis da passagem da Humanidade no mundo são materiais, e se acumulam aos montes. Para que nossa refeição seja mais rápida, escolhemos alimentos industrializados, pré-prontos, vendidos em embalagens descartáveis. Usamos talheres de plástico de uso único, tomamos nossa bebida em copos ou garrafas desse mesmo material, que nasceram para morrer ali, depois de usados uma única vez. 

De igual modo, os eletrônicos, que nos conduzem no dia a dia, deveriam durar uma eternidade já que existe tecnologia suficiente para isso, mas, se fosse dessa forma, não precisaríamos comprar novos produtos com frequência. É a famosa “obsolescência programada”, onde um produto, ao invés de ser pensado para atender às verdadeiras necessidades do consumidor, e ser útil pelo máximo de tempo possível, são intencionalmente desenhados para se tornarem obsoletos em pouco tempo. Dessa maneira, acumula-se montanhas de aparelhos com baixa vida útil e que não são reutilizados. Do ponto de vista comercial, ter produtos antigos nos dias de hoje, mesmo que funcionem adequadamente, é considerado ruim para a economia, e somos convencidos através de propagandas que ter o que é completamente novo é o que realmente satisfaz o nosso ego, mas, não é bem assim.

Apesar de existir uma lógica econômica, não podemos perder de vista que dinheiro, produtos, bens materiais não são o que de fato fazem a economia, assim como remédios, leitos e equipamentos não fazem a medicina, tampouco livros, universidades ou prêmios fazem a Sabedoria. Tudo isso é feito por pessoas, que utilizam esses elementos como ferramentas para gerir suas funções. Logo, quanto mais Humanos forem os participantes da economia, imbuídos do desejo de compartilhar, de usufruir de maneira consciente, mais ética e duradoura ela será, assim também serve para médicos e sábios, por exemplo. Não é a frieza dos números que deve nos fazer gerar lixo em tamanho menor, mas, é o calor de nossa Humanidade que deve nos mostrar que os números podem ser diferentes, se os fizermos diferentes.Uma célula de nosso corpo não precisa combater uma doença sozinha para que o corpo permaneça saudável, apenas precisa enfrentar da melhor maneira possível a parte que lhe cabe. Fazendo seu papel, ela irá fortalecer seu grupo para que junto a outras estruturas do corpo, todas consigam vencer o invasor maligno. Então, não tenha medo de fazer sua parte e ser um Indivíduo melhor, mesmo que pareça apenas o trabalho de uma formiguinha vivendo no meio de cigarras, afinal, com nosso esforço podemos inspirar outros que também querem acreditar que é possível, e aos poucos, reciclar nosso jeito Humano de ser, transformando nossos comportamentos. Inspiremos transformações, e sejamos a mudança que o mundo precisa.

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