O Amor é uma força tremenda, capaz de unir todas as pessoas. É graças a ele que nos preocupamos, nos sacrificamos e não desistimos, nem de nós, nem daqueles pelos quais desenvolvemos esse profundo sentimento. Porém, mesmo amando as pessoas, há um grande desafio em conviver com elas, visto que todos nós temos pontos de vista, sonhos e desejos diferentes uns dos outros. Comumente, em nossos dilemas diários, precisamos lidar com esses fatores e aprender, em meio às diferenças, um modo de conseguir harmonizar nossas aspirações com as dos outros.

Mesmo em nossa família que, em tese, é o nosso refúgio, muitas vezes, precisamos exercitar o Amor e tentar conciliar diferentes desejos. Sabemos que nossos pais, irmãos(as) e filhos(as) nos amam, porém nem todos demonstram esse Amor da mesma forma, não é verdade? Por termos diferentes modos de nos expressarmos, acabamos achando que nossa família não nos ama, ou, do ponto de vista dos nossos familiares, que não somos tão amorosos quanto deveríamos.

Essas diferenças, seja em nossos lares ou qualquer outro ambiente, evidenciam uma verdade Humana que poucas vezes consideramos, por mais que seja bastante “óbvia”: não somos iguais. A grande diversidade de pessoas, cada uma com seus sonhos e desejos, faz com que as relações que desenvolvemos se tornem difíceis por não sabermos aceitar (ou lidar) com tantas diferenças. Assim, acabamos machucando as pessoas que amamos por não sabermos aceitar que, no fundo, cada um de nós precisa seguir o seu caminho. 

Considerando essa ideia, hoje viemos indicar o filme “No ritmo do Coração” (CODA, no original) que nos leva a refletir sobre essas ideias. Produzido em 2021, o longa-metragem tem roteiro e direção de Sian Heder e conta com Emilia Jones, Troy Kotsur e Marlee Matlin no elenco.

Quanto à história, a narrativa nos leva até uma pequena cidade, nos Estados Unidos, na qual conhecemos Ruby (Emilia Jones), uma adolescente como tantas outras, mas que é a única ouvinte em uma família de surdos. Seus pais comandam uma empresa de pescaria, onde se lançam diariamente ao mar para conseguir peixes, porém, devido a limitação auditiva que possuem, Ruby é uma peça fundamental dentro do negócio de sua família.

No entanto, a adolescente tem outros planos para o seu futuro. Ela deseja ser uma cantora, uma vez que possui uma bela voz e um talento natural para a música. E assim começa o dilema vivido por Ruby: seguir o que ama e realizar o seu Sonho a partir da música, ou seguir com sua família em seus negócios? Essa não é de longe uma decisão simples, e provavelmente cada um de nós, guardada as devidas proporções, já precisou fazer essa escolha.

Em nossos anos de formação escolar, por exemplo, ao precisar optar por um curso ou especialização, geralmente somos “pressionados” por nossa família a seguir uma área específica. Nossos pais que nos criaram desde o primeiro dia que nascemos, projetam seus Sonhos, principalmente os profissionais, em nós, e isso, em geral, acaba frustrando os nossos planos. Nos sentimos na obrigação de seguir o que foi planejado por eles, mesmo que não nos vejamos exercendo aquele ofício. Por outro lado, às vezes, acabamos pensando apenas no nosso ponto de vista, no que estamos desejando fazer e acabamos “passando por cima” dos interesses das deles e, consequentemente, magoando-os.  Certamente podemos argumentar que não podemos viver em função dos nossos pais ou familiares, uma vez que a nossa Vida cabe a nós, mas se amamos essas pessoas devemos, no mínimo, tentar compreender seus desejos.

Levando essa ideia para o filme, Ruby tem uma tremenda dificuldade em mostrar seus desejos para os pais, uma vez que eles não conseguem escutar a voz da filha, muito menos compreender com exatidão o que é música. Desse modo, como os pais não conseguem acessar a realidade da filha, para eles, o que ela busca vai de encontro diretamente com as necessidades da empresa que eles gerenciam. Por ser a única ouvinte, a jovem precisa estar diretamente ligada aos negócios para poder ajudá-los a gerenciar dentro da lei.

Dentro dessa perspectiva, é interessante refletirmos como muitas vezes, por nossa própria limitação interna, não conseguimos aceitar o Sonho ou o ponto de vista alheio. Achamos, por exemplo, que as dificuldades dos outros, em grande parte, são diferentes das nossas. De igual modo, há momentos em que, por descuido ou pura displicência, acabamos magoando as pessoas por desdenhar dos seus objetivos. Desencorajamos os outros por não acreditar em seu potencial, mas principalmente por não aceitarmos o modo de Vida que o outro aspira. 

Na verdade, na maioria das vezes, acabamos cometendo esses deslizes por estarmos inconscientes e não considerarmos a realidade e a necessidade do outro. Assim, passamos por cima dos desejos alheios para tentarmos impor os nossos próprios Sonhos. Frente a isso, “No ritmo do Coração” nos traz uma bela lição de como devemos sempre buscar um ponto de unidade nas nossas experiências coletivas. Enquanto Ruby busca, ao máximo, mostrar à sua família o quanto a música é importante para ela, os pais e o irmão da jovem cantora também se esforçam para compreender a paixão da menina, ao ponto de irem assistir a uma de suas apresentações, mesmo sem nada escutarem. 

Esse esforço coletivo, para compreender uma realidade que eles não podem acessar, é um exemplo perfeito de como deveríamos nos esforçar para tentar enxergar a Vida (ou escutar, no caso) com os olhos (e ouvidos) dos outros. Talvez essa seja a principal chave e mensagem que “No ritmo do Coração” pode nos trazer: o valor da Empatia. No momento em que nos colocamos no lugar do outro, tentando perceber a Vida, através da realidade de cada um, podemos entender que não há Sonho “bobo” ou mesmo sem nexo, mas sim que aquele desejo faz parte da realização de um Ser Humano.

Partindo de uma verdadeira Empatia, podemos buscar uma sincera Harmonia entre o que queremos e o que os outros desejam. Essa é, sem dúvida, uma importante virtude para cultivarmos em uma sociedade cheia de conflitos e separatividades. Se não formos capazes de levar adiante essas ideias, o mundo, infelizmente, continuará manchado pelo egoísmo e individualidade que assolam nossas relações.

A resposta, no fim, está no Amor. É somente amando os outros que poderemos exercer a verdadeira Empatia, pois como poderemos viver essa união se não nos movermos em direção ao centro que liga a todos nós? O Amor nos faz sair da nossa zona de conforto para vermos como e de qual ângulo o outro está vivendo uma situação, e só assim poderemos ter a noção da importância dos seus Sonhos. Dito isso, é fundamental acharmos o valor de cada pessoa, seja em suas aspirações mais profundas, ou mesmo nas atividades mais banais, pois mesmo que não possamos compreender profundamente os desejos dos outros, devemos respeitá-los e ajudá-los, sempre que possível, a caminhar em direção à sua própria realização. O Amor, portanto, deve ser sempre uma força que impulsiona rumo à Evolução, jamais uma corrente que nos prende apenas ao nosso mundo.

Sejamos, enfim, esse impulso para todos aqueles que amamos. Busquemos, através do Amor e da Empatia, a Harmonia entre os nossos Sonhos e o Sonho daqueles que amamos, pois, no fim, nossa maior realização sempre será ver a realização das outras pessoas sendo também a nossa.

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